Música Morre Dona Ivone Lara, aos 97 anos, no Rio de Janeiro

Morre Dona Ivone Lara, aos 97 anos, no Rio de Janeiro

Corpo da sambista será velado nesta terça-feira na quadra da Império Serrano, escola do coração dela, em Madureira, na zona norte

Ivone Lara

Ivone Lara é conhecida como 'Grande Dama do Samba'

Ivone Lara é conhecida como 'Grande Dama do Samba'

Gabriel Soares/Brazil Photo Press - 03.09.2015

A cantora e compositora Dona Ivone Lara morreu na noite de segunda-feira (16), aos 97 anos, no Rio de Janeiro.

Ela estava internada desde a última sexta-feira (13) no CTI (Centro de Tratamento e Terapia Intensiva) da CER (Coordenação de Emergência Regional), no Leblon, com um quadro de anemia.

O corpo será velado agora de manhã na quadra da Império Serrano, sua escola do coração, em Madureira, na zona norte da cidade. O sepultamento está marcado para a tarde, no cemitério de Inhaúma.

A Portela, outra escola tradicional de Madureira, divulgou nota chamando dona Ivone Lara de "patrimônio do Império, da Portela e da cultura brasileira".

Considerada um dos maiores nomes da música popular brasileira em todos os tempos, a cantora sempre foi muito ligada também aos compositores da Portela. Era grande amiga de Candeia, Monarco e Paulinho da Viola, por exemplo.

O sambista Dudu Nobre usou o seu perfil no Facebook para homenagear a artista. "Obrigado por tudo dona Ivone Lara. As bênçãos, os ensinamentos,as conversas, os sambas, a poesia. Descanse em paz, Grande Dama do Samba".

Luto

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, decretou luto oficial de três dias na cidade em homenagem e espeito à sambista.

— Morre o sorriso negro que tanta felicidade trouxe a gerações de brasileiros. Dona Ivone Lara cantou e tornou possíveis sonhos, engrandeceu lutas, transpôs preconceitos. Em seus versos cresceu o samba, fortaleceram-se as mulheres, apequenou-se o racismo. Eu, que morei na África durante anos, convivi com um povo que cresce nas adversidades, repleto de esperança e força de imaginação, assim como nossa dama do samba que hoje se foi. Negro é raiz da liberdade, é inspiração e, hoje mais do que nunca, é luto. A tristeza rola nos olhos do nosso povo, mas também me vem a lembrança de uma guerreira, com talento infinito e vida plena. Peço a Deus que conforte a sua família, amigos e a todos os seus admiradores.

Dona Ivone Lara

Nascida em 13 de abril de 1921, no Rio de Janeiro, dona Ivone Lara compôs seu primeiro samba aos 12 anos, Tiê, tiê, depois de ganhar de seus primos um pássaro da espécie tiê.

Aprendeu a tocar cavaquinho com o tio Dionísio Bento da Silva, que tocava violão de sete cordas e integrava o grupo de chorões que reunia Pixinguinha e Donga.

Sua primeira escola de samba foi a Prazer da Serrinha, que começou a frequentar em 1945 e para quem compunha sambas que eram assinados pelo seu primo Fuleiro, devido ao preconceito contra as mulheres que existia nas agremiações naquela época.

Enfermeira e assistente social, trabalhou com pacientes que tinham doença mental. Ingressou na Império Serrano em 1965 e gravou seu primeiro disco, Samba minha verdade, samba minha raiz, em 1974. Ao se aposentar da área da saúde em 1977, passou a se dedicar integralmente à música.

Entre suas composições mais conhecidas estão Sonho meu e Acreditar, ambos em parceria com Délcio Carvalho.