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publicado em 10/10/2009 às 06h00:

Novo CD mostra os novos caminhos musicais de Pitty

Cantora incorpora novos elementos ao seu rock and roll básico e energético

Fabian Chacur, do R7

Chiaroscuro é o quarto disco da roqueira baiana Pitty e o primeiro de inéditas em quatro anos. Em entrevista exclusiva ao R7, a cantora e compositora fala sobre o disco, carreira e seus projetos pessoais, além do show de lançamento em Sâo Paulo, que ocorre no dia 15 no CitiBank Hall.


R7 - Você ficou quatro anos sem lançar um disco de inéditas. Nesse meio tempo, lançou um disco ao vivo. Por que tanto tempo sem músicas novas? 

Pitty - Foi o acúmulo de trabalho que tive com a turnê do segundo disco e depois com a do DVD do ao vivo, na verdade. Depois que conclui tudo isso me senti renovada o suficiente para gravar, com ideias e letras e pensamentos novos. Não me interessa ficar
lançando discos que sejam iguais aos anteriores


R7 - Você é uma artista solo mas percebe-se que a participação de sua banda é muito grande em seu trabalho. Para você, o nome Pitty na capa dos CDs e DVDs significa uma artista solo ou na verdade uma banda da qual você é a líder?

Pitty - Significa o meu nome, enquanto líder e responsável pela palavra final nas decisões todas acerca desse projeto. Quando comecei, estava sozinha, e o fato de os meninos hoje terem tanta participação é total mérito deles e do tempo que estamos juntos.

R7 - Chiaroscuro é o trabalho mais diversificado de sua carreira. O som continua pesado mas existem muitos elementos sonoros que ainda não haviam aparecido no seu trabalho. Isso é fruto desses quatro anos sem um CD de estúdio de inéditas?

Pitty - É fruto disso também mas é muito fruto do tempo. Quanto mais se vive mais bagagem se acumula e é natural que elas venham surgindo. Tem a ver também com mais tranquilidade para se deixar levar sem tantas amarras.

R7 - Que influências você detecta em Chiaroscuro? O que você ouviu e que acha que ajudou a te inspirar na criação desse novo CD? Jovem Guarda seria uma delas?

Pitty - Muito mais coisas gringas do que nacionais, isso é fato. As pessoas associam Me Adora a jovem guarda, mas a verdade é que eu estava ouvindo The Ronettes com Be My Baby e a própria jovem guarda já era reflexo dessa coisa que acontecia lá fora nos anos 60. Provavelmente devo ter bebido na mesma fonte que eles, daí a associação. Mas acho que essa é só a ponta do iceberg em Chiaroscuro, é somente uma das coisas que tem ali. Tem também música clássica, tango, rock alternativo, rock pesado, climas a lá Velvet Underground. Tudo que escutei a vida inteira se juntou numa coisa só, que é esse disco.

R7 - Fale um pouco sobre o título do disco e se ele tem a ver com o repertório do disco, com o espírito das canções.

Pitty - Sim, totalmente. Um título serve para sintetizar uma obra e nesse caso é isso: o contraste proposto pelo nome Chiaroscuro (claro-escuro, preto-branco) aparece nas letras e composições. Pesadas e sutis, diretas e lúdicas.

R7 - Me Adora é uma canção agressiva na parte da letra mas tem uma levada quase pop, quase jovem guarda. Ou seja, rola um contraste bem interessante. Essa foi a ideia inicial? Fale sobre como surgiu essa música.

Pitty - Primeiro fiz a harmonia e busquei uma progressão de acordes que tivesse essa pegada meio retrô. Quando fiz a melodia, identifiquei nela uma espécie de lamento e achei que a letra tinha que combinar com esse clima. Contrastes pra mim sempre são
interessantes e tendo uma melodia tão assobiável apareceu a necessidade de uma parte lírica mais contundente. Fiz os versos escolhendo palavras que considerava fortes e dramáticas, chutando o balde no refrão, para chegar a esse contraponto.

R7 - Na sua opinião, quais são as músicas desse novo CD que são mais diferentes de tudo o que você já fez, e porque?

Pitty - Água Contida, porque tem uma pegada de tango, tem a ver com música clássica já que a inspiração veio de Carmem de Bizet; A Sombra que é um mantra quase trip hop; Todos Estão Mudos que tem uma levada tribal - lembra um pouco baião na batida mas a melodia e o riff é de uma canção meio épica, de guerra. E a própria Me Adora e também Fracasso, que trazem esse lado mais girls groups da decada de 60, com muitos coros e vozes que eu nunca tinha gravado antes.

R7 - O show de lançamento de Chiaroscuro em São Paulo vai rolar no dia 15. Como vai ser?

Pitty - A minha ideia por enquanto, como é um show de lançamento, é tocar todas as músicas do Chiaroscuro na ordem. Não sei ainda se tecnicamente será possível por conta de troca de instrumentos e tudo o mais, mas amanhã vou me reunir com os meninos e estudar essa possibilidade. Com certeza vão rolar músicas dos discos anteriores, do primeiro, do segundo e do DVD. Pensei na estética visual do novo show de forma que ela comungasse com o conceito do disco, a coisa do preto e branco, da iluminação monocromática e soturna. É um cenário simples e funcional, para que possa ser levado a todos os tamanhos de palco país afora. Uma solução que encontrei para isso foi deixar o fundo preto e todos os elementos de cena na frente (amplificadores, instrumentos) brancos. O figurino dessa turnê também segue a ideia: combinei com os meninos que só vale preto, branco e tons de cinza.


R7 - Desde o início de sua carreira, você teve muito apoio por parte da MTV. Agora, mesmo, o Duda e o Martin ganharam como melhores músicos no VMB. Qual a importância disso para a divulgação do seu trabalho? Te incomoda o fato de alguns te considerarem protegida da MTV? E como é o seu relacionamento com o pessoal de lá?

Pitty - Eu não tenho necessariamente apoio da MTV. O apoio que eles me dão é o mesmo que eu já vi de perto eles darem a inúmeras outras bandas que estão começando, oportunidade de mostrar a cara, de passar o clipe etc. Vide Vivendo do Ócio e Móveis Coloniais de Acaju tocando esse ano e Bonde do Rolê tocando ano passado. O que aconteceu quando eles fizeram isso conosco alguns anos atrás foi que a audiência se identificou imensamente e a coisa aconteceu por si só. Se isso não aconteceu com as outras bandas que tiveram a mesmíssima oportunidade que a gente é uma pena. Quem manda ali é a audiência, e se Duda e Martin ganharam é porque as pessoas votaram neles assim como votaram em Fresno para Artista do Ano. Meu relacionamento com a galera de lá é maravilhoso, é gente que trabalha com música, entende de música, e fiz ótimos amigos que tenho certeza permanecerão independentemente do trabalho.

R7 - Fale um pouco sobre as suas letras. Elas falam sobre coisas que acontecem na sua vida, coisas que você observa no mundo, sua filosofia de vida? O que te inspira a escrever letras? Dá para se conhecer melhor a Pitty analisando suas letras?

Pitty - Dá pra conhecer a parte mais submersa e íntima de mim pelas letras, ali me exponho muito. Não me furto de colocar pra fora minhas observações, desejos, frustrações, medos e vontades mais recônditos. Óbvio que é um código as vezes cifrado, mais poético, nem sempre tão direto. Escrevo porque preciso, porque necessito dessa válvula de escape que pra mim é o papel e a caneta; do contrário, eu murcho.

R7 - Muitas garotas te encaram como um exemplo a ser seguido, uma inspiração. Como você encara isso? Te preocupa de alguma forma? Te leva a fazer alguma coisa diferente do que você faria, se fosse uma pessoa fora da mídia?

Pitty - Encaro numa boa, isso é uma circunstância-consequência. Não é a razão nem o motivo e portanto não me leva a fazer absolutamente nada diferente. Nunca pretendi ser nem didática e nem exemplo, é do livre arbítrio de cada um escolher seus espelhos. E acredito que o grande charme das pessoas está justamente nisso: buscar esse autoconhecimento sem medo de ser o que se é. Sabendo que volta e meia alguém puritano, conformista e com mentalidade fechada vai te julgar. Mas a vida da gente é muito curta para se privar de viver e ser pleno.

R7 - Ao contrário de algumas garotas roqueiras, você sempre soube equilibrar a rebeldia rock and roll com um visual extremamente feminino. Você tem mesmo essa preocupação em ser feminina e roqueira ao mesmo tempo?

Pitty - Não chega a ser uma preocupação, o que se vê no exterior reflete o interior. Essas coisas, quando são de caso pensado e por motivos alheios se tornam artificiais e não convencem. Não vale a pena. O que enxergo é que tenho muitas diferentes aqui dentro e
dou vazão a todas elas. A menina de tênis, calça jeans e rabo de cavalo e a mulher de vestido, salto alto e batom vermelho. Cada uma delas aparece na sua hora e eu não tô mais a fim de reprimi-las. Vou mesmo é me divertir com elas.

R7 - Você no momento está casada, namora etc? Se a resposta for sim, como faz para conciliar a carreira com um relacionamento afetivo? Se a resposta for não, a dedicação à carreira pode explicar um pouco isso?

Pitty - Moro com meu namorado, se casamento não é isso não sei o que mais pode ser. Mas ele também é músico e compartilha das mesmas necessidades que eu, sabe o que é passar dias e dias na estrada sem voltar pra casa, tem os mesmos horários atípicos.


R7 - O que mudou na sua vida desde que deixou a Bahia e passou a morar em São Paulo? Há quantos anos você mora em São Paulo? O que mais curte e o que mais detesta na cidade?

Pitty - Mudou muito, mudou tudo. Não passo tanto calor quanto passava lá e tenho muito mais oportunidades de exercer o meu trabalho. Moro em São Paulo a uns quatro anos e meio e absolutamente amo. É minha opção, inclusive, morar nessa cidade. Gosto de tudo: do cheiro, da noite efervescente, do céu acinzentado, da cor do concreto molhado. O único ônus é o trânsito caótico mas eu tenho a benção de não precisar sair as oito da manhã e voltar as seis da tarde, então isso não chega a ser um suplício.


 
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