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publicado em 21/06/2010 às 06h00:

Ron Carter liga o alerta amarelo para o jazz nos EUA

Em entrevista ao R7, o célebre baixista fala sobre a situação atual da música no seu país

Fernando de Oliveira, do R7

Ron Carter já tocou com nomes como Miles Davis, Gil Evans, Bill Evans, Dexter Gordon, Wes Montgomery, Thelonious Monk, George Benson, Sonny Rollins, George Duke, Aretha Franklin e brasileiros como Tom Jobim. Com a mesma elegância com a qual toca seu baixo acústico nos palcos, ele sentencia.

- O jazz é, hoje, um estilo muito pouco valorizado nos Estados Unidos. Eu, por exemplo, tenho vários shows marcados até julho. Depois, quando voltar para Nova York, estarei livre. O jazz é um estilo subvalorizado. O americano não gosta e não tem ideia da importância dessa música para o mundo.

Carter, que recentemente participou do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, na cidade de Rio das Ostras, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, topou participar de uma entrevista para traçar um perfil de sua carreira e do jazz dos dias atuais.

- Não acredito que a música possa mudar o mundo. Nunca acreditei. São muitas variáveis. Talvez as pessoas que gostem de música e tenham cargos chave, possam. Meu trabalho é fazer a sua cabeça pelas duas horas nas quais estarei tocando. Depois, tudo volta ao normal e quando você abrir os olhos o Lula ainda será o seu presidente.

O músico, um dos poucos que não se rendeu ao baixo elétrico, não tem dúvidas de que fez a escolha certa.

- Poderia ser bom no baixo elétrico ou excelente no acústico. Como não teria tempo para estudar o instrumento elétrico, preferi ficar tocando aquele no qual sou reconhecido.

O jeito tranquilo de falar e a atenção dada a cada resposta refletem a naturalidade com a qual Carter se movimenta em todos os estilos.

- Comecei depois que fui expulso de uma orquestra por ser negro. Morava em Detroit, uma cidade onde havia muito racismo naqueles dias. Aos 18, eu já tocava jazz e trabalhava com artistas como Wes Montgomery e Thelonious Monk. Foi nessa época que Miles Davis me convidou para fazer uma turnê de seis semanas. Com ele, aprendi que toda a noite é ótima para fazer boa música.

A aproximação do baixista com a música brasileira foi casual.

- Um dia, o produtor de um estúdio me ligou e me disse que tinha uma sessão para mim no dia seguinte com um tal de Antonio (Tom Jobim), do Brasil. Fui lá e fiz minha primeira gravação de bossa nova. Depois, gravei com muitos brasileiros. Só com Tom foram seis discos. A música brasileira é muito bonita, com acordes muito fáceis de se tocar.

O futuro do jazz nos Estados Unidos e a aparição de talentos que perpetuem o baixo acústico são grandes preocupações para Carter.

- Infelizmente não tenho nenhum nome de destaque entre os novos baixistas. Muitos músicos acreditam que não são reconhecidos pela dificuldade em conseguir locais para tocar. Em Nova York, por exemplo, o circuito para shows de jazz é muito restrito.

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Ron Carter ao vivo no Festival de Jazz de Rio das Ostras (RJ)

Mas Carter também esbanja bom humor ao falar do prazer que sente em tocar.

- Adoro todos os que vêm me ver. Cada público tem sua peculiaridade: o do Japão só aplaude no fim dos números, o de Nova York faz um burburinho, o de Los Angeles faz barulho o tempo todo. É tudo uma questão cultural. Adoro quando vejo que gente veio me ver e quando os cheques com que me pagam são compensados.

Antes de terminar a entrevista, uma última pergunta define o que podemos esperar sempre que Ron Carter subir ao palco.

- Qual a idade na qual um baixista de jazz chega ao auge? A minha, claro!

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