'O social não pode ficar esquecido', diz Matogrosso sobre pandemia

Cantor sertanejo, que faz dupla com Mathias, falou sobre o papel dos artistas durante um momento tão importante como a crise atual de coronavírus

Matogrosso diz que, apesar de tudo, 'leva a vida com mais leveza e tranquilidade'

Matogrosso diz que, apesar de tudo, 'leva a vida com mais leveza e tranquilidade'

Flaney Gonzallez/Divulgação

Assim como outros artistas, a dupla Matogrosso e Mathias deu uma pausa na carreira, devido à pandemia por coronavírus. E, à distância, os amigos têm realizado lives e ajudado quem precisa durante a quarentena.

Prestes a completar 70 anos, Matogrosso segue confinado em sua fazenda, em Pardinho, interior de São Paulo. Já Mathias, de 31 anos, está em casa, em São José do Rio Preto, também no município paulista.

Antes da parada brusca, os cantores estavam em ritmo acelerado na estrada, divulgando o recente DVD ao vivo, Zona Rural. A dupla costuma fazer mais de 160 shows por ano.

E, apesar de separados, eles já entraram na onda das lives. Este mês, por exemplo, os astros sertanejos transmitiram o espetáculo online Live in The Farm, onde entreteram fãs e ajudaram o Hospital de Amor de Barretos.

Matogrosso e Mathias lançaram o DVD ao vivo 'Zona Rural'

Matogrosso e Mathias lançaram o DVD ao vivo 'Zona Rural'

Flaney Gonzallez/Divulgação

Com mais de 45 anos de carreira, Matogrosso ressalta a importância das celebridades nessas horas.

– Muitos de nós, artistas, têm esse compromisso social e que não pode ficar esquecido. A música é importante até nisso. Então, eu me sinto muito agradecido em poder contribuir com algo essencial.

Para saber mais sobre a dupla, confira o bate-papo completo do R7 com Matogrosso.

R7 - Aos 69 anos, você já havia passado por algo como a pandemia?
Matogrosso -
Já passei por muitas coisas nessa vida, mas um isolamento tão grande como esse... A gente fica assustado! Não tem como não ficar, pois eu vivo da minha música, amo aquilo que faço. Então, não deixa de ser uma dor grande não poder fazer aquilo que amo, estar separado momentaneamente da minha equipe que, de certa forma, se tornou minha família. Longe do público. Pessoalmente, vivo um momento de reclusão e muita reflexão ao mesmo tempo.

Matogrosso está em quarentena na fazenda em Pardinho, interior de São Paulo

Matogrosso está em quarentena na fazenda em Pardinho, interior de São Paulo

Arquivo Pessoal/Matogrosso

R7 - No momento, o que mais te assusta?
Matogrosso -
Estou assustado com tudo, da saúde à economia no País.. E, claro, tenho meus cuidados pessoais; fico isolado, sem contato externo, apenas com os mais próximos mesmo. Mas não fico paranóico. Tento levar a vida com mais leveza e tranquilidade.

R7 - Como você tem se comunicado no confinamento?
Matogrosso -
Ah, me rendi a tecnologia. Whatsapp, vídeo, áudios... é o que no momento eu consigo fazer.

R7 - E, falando em tecnologia, temos o recurso de live shows...
Matogrosso -
Nossa, é uma grande ideia! Muito importante. Conseguimos estreitar o contato com os fãs, dar trabalho para a equipe pois, mesmo longe, todos ajudam direta ou indiretamente. Matamos as saudades dos palcos e arrecadamos fundos para uma causa humanitária. Em nossa transmissão, Live in The Farm, fizemos uma doação para o Hospital de Amor de Barretos. Muitos de nós, artistas, têm esse compromisso social e que não pode ficar esquecido, são pessoas que necessitam de medicação, cirurgia... A música é importante até nisso. Então, eu me sinto muito agradecido em poder contribuir com algo essencial.

R7 - Na sua opinião, como a classe artística vai sobreviver a essa crise?
Matogrosso -
Que situação triste, mas é apenas uma fase. Isso irá passar. Não adianta enlouquecer. Aprendi que tudo passa, o bom e o ruim. Precisamos ter paciência e termos fé. As ideias são bem vindas, como as lives, por exemplo. E isso irá mudar o mercado, pode apostar.

R7 - Depois da pandemia, quais são os planos da dupla?
Matogrosso -
Gravamos um DVD intitulado Zona Rural. É o quinto da dupla e que comemora os 45 anos da marca Matogrosso e Mathias. Ele foi registrado em Marília, interior de São Paulo e reuniu clássicos da época áurea do sertanejo. Nosso planejamento, depois da quarentena, será divulgar as faixas, o DVD como projeto e, claro, levar nosso show para os quatro cantos do País.