Seu Jorge faz show em tributo a David Bowie pela 1ª vez no Brasil

Cantor, que faz live neste sábado (15), relembra convite para participar de filme de Wes Anderson que deu início a relação dele com 'camaleão do pop'

Seu Jorge apresenta live neste sábado (15) às 16h

Seu Jorge apresenta live neste sábado (15) às 16h

Reprodução/Instagram

A jornada de Seu Jorge em tributo a David Bowie começou muito antes da live deste sábado (15), às 16h, que deve ser a última apresentação dele em homenagem ao "camaleão do pop" após quatro anos de turnê.

"Só faltava no Brasil, que eu não pude fazer o show presencial e eu acho que vai demorar um pouco ainda pra gente poder fazer show aglomerado com total confiança", explicou a razão pela qual finaliza a série de shows. "Eu acredito que é o suficiente. Entregando esse concerto no Brasil, a gente encerra a temporada", completou.

A história de Jorge com Bowie começou em 2003, quando o cantor foi convidado diretamente por Wes Anderson para participar de um filme com Bill Muray, Cate Blanchett e Owen Wilson. O diretor, que conheceu Seu Jorge após assistir Cidade de Deus, foi quem teve a ideia de chamar a voz de Burguesinha para regravar as músicas de Bowie em português. Posteriormente, o convite deu vida ao álbum The Life Aquatic Studio Sessions.

"Eu estava em casa, de folga, minha filha mais velha era um bebê, tinha poucos meses, estava em um carrinho", entregou sobre como aconteceu o convite do diretor premiado. "Eu estava assistindo TV, ou algo assim, sentado no sofá e o telefone tocou. A mãe das minhas filhas atendeu e ficou surpresa de saber quem era, né? E me falou assim, com uma cara de susto: 'É o Wes Anderson!'. 'De quem se trata?' respondi. Eu não sabia quem era. E ela me disse que ele estava me convidando para fazer um filme com Bill Murray e 'mó' galera", contou Seu Jorge em entrevista ao R7.

"Wes era muito receptivo, me pediu para enviar uma música para ele e eu gravei, assim, em VHS, em um vídeo bem tosco", relembrou o artista, que passou seis meses na Itália para as gravações do filme A Vida Aquática de Steve Zissou. Seu Jorge contou algumas curiosidades sobre os bastidores do longa e disse que se sentia "em Harvard".

Elenco de 'The Life Aquatic with Steve Zissou'

Elenco de 'The Life Aquatic with Steve Zissou'

Divulgação/IMDb

"Eu estava bastante intimidado, com aquela constelação, com um elenco brilhante. Mas quem não ficaria?", entregou. "Todos estavam pelo roteiro, e não pelo cachê. Conheciam bem o Wes Anderson. Eu não entendia bem o porquê da Cate Blanchett estar ali grávida de quatro meses, um barrigão enorme, trabalhando por 12 horas na maior disciplina. Era por causa do Wes. Ele é brilhante, ele é muito gente boa, é humilde. Todo o elenco… Aprendi muito com eles. Cada cena foi uma especialização", completou.

O filme, em que Seu Jorge interpretou Pelé dos Santos, é fundamental para a homenagem que ele vai prestar a Bowie, mais uma vez, com a venda de ingressos do segundo lote por R$ 60 reais pela Ingresse. Isso porque, Seu Jorge só foi conhecer a obra do "camaleão", de fato, depois de ter sido chamado para atuar ao lado de artistas hollywoodianos.

"As músicas do Bowie me foram apresentadas pelo Wes Anderson. Conhecia pouquíssimo. Eu sabia que ele era um artista que tinha um público bem sofisticado e bem específico. Eu lembro de duas músicas da minha infância, como North America e Let’s Dance. Mas Rebel Rebel, por exemplo, Suffragette City, eram canções que eu não conhecia. Se eu soubesse [da grandiosidade de Bowie], talvez eu achasse que [topar aquele trabalho] era 'too much' [demais, no sentido de exagerado]", apontou o dono de Amiga da Minha Mulher, que desenvolveu uma relação de muito respeito com a obra do artista.

Filmagens do longa de Wes Anderson

Filmagens do longa de Wes Anderson

Divulgação/IMDb

Apesar de nunca ter se encontrado pessoalmente com Bowie, a lenda do pop britânico elogiou a obra de Seu Jorge. "Ele escreveu uma resenha (eu fiquei muito feliz!) e disse que, se eu não tivesse feito [o álbum], ele não saberia o nível de beleza que as músicas dele continham. Então, foi muito legal da parte dele mencionar esse trabalho, já que não foi o primeiro feito em cima das obras dele", exclamou.

A aventura que Seu Jorge topou participar em A Vida Aquática de Steve Zissou abriu caminhos surpreendentes na trajetória dele. O cantor se apresentou no mundo inteiro e até mesmo em locais como Royal Albert Hall, em Londres, na Inglaterra, e chegou a passar mal de nervoso no dia anterior ao show.

"Foi um lugar que eu persegui a vida toda, que eu sempre quis tocar. Foi maravilhoso. Tive um dia de muita superação, porque passei muito mal, tive que tomar injeção para ir tocar. Não sei se foi nervoso, tensão de viver 27 anos na expectativa de tocar no Albert Hall um dia e aquilo aconteceu de maneira grandiosa, só eu e meu violão com uma luz maravilhosa", relembrou.

Contudo, não foi a única ou última vez que Bowie marcou a vida do cantor. Jorge José, pai de Seu Jorge, passava o aniversário no hospital em 5 de janeiro de 2016 e, no dia 10 daquele mesmo ano, o astro mundial do pop morreu em decorrência de um câncer no fígado.

"Por uma triste coincidência, Bowie morreu no dia 10 de janeiro, no dia 5 de janeiro, meu pai fazia aniversário e estava no hospital. Chegou no dia 13 de janeiro, era aniversário da mãe das minhas filhas, e meu pai morreu. E aí, ela falou para eu fazer um tributo ao Bowie", contou. "Eu fiz 32 concertos naquele mesmo ano", relembrou.

No dia 12 de fevereiro, um dia antes de completar um mês da morte do pai, o músico foi convidado a participar de um concerto na escola de Berkeley, na Califórnia. Naquele mesmo dia, o Prefeito de Boston decretou feriado com "Seu Jorge Day". O feriado se extendeu à comunidade brasileira e aos falantes da língua portuguesa, que ajudou o artista alcançar o público português.

"Eu só posso agradecer ao Bowie por ter sido um grande condutor e por me fazer ter essa relação com o público do mundo inteiro", declarou Seu Jorge.

Pandemia da covid-19

O músico, que mora em Los Angeles, nos Estados Unidos, com a família há 8 anos, chegou no Brasil no começo da pandemia da covid-19 para as gravações da segunda temporada de Irmandade. Ele teve de ficar na cidade de São Paulo devido ao isolamento social. Mas o show de sábado (15), será transmitido ao vido de Ubatuba, no litoral paulista.

Ele contou que pretende voltar para a casa norte-americana "assim que for permitido". Mas garantiu que "veio a calhar" passar a quarentena no Brasil, pois consegue dar mais atenção à mãe, que ficaria preocupada caso o filho estivesse longe.

"Eu ainda tenho muita coisa para fazer por aqui, eu aproveito para ficar perto de minha mãe e irmãos, já que ela tem uma idade avançada. Se eu tivesse 'preso' nos Estados Unidos, eu estaria bem preocupados com eles. Os meus filhos, eu sei que estão bem, estão seguros e protegidos. Com meus familiares aqui, eu dou uma atenção um pouco maior", finalizou.

Seu Jorge garantiu que conversa com os familiares que estão nos Estados Unidos o "tempo todo" e reforçou a falta que eles fazem.

"Estou com uma saudade monstra. Vejo todo dia [por ligação de vídeo], mas dar um abraço, um beijo, é diferente. E elas ficam preocupadas porque escutam notícias dos casos no Brasil. Falam para eu não sair, para tomar cuidado, para não saracutear na rua", entregou Seu Jorge.

Apesar da pandemia do novo coronavírus, o músico disse que continua esperançoso e considera a humanidade forte: "Tomando todas as precauções, ouvi o que a ciência está falando, mas feliz, em paz. Tem que ter esperança, tem que acreditar que a gente vai passar por isso. A humanidade é forte, né, por mais que esteja em um momento confuso. A humanidade já atravessou isso em outras vezes. Vai atravessar de novo".

*Estagiária do R7, sob supervisão de Camila Juliotti