Entretenimento Percival de Souza lança livro de crônicas sobre crimes históricos

Percival de Souza lança livro de crônicas sobre crimes históricos

'Histórias que Marcaram o Tempo' é um compilado minucioso dos casos policiais publicados por ele no blog Arquivo Vivo, do R7 

  • Entretenimento | Aurora Aguiar, do R7

Percival de Souza lança seu 19º livro

Percival de Souza lança seu 19º livro

Edu Moraes/Record TV

Percival de Souza, um dos maiores jornalistas investigativos do país, dono de quatro prêmios Esso, um Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, e, atualmente, comentarista de segurança no programa Cidade Alerta, da Record TV, acaba de lançar seu 19º livro.

Histórias que Marcaram o Tempo é um compilado minucioso das mais consagradas crônicas policiais publicadas por ele no blog Arquivo Vivo, do R7.

"O livro contém restituições de crimes que marcaram uma época e tiveram muita repercussão, há mergulhos na alma humana, fala sobre comportamento social, psiquiatria criminal... Enfim, tudo aquilo que leva o ser humano a praticar um crime", contou o jornalista. "O cenário criminal é repleto de acontecimetos inacreditáveis. Você vai vendo que o ser humano não tem limites para chegar a determinados pontos", completou.

Livro tem 148 páginas

Livro tem 148 páginas

Reprodução/Instagram

A seleção das histórias que contemplam o mais novo trabalho não foi tarefa fácil para o jornalista com mais de 50 anos de carreira. Ainda assim, a quarentena que o obrigou, e ainda obriga, a trabalhar de casa, acabou ajudando Percival a imprimir um padrão de qualidade ainda maior na produção do livro.

Em tom de brincadeira, durante a entrevista feita por telefone, o jornalista desabafou: "Estou em prisão domiciliar, sem direito a progressão de pena", disse, aos risos, dando espaço para um Percival menos sério do que acostumamos a ver na televisão. 

Histórias que Marcaram o Tempo, já disponível nas livrarias, também chega ao mercado em formato digital. "É a primeira vez que eu trabalho com essas duas ferramentas simultaneamente. O eletrônico é uma coisa fascinante. Você pode usar a plataforma que quiser e ler o livro", ressaltou.

O assassinato gira sempre em torno do ódio e ciúme, das frustrações sexuais e ambições, da inveja e raiva

Percival de Souza

O fascínio pela área criminal

"Em um crime, seja ele de grande ou baixa repercussão, você tem os atores, são aqueles que praticam o ato. Você também tem aqueles que investigam esse ato praticado, os que julgam absolvendo ou condenando, e por fim, os atores que aprissionam o autor do ato praticado", explicou Percival.

"Nesse cenário pelo qual eu trafego muito, entram ainda outros componentes. Na tentativa de entender a alma humana, existe a psicologia forence, e no meu estágio, descubro que o início de tudo está no coração humano. Isso pode parecer piegas a princípio, mas não é, porque todo crime tem variadas motivações. Mas o assassinato gira sempre em torno do ódio e ciúme, das frustrações sexuais e ambições, da inveja e raiva", disse o jornalista, explicando o fascínio que tem pela área criminal desde muito cedo.

O crime passional é a terceira razão pela qual se mata mais no Brasil. Porque aí, entra o machismo caboclo, o domínio masculino sobre a mulher, a posse da mulher pelo homem, a vingança, a ideia de que ele é proprietário da companheira e de matar imaginando que está se defendendo da própria honra

Percival de Souza

Diante de um caso chocante, por exemplo, Percival contou que costuma se perguntar com grande frequência: "Como é possível uma coisa dessas?". "Essa pergunta a gente fica se fazendo diariamente no mundo criminal. É enigmático!", exclamou. "Você precisa mergulhar na alma humana, senão, você vai fazer uma coisa mecânica. E o que é essa coisa mecânica? É você simplesmente descobrir o autor do crime, provar a ação, condenar e mandar para o cárcere. Agora, e o que gerou o entorno da prática desse crime?", questionou o jornalista, que é um grande estudioso de mestres da filosofia, psiquiatria e pensadores. 

Crimes passionais

O tema é algo que instiga bastante o jornalista. "Penso profundamente sobre esse assunto, porque no Cidade Alerta, esse tipo de crime merece uma atenção especial, exatamente por lidar com variados tipos de emoção, e exigem, para a televisão, que a reportagem se esforce em contar a história da melhor maneira possível. O crime passional é a terceira razão pela qual se mata mais no Brasil. Porque aí, entra o machismo caboclo, o domínio masculino sobre a mulher, a posse da mulher pelo homem, a vingança, a ideia de que ele é proprietário da companheira e de matar imaginando que está se defendendo da própria honra", exemplificou o jornalista.

"O assasinato tem várias marcas registradas: quando vejo um crime praticado com muitos tiros ou muitos golpes de faca, faço uma leitura de que existe um transbordamento de ódio. Golpes no rosto são extretamente vingativos para atingir as mulheres, uma região do corpo que elas têm mais apreço. E o homem age deste jeito de modo possessivo. Vejo isso no caso do pai da (atriz) Maitê Proença, que era um promotor público e matou a mulher dele a facadas nas costas. Maitê ainda era adolescente. Ele achou que fosse uma questão de honra, pois achou que estivesse sendo traído. E por incrível que pareça, essa tese da defesa da honra à época do julgamento prevaleceu. Eu narro isso detalhadamente no livro", contou.

Percival disse ainda que foi uma crueldade a atriz ter sido convocada para ser testemunha. "Era uma menina. Maitê teve uma grandeza épica a conseguir superar um trauma desse tipo e seguir a vida", acrescentou. 

Filmes policiais

Nas horas de folga, filmes policiais não fogem ao passatempo do premiado jornalista. Ele contou que já assistiu à muitos, mas que há dois em especial: o primeiro é o Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, estrelado por Marlon Brando e Al Pacino.

"Eu acho fantástico, desde a perfomance dos atores, à música que eu acho espetacular. Esse filme marca a minha memória porque li o livro avidamente e conheci a Sicília e Palermo (cidades da Itália onde se instalam os mafiosos)."

Na lista de Percival, consta ainda o filme O Nome da Rosa, de Umberco Eco, história que narra uma série de assassinatos que acontecem em um convento, dica para quem curte uma boa trama policial.

Últimas