Morte David Bowie

A primeira vez de David Bowie no Brasil

 Em 1990, o cantor fez shows no Rio e em São Paulo, com Daryl Hannah na plateia

  • Pop | Celso Fonseca, Do R7

David Bowie na casa de shows Olympia, em São Paulo

David Bowie na casa de shows Olympia, em São Paulo

Luiz Alonso/Estadão Conteúdo

A primeira vez que David Bowie pisou no Brasil foi em setembro de 1990, para shows no Rio de Janeiro (Sambódromo, Praça da Apoteose) e São Paulo (antigo Parque Antártica). A turnê, batizada de Sound + Vision enfileirava hits, tinha sound, mas pouco vision, os tais efeitos visuais prometidos por aqui eram pra lá de minguados. Não importava, Bowie estava entre nós.

No Rio, desembarcou bem cedo, antes das 6h, cara de poucos amigos e amassado pelas horas de voo e entrou rápido num Opala preto. Após algumas horas, surgiu numa sala do hotel Rio Palace para conversar com alguns jornalistas. Uma funcionária do hotel me chamou e mostrou, embevecida, um estojo gigantesco de maquiagem que Bowie usara antes da entrevista. “Ele mesmo se maquiou”, disse ela, talvez com inveja. A primeira pergunta, num inglês atropelado, falava de escolhas musicais equivocadas e do passado. “Nos anos 70, também não sabia que cocaína fazia tão mal”, respondeu seco. O que veio a seguir foi um Bowie simpático e irônico, na sua primeira incursão naqueles trópicos de gente que tentava o tempo todo disfarçar o enorme deslumbramento de estar diante da lenda. Ele perguntou sobre a possibilidade de um passeio na Floresta da Tijuca que não se concretizou e pediu sugestões gastronômicas, tinha uma curiosidade especial sobre o galeto servido no hotel.

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No dia seguinte, passou o som num sambódromo vazio e cantou Heroes para quase ninguém, acompanhado do guitarrista Andrew Belew. Fiquei com muita vontade de chorar. Em São Paulo, se hospedou no antigo Hilton, no centro da cidade, e, além do show no Palmeiras, fez outro, bem mais intimista no antigo Olympia. Inesquecível vê-lo de tão perto.

Uma fã adolescente estava fantasiada de Ziggy Stardust, um dos personagens criados por ele. Daryl Hannah, a atriz de Blade Runner e Kill Bill, estava na plateia do Olympia em São Paulo. Filmava na época com o cineasta Hector Babenco na Amazônia e se hospedava num hotel em Belém junto com Tom Waits, Tom Berenger, Kathy Bates, Aidan Quinn, um então time de primeira de Hollywood. Com um bonezinho de mano, Daryl dançou até as tantas no Aeroanta, casa de shows da moda que também não existe mais.  Os anos 90 estavam começando, o Brasil parecia existir para o mundo atrair o melhor da cena cultural.

No ano seguinte, teríamos o segundo Rock in Rio e a MTV seria lançada no País. Estávamos na rota do pop e Bowie mais uma vez parecia desbravador e visionário. Em 1997, ele voltaria.    

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