Cinema 'O Rei Leão': personagens e comédia tiveram de ser mais sutis, diz diretor

'O Rei Leão': personagens e comédia tiveram de ser mais sutis, diz diretor

Em entrevista exclusiva ao R7, Jon Favreau comentou sobre como foi trabalhar com uma das histórias mais amadas do mundo e com um elenco estelar

'O Rei Leão': personagens e comédia tiveram de ser mais sutis, diz diretor

Simba, Timão e Pumba no novo longa de O Rei Leão

Simba, Timão e Pumba no novo longa de O Rei Leão

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O Rei Leão é um dos filmes mais aclamados da história recente, tanto pela crítica quanto pelo público. A mistura de drama e comédia cativou o coração de diversas crianças e muitos adultos, que o tem até hoje como a melhor animação já feita. 

O diretor Jon Favreau

O diretor Jon Favreau

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Em entrevista exclusiva ao R7, Jon Favreau, o diretor do novo longa — que estreia na próxima quinta-feira (18) — admitiu que, por conta da nova estética, mais realista, algumas mudanças tiveram de ser feitas para melhor adaptação, a mais clara e notada pelos fãs foi no vilão Scar.

— Eu acho que, com o Scar, a mudança é bastante óbvia, porque a aparência é diferente e a voz é muito diferente. Mas, na verdade, quando você assistir o filme inteiro, você vai ver que todos os personagens tiveram de ser ajustados de uma maneira parecida, para que eles pudessem parecessem reais em uma caracterização fotorrealista. Você tem muita abertura em uma animação 2D para ter comédia e personagens amplos. Nós sentimos que tínhamos de conter isso e fazer com que os personagens e as performances fossem mais sutis para encaixar no novo visual. E, claro, o visual do Scar foi algo em que nós queríamos incorporar tudo o que aprendemos pesquisando sobre como seriam as aparências de leões que estiveram nas circunstâncias do personagem. Então, nós não pudemos ir sempre para o visual estilizado que o original tinha, apesar do quão amados estes personagens são.

Scar tem o visual mais diferente em relação à animação

Scar tem o visual mais diferente em relação à animação

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Mas Favreau acalma os fãs mais aflitos, que esperam uma adaptação próxima ao que o original apresentava.

— Nós tínhamos que ter certeza que ele parecia e soava diferente do original, porque a história é tão próxima e a música é a mesma. Então, parte disso era ter um novo elenco que pudesse reinterpretar as músicas nos papéis. E outra parte era desenvolver novas tecnologias que ajudassem os personagens a parecerem animais reais, filmados na natureza, como um documentário.

Ainda sobre este pé na realidade, o diretor disse que a equipe se aproveitou dos avanços na tecnologia de realidade virtual para testar e descobrir maneiras de trabalhar os movimentos de câmera para que as cenas tivessem ainda mais esta sensação de mundo real. 

A pedra do reino no novo longa

A pedra do reino no novo longa

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Falando na equipe, Jon diz que, em todo o processo, além das horas de estudo em que assistiu "ao filme original, à peça de Shakespeare, ao musical na Broadway.... qualquer coisa que eu pudesse fazer para preencher meu cérebro com tudo sobre O Rei Leão", ter confiança em todos os envolvidos no projeto, que trariam suas expertises, o ajudou imensamente.

— O segredo é ter certeza de, quando se está trabalhando junto com alguém, que se esteja colaborando, na maneira mais verdadeira da palavra, de que você tem de pedir auxílio àqueles que entendem as coisas com maior profundidade do que você. Você tem de dar uma voz a eles, reconhecer a contribuição deles. Este é um filme que é uma verdadeira colaboração. Nós tivemos pessoas trabalhando na Europa, na Ásia, na África e nos Estados Unidos. Todas estas pessoas trabalharam juntas e trouxeram para a mesa as suas expertises.

Simba, Timão e Pumba, em cena do filme

Simba, Timão e Pumba, em cena do filme

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Esta equipe diversa o auxiliou a entender melhor o que deveria ser o cerne do filme e foi nos que conheciam melhor as referências de cultura africana que ele se apoiou para conduzir esta parte do projeto:

— No fim, nós entendemos que as culturas africanas eram a alma deste filme. Por isso, nós trouxemos pessoas que entendessem esta cultura, atores africanos, músicas... mudamos a história para que ela refletisse melhor e fosse mais autêntica à cultura. Nos últimos 25 anos, desde o filme original, nós passamos a ter um entendimento melhor das culturas diferentes da nossa própria. Eu acredito que ter um elenco e uma equipe que reflitam esta cultura ajuda com isto.

Simba ruge no novo longa

Simba ruge no novo longa

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Ainda sobre o elenco de vozes originais, que conta com Donald Glover, Beyoncé, Chiwetel Ejiofor e Seth Rogen, o diretor conta que já espera as comparações com o original, mas que buscaram reinterpretar a história, a tornando interessante de outras maneiras.

— Eu acho que se cria uma curiosidade na audiência em ver como estes atores que eles amam tanto interpretam estes personagens e papéis que eles amam tanto. E é importante ter um elenco interessante, porque todos tem marcadas uma visão e memórias tão fortes do que os atores antigos fizeram. E o filme antigo ainda se sustenta. Sabe, se você assiste o filme de 1994, é difícil acreditar que foi feito 25 anos atrás, porque ainda é um filme muito legal e que ainda é atual. Então nós tivemos de ter certeza de que estávamos fazendo algo que fosse emocionante e interessante, para dar um sentimento completamente novo, para não parecer que parecesse como se estivéssemos tentando substituir o filme antigo. Nós queríamos fazer uma reinterpretação que se mantivesse verdadeira à história original, mas interessante em outras maneiras.

Cena clássica recriada para o novo filme

Cena clássica recriada para o novo filme

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Favreau, que já dirigiu o remake de Mogli: O Menino Lobo (2016), disse que não foi chamado no início para conduzir o projeto, mas que sabia que poderia fazer algo interessante, devido à sua experiência anterior. Para ele, a temática de O Rei Leão é atemporal e pode se encaixar e ser especial para cada pessoa, independentemente do momento de vida em que se está.

— O que é maravilhoso sobre uma boa história como O Rei Leão é que, se há verdade nos temas, cada geração a vê dentro do contexto que está vivendo. E eu sinto que, tendo o tema do “círculo da vida”, um senso de comunidade entre todas as pessoas e de que temos uma reponsabilidade compartilhada não só com nós mesmos, mas com as gerações que estão por vir. É uma boa mensagem. Por isso, nosso único objetivo era nos manter o mais fiel o possível ao original e isso faria as coisas serem o mais universal possível

Simba, Timão e Pumba em cena clássica reproduzida da animação

Simba, Timão e Pumba em cena clássica reproduzida da animação

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