Música Ópera cancela cerimônia com Plácido Domingo após denúncias

Ópera cancela cerimônia com Plácido Domingo após denúncias

Agência americana revelou acusações de 11 mulheres, entre elas, Angela Turner Wilson, que trabalhou com o tenor entre 1999 e 2000

Ópera de Dallas cancela cerimônia com Plácido Domingo após novas denúncias

Plácido Domingo é alvo de investigações sobre assédio sexual

Plácido Domingo é alvo de investigações sobre assédio sexual

EFE/Andre Kosters

A Ópera de Dallas, nos Estados Unidos, cancelou uma cerimônia que teria a participação de Plácido Domingo, em março de 2020, após uma mulher que ensina canto na Universidade Cristã do Texas se somasse a outras que acusaram o tenor espanhol de assédio ou abuso sexual.

"À luz dos eventos sobre as acusações feitas contra Placido Domingo, a Ópera de Dallas decidiu cancelar a cerimônia do dia 11 de março de 2020, onde estava previsto que atuasse", afirmou a instituição em comunicado.

A denunciante, Angela Turner Wilson, é filha de R. Gerald Turner, presidente da Universidade Metodista Meridional e irmã da atriz Jessica D. Turner.

Ontem, a Ópera Nacional de Washington indicou sua preocupação após novas acusações públicas de abuso e comportamento indevido por parte de Domingo.

Em uma nota enviada à Agência Efe, a presidente do Centro Kennedy, Deborah F. Rutter, da qual a ópera depende, e o diretor-geral da Ópera Nacional de Washington, Timothy O'Leary, expressaram seu desânimo e perturbação "após ter lido as novas acusações".

Ao anunciar sua decisão sobre a cerimônia programada para março do próximo ano, a Ópera de Dallas citou "os últimos eventos em relação às acusações contra Plácido Domingo".

Até o momento, 11 mulheres denunciaram o abuso sexual e comportamento indevido de Domingo, segundo uma informação publicada pela agência americana "Associated Press" (AP). Desde então a Orquestra da Filadélfia e a Ópera de São Francisco cancelaram seus concertos.

Angela Turner Wilson, de 48 anos, trabalhou com o tenor espanhol na peça "Le Cid", de Jules Massene, representada na Ópera de Washington durante a temporada 1999-2000, quando Domingo era o diretor artístico dessa entidade.

De acordo com o depoimento da cantora, Plácido Domingo entrou em seu camarim antes de uma apresentação e a tocou diversas vezes, um comportamento que a deixou "atônita" e "humilhada".

Por sua parte, Domingo negou as novas acusações de abuso sexual e comportamento indevido publicadas ontem contra ele, segundo um comunicado de sua porta-voz enviado à Agência Efe.

"A atual campanha da 'AP' para denegrir Plácido Domingo não é apenas imprecisa, como foge à ética. Estas novas acusações estão repletas de inconsistências e, como na primeira história, simplesmente são incorretas de muitas maneiras", indicou a porta-voz do tenor, Nancy Seltzer, que novamente se referiu à investigação da Ópera de Los Angeles.

"Devido a (existência de) uma investigação em curso, não comentaremos detalhes específicos, mas negamos firmemente a imagem enganosa que 'AP' está tentando pintar do sr. Domingo", acrescentou", apontou Seltzer.

No início do mês passado, a "AP" informou que nove mulheres, todas de forma anônima, com exceção de uma, denunciaram ter sofrido assédio sexual. Domingo alegou que acreditava que suas "relações" e "interações" eram "bem-vindas e de comum acordo".