Pop Wagner Moura vive senhor do tráfico em nova série e opina: “As drogas deveriam ser legalizadas"

Wagner Moura vive senhor do tráfico em nova série e opina: “As drogas deveriam ser legalizadas"

Ator interpreta o traficante colombiano Pablo Escobar em produção da Netflix

  • Pop | Felipe Gladiador, do R7

Wagner Moura caracterizado como o chefe do tráfico Pablo Escobar, na série da Netflix Narcos

Wagner Moura caracterizado como o chefe do tráfico Pablo Escobar, na série da Netflix Narcos

Divulgação

Wagner Moura empresta todo o seu talento para mais um personagem cheio de camadas: Pablo Escobar, conhecido como senhor do tráfico na Colômbia.

O ator é protagonista de Narcos, nova série original da Netflix e conta que sua preparação para o papel foi intensa. O primeiro passou foi se matricular em uma universidade colombiana para aprender espanhol.

— A Colômbia é um País no qual eu sempre me senti muito acolhido e muito em casa. Eles são muito parecidos com a gente. São pessoas que gostam de falar, abraçar, são muito táteis. E eu fui super-receoso, porque imagina você fazer uma série sobre Pablo Escobar sendo brasileiro, e eu não falava espanhol, mas me receberam muito bem, inclusive os atores colombianos, que viram que eu estava fazendo um grande esforço. O mais legal foi o fato de estar trabalhando com mexicanos, argentinos, colombianos, chilenos, essa sensação de ser latino americano, de pertencer a uma cultura maior.

A série vai mostrar a ascensão de Escobar de um criminoso comum para um dos homens mais procurados e ricos do mundo, além de mostrar os conflitos pelo controle do comércio e distribuição de drogas. Ao R7, Wagner é direto ao falar sobre o tráfico de drogas.  

— A minha opinião pessoal é de que as drogas deveriam ser legalizadas. Toda política de combate às drogas na América Latina segue um pouco as diretrizes dos EUA, que é uma política de enfrentamento e de repressão. A gente nota que, com o tempo, as coisas vão mudando. Hoje em dia o consumidor não é tão criminalizado na maioria dos países. Eu acho que é um processo sem volta no sentido da legalização das drogas. Nenhuma análise, e eu não sou nenhum especialista em drogas, resiste ao fato de que os óbitos com relação ao abuso de drogas são em número muito menor que os da guerra contra o tráfico e a quantidade de dinheiro gasta com a segurança é muito maior do que o que se gastaria com saúde pública e pra mim as drogas são problema de saúde mesmo.

Para o ator, existem muitos empecilhos para que um diálogo mais franco e aberto sobre a legalização das drogas aconteça.

— Existem muitos interesses, porque numa guerra contra o tráfico se gasta muito dinheiro com armas e outras coisas. Tem uma entrevista de Pablo Escobar para uma radio em que ele fala que a tendência é que as drogas se tornem um comércio controlado pelo estado.

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Apaixonado pela Colômbia com suas visitas recentes, Wagner elogia o progresso do país.

— Bogotá era a cidade mais perigosa do mundo nos anos 80. O cartel de Medellín e Pablo Escobar fizeram o país inteiro se ajoelhar. Eles mudaram a constituição, criaram o narcoterrorismo, chantagearam o Estado, então o país inteiro estava destruído. É muito impressionante que hoje, mesmo com essas questões ainda existindo, o país tenha se reconstruído tão rapidamente e a Colômbia seja hoje uma das economias mais vibrantes da América latina. O que está à vista é um investimento em cidadania. O que mais impressiona em Medellín é o sistema de transporte. O cara que sai lá de cima da favela pega o metrô cable, aquele bondinho, desce e cai dentro da estação de metrô, então isso em termo de produtividade pro trabalhador dá uma diferença enorme porque o cara demora 20, 30 minutos, enquanto um cara no Rio de Janeiro que mora na baixada fluminense pra chegar no centro, ele pega dois ônibus, um p*** trânsito... É um país de terceiro mundo, com problemas de terceiro mundo, mas que a maneira com que foi se reerguendo é impressionante. Falando de novo do sistema de transporte, as pessoas cuidam daquele negócio porque o cara fala "essa parada tá adiantando minha vida", então eles cuidam e se orgulham daquilo

Com uma carreira sólida nos cinemas, incluindo diversos filmes internacionais, Wagner se aventura pela primeira vez num seriado como Narcos.

— É um negócio que eu nunca fiz. Eu achava muito legal a ideia de trabalhar pra Netflix, porque é um negócio que mudou um pouco a regra do jogo, do audiovisual, do streaming e de você disponibilizar o material de uma vez só, mas de cara o que me fez aceitar foi o convite ter partido do Zé Padilha [diretor de Tropa de Elite], que é um parceirão, diretor com quem eu mais trabalhei. E o Zé é muito louco, me chamar para fazer Pablo Escobar? É tipo "vamos chamar um colombiano pra fazer o Pelé" [risos]. O que eu quis fazer o tempo todo foi não decepcionar o Zé. Se ele acha que eu vou fazer, então eu vou fazer. O formato é instigante também, mas o que vale é um bom personagem, com um diretor bom, aí eu vou indo.

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Outra mudança que o ator precisou fazer para se preparar foi engordar cerca de 20 kg. Quando questionado sobre o que ele fez para ganhar tanto peso, a resposta é bem sincera e divertida.

— Foi só comer coisas deliciosas [risos].

Por conta de Narcos, Wagner teve que recusar o convite para o remake do clássico Sete Homens e Um Destino, também em Hollywood.

— Eu super queria fazer, mas teve um choque com a divulgação e o lançamento da série. Além disso, no ano que vem eu vou dirigir meu sobre Carlos Marighella.

A primeira temporada de Narcos, com 10 episódios, já está inteirinha na Netflix. O elenco conta também com nomes como Boyd Holbrook, do filme Garota Exemplar, Pedro Pascal, da série Game of Thrones e a mexicana Stephanie Sigman, uma das novas Bond Girls de 007.

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