Kanye West teria pensado em matar Kim Kardashian?

Letras polêmicas de novo disco do rapper mostram um cantor com sérios problemas emocionais que utiliza a música como divã

Kanye e Kim: história de amor conturbada está no disco

Kanye e Kim: história de amor conturbada está no disco

Getty Images

Ye, novo disco de Kanye West, foi composto e gravado durante um período em que o rapper enfrentava crises de bipolaridade. Esse momento emocional conturbado foi retratado em sete letras polêmicas que compõem esse EP de pouco mais de 20 minutos.

Algumas das das frases deixam dúvidas no ar sobre a sanidade mental do astro e como isso pode ter afetado pessoas próximas a ele. Logo no início, a letra de I Thought About Killing You traz um Kanye confessional e arrogante que revela ter pensado em suicídio e em matar alguém muito próximo e amado, que alguns fãs em fóruns musicais apostam ser a esposa, Kim Kardashian.

Em nenhum momento fica claro quem é o alvo do ódio de Kanye, mas a maioria das pistas vão nessa direção. Principalmente quando ele diz que ama muito a pessoa, mas tem mais apreço e admiração por si próprio.

Em Wouldn't Leave, Kanye vai mais a fundo na relação e diz que pediu para Kim o abandonar, mas ela se recusou. "Told her she could leave me now but she wouldn't leave" (Disse que ela poderia me abandonar, mas ela não ia embora). "Para toda mulher que ficou com seu cara nas épocas boas e nas épocas ruins, essa [música] é para você", diz o cantor no fim da letra. 

Mas se ele agradece a pareceria nessa, não poupa a mulher em outro trecho. Ao dizer o que deseja para a filha North West, ele além de ressaltar que não gostaria que a menina fosse como Nicki Minaj, comenta que prefere que ela se vista mais como ele do que como Kim.

Outra polêmica em que se envolve é ao questionar a culpa de Russell Simmons, fundador da gravadora Def Jam e acusado de assédio sexual. "Russell Simmons vai rezar por mim também, vou rezar por ele porque ele foi vítima do #Metoo", diz um Kanye que foi defendido pelo magnata quando afirmou que escravidão era uma escolha, em entrevista ao TMZ.

Sobre a polêmica, ele ainda se defende mais uma vez por ter sido supostamente mal interpretado. "Quando você ouve falar de escravidão por 400 anos. Por 400 anos?! Parece escolha. É como se estivéssemos mentalmente na prisão".

Kanye diz que não quer que filha se vista como a mãe

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Grosby Group

A honestidade e sinceridade de Kanye, no entanto, não esconde o fato de ser um dos discos menos inspirados no que diz respeito à produções e composições. Kanye utilizou o momento para lavar roupa suja e fazer do estúdio uma extensão dos divãs que frequenta. A questão é que o público não é psicoterapeuta do músico, que faz das letras um complemento dos tablóides de fofoca, já que aborda notícias publicadas semanas antes do lançamento de Ye. É quase uma coluna social em áudio.

Essa abordagem seria interessante se Kanye fosse um músico emo em 2005. Mas para um homem de meia idade com status de gênio da música, não pega muito bem expor o desequilíbrio dessa maneira e muito menos a infantilidade, como na letra de All Mine, onde ele fala que o que mais gosta são peitos, porque pode focar em duas coisas ao mesmo tempo. Parece até letra do Ultraje a Rigor. Se o rapper não tivesse hype e fosse o Biel, isso jamais passaria sem uma semana de críticas nas redes sociais.

A questão é que o EP, apesar de um ou outro bom momento musical, como nas faixas Ghost Town, No Mistakes e Violent Crimes, não chega a ser uma redenção artística para um rapper que vive mais de polêmica familiares e bravatas do que de bom momentos profissionais nos últimos anos. Mas há um lado bom. Sempre há: Kanye só fez sete músicas para externar o quanto é mal resolvido. Não dá para imaginar como seria um álbum inteiro, com uns 50 minutos, com essa abordagem autorreferente.