Ex-aluno processa escola por propaganda enganosa

Ao receber o primeiro contracheque e verificar descontos, ex aluno processa escola que ensinou que benefícios são gratuitos

Todo "benefício", na verdade, precisa sair de algum lugar

Todo "benefício", na verdade, precisa sair de algum lugar

Steve Buissinne /Pixabay

Marco Antônio da Silva, 18 anos, ex-aluno da Escola de Ensino Fundamental Jardim da Inocência, festejou muito seu primeiro emprego com carteira assinada. Porém, as comemorações duraram até que ele recebeu o primeiro pagamento. O valor era bem menor do que o seu salário-base, o que o levou a tirar satisfações no RH da empresa.

Feita a reclamação, uma das funcionárias do departamento lhe mostrou seu próprio contracheque, onde estavam registrados diversos descontos sobre os quais Marcão, como era conhecido por seus colegas, jamais tinha ouvido falar. Dos seus R$ 1.200 de salário, R$ 91,50 foram subtraídos por um tal de INSS, R$ 72 ficaram por conta do VT e mais R$ 240 sumiram diante de outra incógnita: VR. Marcão não podia entender como aquelas siglas tinham reduzido seu salário a míseros R$ 796,50.

Pacientemente, a funcionária – cujo retrato estava estampado na parede principal da sala sobre a frase “colaboradora do mês” – explicou ao Marcão que, quanto ao INSS, não era possível fazer nada, pois o governo desconta sem que seja preciso qualquer tipo de autorização. Mas, para tranquilizá-lo, disse que um dia, se tudo correr bem, talvez ele receba um salário mínimo como aposentadoria. Já quanto ao VT – Vale Transporte – era possível suspender o desconto desde que ele passasse a ir a pé para o trabalho ou que pagasse a condução por conta própria. Vendo que sairia mais caro, Marcão preferiu manter o desconto. E, finalmente, quanto ao VR – Vale Refeição – havia a opção de levar marmita. Sobre isso, ele não conseguiu decidir na hora, mas ficou de resolver até o fim da semana.

Empolgada com um ouvinte tão atento, a funcionária exemplar aproveitou para mostrar que o 13º salário nada mais é do que dividir o salário anual por 13 (e fazer parecer que é um presente) e que o abono de férias também sai do bolso de cada um, uma vez que tudo é previsto antes de estabelecer o salário mensal.

Indignado, Marcão foi à escola pedir explicações. Ele queria saber por que lhe ensinaram que a aposentadoria é “dada” pelo governo quando as pessoas ficam velhinhas e merecem receber dinheiro sem fazer nada. E também queria saber o motivo de terem dito que os benefícios trabalhistas eram uma conquista dos sindicatos quando, na verdade, tudo não passa de uma encenação? “Cadê as coisas de graça que vocês falaram que eu ia ganhar? Cadê? Onde estão? Cadêêêê?”, gritava Marcão enquanto batia na mesa com o punho cerrado, gesto que ele havia aprendido desde pequeno na própria escola.

Sem obter respostas, Marcão deu entrada em um processo acusando a instituição por propaganda enganosa e espera que, dessa forma, consiga obter alguma das muitas coisas gratuitas que a escola disse que ele receberia na vida adulta. Agora é esperar para ver no que vai dar ou pagar as custas do processo, caso venha perder a ação.

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser...

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