Melhor Não Ler Rainha desmascarada busca súditos desesperadamente

Rainha desmascarada busca súditos desesperadamente

Há 35 anos mulher usa título de rainha, mas por falta de rei, castelo e corte, seu reinado imaginário se aproxima do fim

Por falta de nobreza, coroa da realeza ficou sem cabeça

Por falta de nobreza, coroa da realeza ficou sem cabeça

S. Hermann & F. Richter/Pixabay

Era uma vez uma criança pobre que sonhava em ser rainha. Ela havia nascido em uma província pouco conhecida, em uma família simples que pouco tinha a oferecer. Quando chegou a adolescência, a garota subiu no lombo de um jumento e partiu sozinha para longe. Ao avistar uma linda província, onde o sol brilhava até no inverno, decidiu imediatamente que viveria ali. Era perfeito: ninguém a conhecia, não sabiam seu verdadeiro nome e não tinham ideia de seu passado. Ela podia ser qualquer pessoa e isso era incrivelmente perfeito!

Inventou um nome único, sem sobrenome e, aproveitando-se de sua boa aparência, começou a frequentar a corte e a conhecer os nobres locais. Ela precisava de dinheiro para sustentar seu estilo de vida e manter as aparências, por isso, teve de aceitar alguns serviços degradantes que, obviamente, manteve em segredo. Passado algum tempo, a garota fez certa fama e as pessoas começaram a querer saber mais sobre ela. E foi aí que ela viu sua grande oportunidade de ser o que sempre sonhou: rainha.

Aliando-se a pessoas gananciosas, expôs seu plano: todos diriam que ela era rainha de uma província longínqua e que havia sido injustiçada em seu reino. Por isso, fugiu e buscou abrigo naquela terra maravilhosa. Todos amaram a história, principalmente a parte que dizia que todos que fossem seus súditos seriam crianças para sempre. Todos os dias, ela descia do céu e, ao final de sua aparição, voltava para as alturas. Que demais!

Em pouco tempo ela arrebanhou um número enorme de pequeninos súditos que gritavam seu nome, a seguiam por todos os lugares e queriam ser iguaizinhos a ela, com a vantagem de que jamais seriam adultos. “Rainha, rainha, ela é nossa rainha”, exclamavam seus leais seguidores por onde quer que ela fosse. A coisa foi ficando séria e, para manter seu disfarce, a falsa majestade tratou de ocultar seu passado indecoroso e a investir seus ganhos em construir um império.

Porém, com o passar dos anos, seus súditos cresceram e perceberam que tudo era uma grande mentira. Perceberam o quanto haviam sido manipulados, como ela havia se aproveitado da inocência deles e que, para distraí-los com suas brincadeiras aparentemente inofensivas, os havia exposto a situações totalmente inapropriadas para suas tenras idades. De repente, a rainha se viu sem súditos, deixou seu castelo cor-de-rosa (que está abandonado até hoje, pois ninguém quis comprar) e, para piorar, seu passado condenável veio à tona.

Desmascarada, ela mudou sua estratégia: voltaria a dizer que era vítima de pessoas inescrupulosas, choraria em público e contaria que passou por uma série de infortúnios. Mas o que parecia ser uma ótima ideia não deu certo. Sem rei, sem castelo e agora sem súditos, a ex-rainha que nunca foi nobre de verdade não teve outra escolha a não ser mostrar quem realmente sempre foi.

Seu plano agora é confundir os filhos de seus ex súditos, dizer que são o que não são e não são o que acham que são. Não quer que tenham família, que sejam felizes e que tenham o que ela mesma nunca teve de verdade. Quer distraí-los com histórias tão indecorosas quanto seu passado e se vingar por terem destruído seu reinado imaginário. Uma triste história, sem dúvida, mas nada original, afinal, os vilões acabam sempre sozinhos, vítimas de si mesmos.

Esta crônica é fictícia, embora poderia não ser...

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