Maria Fumaça Rock abre fase mais pesada e leva rapcore de SP ao Hardcore Worldwide
Gravado no extremo Leste, videoclipe de ‘Canalhas’ reúne nomes da cena punk e hardcore em produção independente de bom nível
A Maria Fumaça Rock inicia uma nova etapa com Canalhas, single lançado nas plataformas digitais, que vem acompanhado de videoclipe no maior canal global dedicado ao universo do hardcore e subgêneros, o Hardcore Worldwide, no YouTube.
A faixa marca a chegada do guitarrista Osvaldo Lordelo à formação e aponta para uma sonoridade mais pesada, com maior presença do crossover entre hardcore e metal.
O videoclipe, dirigido por Max Di Giosia e gravado no Terreno Rock Bar, extremo leste de São Paulo, tem na fotografia um de seus principais acertos. A direção conseguiu explorar bem o espaço, criando um clima intimista e uma imagem fílmica que valorizou a performance da banda.
Mesmo com elenco formado por não atores, os músicos e figuras da cena HC tiveram boas atuações que funcionam e ajudam a sustentar a atmosfera do clipe.
A proposta da Maria Fumaça Rock passa pelo rapcore e hardcore de pegada old school. Há referências de Rage Against the Machine, Pavilhão 9 e Planet Hemp, mas o ponto mais interessante está na forma como a banda articula essas referências dentro de uma lógica própria, ligada à vivência da cena underground da Zona Leste paulistana.
As participações reforçam o caráter coletivo. Rica Silveira, multi instrumentista e rapper conhecido por sua trajetória em bandas como Calibre 12, Gritando HC, DeCore e Das Projekt, e Tube 13, produtor de backstage conhecido no rock brasileiro, participam do clipe, ampliando a sensação de encontro entre amigos e agitadores da cena independente.
Na gravação, a voz de Tom Fumaça está bem encaixada na mixagem e conduz a faixa com boa pegada. Considerando que se trata de uma produção underground feita em home studio, o resultado consegue soar maior do que a estrutura poderia sugerir.
Mesmo que se perceba alguns conflitos nas frequências médio-graves e graves, ou uma certa defasagem de brilho nos médio-agudos das guitarras, ainda assim, esses pontos não derrubam a agradabilidade da escuta e até fazem parte de um tipo de produção que carrega a marca direta da cena do it yourself.

Formada por Tom Fumaça na voz e guitarra, Osvaldo Lordelo na guitarra, Kbssa no baixo e Jef Turco na bateria, a banda do lado leste de São Paulo aparece em “Canalhas” com uma obra que sintetiza bem seu espírito: amigos fazendo um som pesado, direto e ligado às raízes do punk, do metal e do rap.
O resultado final, fonográfico e audiovisual, é consistente. “Canalhas” tem competitividade mercadológica dentro do seu nicho e funciona como bom cartão de visitas para essa nova fase da Maria Fumaça Rock. Também registra uma cena que atravessa décadas resistindo aos ciclos de mercado, mantendo ativa a circulação de artistas, produtoras, bares e coletivos. Ao ganhar suporte de um canal internacional como o Hardcore Worldwide, a banda reforça que o underground brasileiro tem força, bagagem e talento para dialogar com o cenário global.
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