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Com Sandy de novo no palco, fãs do Coldplay pagam mico cantando 'Evidências' e roubando pulseiras

Admiradores da banda inglesa não cansaram de passar vergonha ao longo das seis apresentações que aconteceram no Morumbi

Odair Braz Jr|Do R7


Sandy ao lado de Chris Martin na noite de sábado (18), no estádio do Morumbi (SP)
Sandy ao lado de Chris Martin na noite de sábado (18), no estádio do Morumbi (SP)

Pois é, a irmã do Junior subiu ao palco do Coldplay, no Morumbi, no sábado (18), pela segunda vez. Ela já havia cantado com a banda de Chris Martin na última terça-feira (14). O rapper Rael também deu uma canja ontem, e Seu Jorge apareceu no primeiro show do grupo em São Paulo, no dia 10 de março. O Coldplay tem todo o direito de convidar quem quiser, mas há uma uma coisa intrigante nisso tudo que é exatamente o fã desta banda, que idolatrou todas essas participações, especialmente a da Sandy.

Quando digo "fã" me refiro aqui àquela pessoa que foi aos shows, que postou fotos e vídeos deslumbrados nas redes sociais e que participou do evento como quem vai a um parque de diversões, e não para ver um suposto espetáculo de rock. "Suposto" porque Coldplay não é rock já faz um bom tempo, né? A verdade é que não sei bem se dá para dizer que esse povo todo pode mesmo ser chamado de fã.

Essa turma, ou uma grande parte dela, deu uma aula triste do que é ser uma verdadeira “maria vai com as outras”. Pode apostar que mais da metade das pessoas ali não saberia dizer o nome de três álbuns do grupo. E, afinal de contas, elas não estavam lá por causa da música mesmo, mas sim por conta de todo o hype e pela vontade de estar onde “todos os meus amigos estão”. Vi esse tipo de comentário várias vezes nas redes sociais nos últimos dias.

A grande aceitação de Sandy no show da banda passa pelo fato de que o Coldplay não é mais uma banda de rock e o público que estava no Morumbi nestes dias todos também não é formado por roqueiros, mas sim por gente que curte sertanejo, Sandy e Junior e o pop genérico que impera hoje em dia nos tocadores de música e no TikTok. A felicidade geral proporcionada pela presença de Sandy comprova isso, mas não apenas.

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Xororó, pai da cantora, também esteve no estádio no sábado e foi visto pelos fãs antes de a participação da moça acontecer. Muita gente postou nas redes a foto do cantor e já especulava “será que vem Evidências por aí?”. Não contentes com a mera possibilidade de o Coldplay tocar o hit sertanejo meloso gravado por Chitãozinho e Xororó, as pessoas começaram a cantar (!!!) a música em frente ao palco. Tem vídeo desse horror nas redes sociais! Quer dizer, não existe a menor condição de nada com essa gente. Impossível pensar um tipo de fã pior do que este que foi a essas seis apresentações da banda inglesa em São Paulo.

PULSEIRAS

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E pior do que isso tudo é que os supostos admiradores do Coldplay aqui na capital paulista simplesmente bateram o recorde sul-americano de roubo de pulseiras de led usadas no show. Uma vergonha total. Levar embora o aparelhinho é o mesmo que ir ao cinema ver um filme em 3D e não devolver os óculos especiais. Fora que é não entender absolutamente nada da mensagem que Chris Martin e seus amigos querem passar.

A banda pede expressamente que as pulseiras — usadas para iluminar todo o estádio durante várias músicas — sejam devolvidas no fim do show para que possam ser reutilizadas em outras apresentações ou recicladas. É uma questão ambiental também, coisa com que o grupo se preocupa bastante. Só que as pessoas não estão nem aí para isso e colocam nas redes sociais mensagens como “quem me conhece sabe que eu nunca devolveria a pulseira do show”. Quer dizer, a pessoa simplesmente não está nem aí com a mensagem do Coldplay, não liga nem um pouco para o meio ambiente e prova que só estava lá para posar de bonitão/bonitona nas redes sociais.

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A própria banda divulgou um ranking de devoluções de pulseiras, e a cidade de São Paulo ocupa a pior posição na América do Sul. Nossos vizinhos argentinos, de Buenos Aires, devolveram 94% do acessório. Em Santiago (Chile), o número é de 86%. São Paulo só tinha 79% de devoluções.

Como sempre, o fã é uma das piores coisas que existem no entretenimento mundial. Seja ele admirador de música, de série, de quadrinhos, de games. E, no caso do Coldplay, a coisa é pior porque o sujeito nem fã de verdade é. Só quer parecer com um. Diante de tudo isso — roubo de pulseiras e cantar Evidências em frente ao palco —, a participação de Sandy é o menor dos problemas.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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