Odair Braz Jr Há 50 anos, Elvis foi até Nixon pedir para ser agente secreto

Há 50 anos, Elvis foi até Nixon pedir para ser agente secreto

O rei do rock viajou de Los Angeles para Washington para encontrar Nixon, mas o presidente americano não sabia de nada

  • Odair Braz Jr | Do R7

Nixon e Elvis posam para fotos na Sala Oval, dentro da Casa Branca

Nixon e Elvis posam para fotos na Sala Oval, dentro da Casa Branca

OLIVER ATKINS, 1970_RICHARD NIXON PRESIDENTIAL LIBRARY AND MUSEUM

No dia 21 de dezembro de 1970, Elvis Presley praticamente invadiu a Casa Branca para ter um encontro com o então presidente Richard Nixon. As fotos desse momento histórico ficaram bem famosas — você certamente já as viu por aí — e mostram o presidente dos Estados Unidos numa conversa quase descontraída com o Rei do Rock.

Elvis foi até o presidente dos Estados Unidos com a intenção de se tornar um agente secreto do governo. Ele queria um distintivo do FBI para ajudar o país no combate às drogas. Ele conseguiu o que queria e se tornou um “agente federal honorário” e sempre desejou que isso nunca se tornasse público. Afinal, ficaria difícil ser um agente secreto se todo mundo soubesse, né?

Como se já não bastasse essa ideia meio maluca do Rei do Rock, a história toda de encontrar Nixon é uma aventura em si. Tanto é que, em 2016, virou o filme Elvis e Nixon, que mostra um pouco dos acontecimentos, mas de uma maneira mais romantizada um pouco, preenchendo lacunas com roteiro que dá uma fantasiada em cima dos fatos.

Essa aventura de Elvis começou no domingo, dia 20 de dezembro, quando o cantor chega a Los Angeles, às duas da manhã, num voo vindo de Dallas, no Texas. Elvis estava em Memphis, cidade onde vivia, e decidiu, sozinho, ir para Washington, capital dos EUA, mas acabou não conseguindo. É que um comissário de voo não permitiu que ele embarcasse carregando sua arma de fogo, embora o cantor tivesse um distintivo de polícia que lhe deram em uma cidade. Assim, ele voltou para Los Angeles e se encontrou com Jerry Schilling, seu amigo e que havia sido seu segurança durante muitos anos. Naquele momento, Schilling estava trabalhando na Paramount, como produtor e não mais diretamente com Presley.

Como você viu no parágrafo acima, Elvis já tinha um distintivo policial. Um, não. Vários. Mas eram quase todos oficiosos e locais. O cantor queria um título federal dado a ele pelo governo dos Estados Unidos. Queria algo com a força presidencial e que lhe desse algum poder para lutar contra as drogas e o que chamava de contracultura.

NIXON NÃO SABIA DE NADA

Kevin Spacey como Nixon e Michael Shannon como Elvis no filme Elvis e Nixon

Kevin Spacey como Nixon e Michael Shannon como Elvis no filme Elvis e Nixon

Divulgação

Naquele mesmo domingo, Elvis decidiu que iria de novo para Washington e chamou Schilling para ir junto. Apesar de ter um emprego fixo e temer ser mandado embora, Jerry foi após a insistência do cantor, que prometeu fretar um jatinho para levá-lo de volta a Los Angeles para que pudesse trabalhar.

Antes de subirem no avião de carreira, Schilling, que além de segurança também foi uma espécie de secretário de Elvis, percebeu que nem ele e nem o rei do rock tinham dinheiro vivo em suas carteiras. Apenas o cartão de crédito de Elvis. Era domingo à noite e eles não tinham como tirar dinheiro no banco. Estamos falando de 1970, amigos. Conseguiram trocar um cheque num hotel em Los Angeles e assim conseguiram US$ 500. Embarcaram à noite em direção à capital Washington para encontrar Nixon. Detalhe: Elvis não havia agendado o encontro com o presidente americano. Aliás, Nixon e ninguém da sua equipe sabiam que o rei do rock estava a caminho para vê-lo.

Durante o voo, Elvis escreveu a mão uma carta para Nixon explicando o que desejava. O texto mostrava o quanto o cantor amava os Estados Unidos e como tudo o que queria era ajudar seu país no combate às drogas. Era uma proposta um tanto quanto estranha para alguém como Elvis, que surgiu nos anos 50 sendo considerado uma ameaça aos bons costumes por parte da mídia e por vários políticos. Mas Presley também já não era mais o mesmo no início dos anos 50 e tinha uma certa obsessão por segurança e armas, especialmente depois de sofrer uma ameaça de morte vinda de um anônimo.

Quando Jerry e Elvis chegaram a Washington, seguiram diretamente para a Casa Branca para entregar a tal carta ao presidente americano. Claro que a equipe de segurança não só não permitiu a entrada do cantor como ficou em estado de alerta total. Afinal, não sabiam do que se tratava. Schilling conversou com os seguranças, explicou que se tratava de Elvis Presley e o que ele estava tentando fazer. Saíram de lá com a promessa de que o staff da Casa Branca conversaria com Nixon para saber da possibilidade do encontro.

O fato é que horas mais tarde, Nixon abriu espaço em sua agenda e permitiu a reunião com Presley. A conversa aconteceu na famosa Sala Oval, com Elvis explicando por que desejava o distintivo do FBI. Fora isso, conversaram sobre amenidades, família etc. Nas fotos é possível ver que Elvis mostra uma foto de Lisa Marie, sua filha, que tinha apenas dois anos na época. Nixon, além de dar o distintivo honorário a Presley, também o presenteia com belas abotoaduras.

Esse encontro entre Elvis e Nixon é algo que entrou para a história da cultura pop. Foi algo totalmente inusitado, com o rei do rock vestido daquela maneira exuberante e exagerada, com golas altas, botas, camisa bufante e também pelo motivo totalmente fora do comum. Tanto é que virou filme e as fotos sempre aparecem pela internet, afinal não é algo que a gente vê todos os dias.

Apesar de ter conseguido seu distintivo federal, não há notícias de que Elvis tenha feito alguma ação prática contra as drogas ou contra o que considerava crime. Aparentemente, ele estava apenas atrás de sua identificação como agente do FBI, coisa pela qual ele tinha obsessão.

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