Odair Braz Jr Infelizmente o Brasil tem Neymar e não Lewis Hamilton

Infelizmente o Brasil tem Neymar e não Lewis Hamilton

Piloto inglês está no Brasil para o GP de São Paulo e mostra que tem uma postura completamente diferente da maioria dos ídolos brasileiros

Lewis Hamilton em evento na manhã desta quarta (13), em São Paulo

Lewis Hamilton em evento na manhã desta quarta (13), em São Paulo

Estadão Conteúdo/Marcelo Chello

É triste quando a gente olha para o principal esporte do Brasil, o futebol, e percebe que não tem ninguém capaz de dizer coisas úteis para seus fãs e seguidores ou agir de maneira que inspire positivamente as pessoas. Os principais jogadores do país não falam nada a respeito de nada, não se comprometem com causa nenhuma, parecem que vivem num outro planeta. O que é triste, afinal são ídolos de milhões de pessoas, entre elas milhões de jovens e crianças.

Bem, não é o caso de um outro ídolo, Lewis Hamilton, o hexacampeão mundial da Fórmula 1. Em entrevista coletiva nesta quarta (13) na capital paulista, onde está para o GP de São Paulo, que acontece no próximo domingo (16), o piloto mostra como seria bom se Neymar, maior jogador brasileiro na atualidade, fosse um pouquinho só mais parecido com o inglês, de quem diz ser amigo.

Neymar, como todo mundo está cansado de saber, se preocupa muito com suas festas, seus parceiros, seus carrões, em badalar, mas fecha os olhos para o que acontece no Brasil. A impressão que dá é que não está nem aí para nada. Agora, por exemplo, veja o que Hamilton disse sobre a construção de um novo autódromo no Brasil, algo especulado recentemente: “Temos um circuito histórico [Interlagos], então não precisamos cortar mais árvores. Esse dinheiro pode ser investido em outras coisas, já que temos muita pobreza no Brasil. Se for derrubar uma árvore, sou contra [a construção]. Vocês têm uma floresta fantástica que é importante para o controle climático. Adoro o Rio de Janeiro, mas não quero correr numa pista que arruinou uma área natural”. Agora diga, você já viu alguma vez Neymar ou qualquer outro jogador falar algo assim a respeito de qualquer coisa? Raro, para não dizer que não existe.

E veja só: isso não quer dizer que Hamilton não seja tão exibido e ostentador quanto Neymar. É, sim. Posa nas redes sociais com seus carrões e motos, sempre usa roupas de grifes famosas, vai a altas festas e usa relógios caríssimos. Mas Hamilton sabe que tem um papel social, que é capaz de influenciar pessoas, que muita gente se espelha no que ele faz e que pode usar isso tudo para o bem. Então, o piloto sabe como tem de se portar. O mesmo não acontece com os nossos ídolos futebolísticos.

E essa postura de Hamilton não é de hoje. Ele, por exemplo, entre outras ações, montou uma empresa de fast food vegano, incentiva as pessoas (especialmente negros) a se sentirem bem como são e é uma das principais vozes para tornar a Fórmula 1 mais limpa e sustentável, tudo com a intenção de fazer com que a categoria esportiva prejudique menos o meio-ambiente.

Além de Hamilton, há outros esportistas pelo mundo — seja na NBA, no próprio futebol (não brasileiro, claro) e em outras modalidades — que falam e agem de acordo com o que são e realizam feitos proporcionais à sua grandeza no esporte. Já no Brail a gente conta nos dedos de uma das mãos algum atleta famoso que vá pelo mesmo caminho.

Uma pena.