Odair Braz Jr Universo Marvel fica defeituoso com exclusão do Homem-Aranha

Universo Marvel fica defeituoso com exclusão do Homem-Aranha

Disney e Sony se desentendem e o Aracnídeo não deverá mais atuar nos filmes da Marvel Studios, ficando isolado novamente

O Aranha está novamente longe de casa

O Aranha está novamente longe de casa

Divulgação

Você gostou do filme Homem-Aranha: Longe de Casa, que estreou no cinema há alguns meses? Legal, né? Na história vemos a importância do Aracnídeo nessa fase pós-Vingadores Ultimato. O roteiro mostra Peter Parker (Tom Holland) como o uma espécie de herdeiro de Tony Stark, que morreu (isso não é mais spoiler, desculpe) no longa em que os heróis têm sua batalha final contra o vilão Thanos. Peter recebe os óculos especiais de Tony e que lhe dão acesso a todo a tecnologia sensacional criada pelo cientista. Parker assume de fato o manto do Homem de Ferro. Assistindo a Longe de Casa, o espectador tem a real noção de que o Homem-Aranha é quem deve comandar o universo da Marvel no cinema. Nada mais natural, uma vez que o Aracnídeo é a grande estrela da editora nos quadrinhos, seu super-herói mais popular, o mais lembrado. Praticamente o Mickey da Marvel.

Muito que bem, pena que tudo isso, provavelmente, terá de ser desconsiderado. Marvel Studios (ou seja, a Disney) e a Sony se desentenderam sobre os rumos do Homem-Aranha nas telas. A Disney não quer mais que Kevin Feige, produtor da Marvel Studios, trabalhe com o Homem-Aranha.

Explicando: a Sony detém os direitos do personagem no cinema. Comprou esses direitos lá atrás, nos anos 90, e vem fazendo filmes desde 2002. Depois dos três longas iniciais dirigidos por Sam Raimi e protagonizados por Tobey Maguire, a Sony meio que perdeu o rumo a tomar com o herói e reformulou tudo. Tirou Raimi e Maguire e colocou Andrew Garfield como Parker/Aranha e Marc Webb como diretor dos dois filmes que saíram em 2012 e 2014. Não deu certo, o que fez com que a Sony entrasse em acordo com a Marvel Studios. Isso permitiu que a Marvel produzisse o próximo longa do herói, agora com novo ator (Tom Holland) e com uma diferença fundamental: o Homem-Aranha foi inserido dentro do universo cinematográfico da Marvel. Antes, pelo fato de os direitos serem da Sony, ele estava fora desse mundo. Em outras palavras, o Aranha estava isolado em seu mundo, não havia a presença de outros super-heróis. Com o acordo Disney/Sony, isso mudou e vimos Peter Parker junto com os Vingadores e todos os outros personagens a partir de Capitão América: Guerra Civil (2016), que marcou sua primeira aparição nesse universo.

Peter e Tony Stark no universo Marvel

Peter e Tony Stark no universo Marvel

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Isso fez os fãs vibrarem como nunca, afinal era um verdadeiro sonho ver praticamente todos os personagens da Marvel atuando juntos — faltavam ainda X-Men e Quarteto Fantástico, que pertenciam à Fox e agora são também da Disney. E tudo ia realmente bem com o Homem de Ferro meio que pegando Peter para criar, lhe dando treinamento, uniforme e uma estrutura. O herói teve ainda participações muito boas nos dois Guerra Infinita e virou mesmo o herdeiro de Tony. Em Ultimato isso já havia ficado subentendido e tudo se confirmou com Longe de Casa, como já explicado acima. Disney e Sony prepararam o terreno para que o Aracnídeo assumisse o centro do universo Marvel no cinema.

Mas veio o desentendimento e a pergunta que se faz é “e agora?”. Kevin Feige não atuará mais nos longas do Aracnídeo. Assim, o herói não terá mais conexão com os demais heróis e tudo leva a crer que voltará a ficar isolado. Já se falou nesses últimos dias até na saída de Tom Holland do papel. Perdem os fãs, a Marvel, o Homem-Aranha e a Sony nessa brincadeira. O universo da editora no cinema voltará a ficar manco, torto e com um enorme buraco, uma vez que o herói havia se transformado numa das grandes estrelas desse mundo e se preparava para assumir uma posição central pós Ultimato.

A Sony tem uma série de novos filmes ligados ao Homem-Aranha para os próximos anos. Venom, por exemplo, ganhou seu filme em 2018, feito sem a ajuda da Marvel Studios. É um longa fraco, embora tenha conseguido ir bem nas bilheterias. Vem aí ainda Morbius e mais um longa do Venom, mas essa “retomada” da Sony para cima do herói não quer dizer nada. Não dá para apostar que de agora em diante o estúdio já sabe o que fazer. Até porque, um dos grandes problemas do Aranha na fase pré-Universo Marvel era justamente seu isolamento. Estar sozinho no mundo impede que haja novas possibilidades, impede uma expansão e faz com que ele fique eternamente girando em círculos. É inevitável, o Homem-Aranha é um personagem especial, mas faz parte de um todo. Tirá-lo desse todo vai torná-lo excluído e, uma vez mais, completamente sozinho. Ruim para todo mundo.