Quarentena: espetáculo é encenado no estacionamento do teatro

Durante a pandemia, Darson Ribeiro foi obrigado a repensar seus planos para manter ativo o espaço recém inaugurado em São Paulo

Cena de 'Amor no Drive-In - Por Favor, Não Me Covid'

Cena de 'Amor no Drive-In - Por Favor, Não Me Covid'

Divulgação/Darson Ribeiro

Quando a pandemia do novo coronavírus se instalou no Brasil (e, em especial, em São Paulo), Darson Ribeiro, criador e gestor do Teatro-D, foi obrigado a repensar seus planos para manter ativo o espaço recém inaugurado.

Assim, criou um espetáculo para ser encenado no estacionamento do teatro, que fica no hipermercado Extra do Itaim. E, para que não corra risco de contágio, o público assiste de dentro de seus carros.

Chamado de "happening" pelo seu autor, Amor no Drive-In - Por Favor, Não Me Covid é ambientado em um país fictício, logo depois da pandemia. Maria Clorokyna (interpretada por Vanessa Goulartt) é uma atriz recém-formada que não teve a chance de pisar em um palco, pois todos ficaram fechados durante vários meses. Assim, quando começa a perambular entre os veículos estacionados, ela surge, ao som do tema do filme ...E o Vento Levou, usando máscara.

"Ai, meu Deus, e agora? O que é que eu vou fazer pra disfarçar que eu tava numa festa clandestina?", diz ela, ao entrar, dando o tom de paródia do espetáculo, que se reforça com a chegada de Fakenewsson da Silva (Ken Kadow), ator que quase a atropela em pleno estacionamento. É o início de um embate em que a aspirante a atriz se envolve em um questionamento sobre o que é certo e errado.

"A peça é literalmente um deboche a tudo que estamos vendo, ouvindo e, obrigatoriamente ou não, vivendo, cujo objetivo maior é justamente sacudir as estruturas que, infelizmente, por uma pandemia, se veem superadas. O espectador deixa de ser simplesmente observador e passa a ser celebrante, juntamente com o idealizador, elenco, e equipe técnica", explica o diretor, que teve a ideia do espetáculo no final de março, quando o governador João Dória anunciou o fechamento das salas de teatro e cinema.

Pela situação crítica, Ribeiro logo descobriu qual seria a linguagem ideal. "O happening floresceu no final dos anos 1950 na Europa e EUA e caracterizou-se principalmente por alguns movimentos de contestação radical a alguns outros gêneros, como o Dadaísmo e o Surrealismo, unindo a uma linguagem que envolve, quase obrigatoriamente, a participação ativa e física do espectador - por isso não podia ser outro gênero", afirma. E, no caso, o espectador aciona os faróis de seu carro, além de buzinar, acionar o limpador de para-brisas, pisca-alerta e também a luz do celular.

O ingresso (R$ 120 por carro com até quatro pessoas) é vendido em bileto.sympla.com.br/ event/65949.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.