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A volta do emo: estilo vive nova fase diante de nostalgia e nomes que carregam inspiração na estética

Gênero que foi febre em meados dos anos 2000 vive momento saudosista e é renovado, com novos artistas no cenário

Música|Giovanna Borielo, do R7

Fresno segue como principal nome do emo no Brasil
Fresno segue como principal nome do emo no Brasil Fresno segue como principal nome do emo no Brasil

As clássicas franjas diagonais sobre os olhos, roupas de cores mais sóbrias, calças skinny, sempre acompanhadas de guitarras melódicas e músicas sentimentais — esse era o arquétipo dos emos no auge do estilo, que dominou o Brasil no fim dos anos 2000 e começo dos anos 2010. "É só uma fase", escutavam os adeptos.

Porém, mais de uma década depois do frenesi, ainda é possível encontrar inúmeros seguidores do gênero. A roupagem mudou, as letras se tornaram mais maduras e, apesar de uma queda nas influências, os últimos anos mostraram que o emo vem ressurgindo aos poucos e até mesmo trazendo novos fãs.

Hoje, é possível ver festas temáticas, blocos de rua e um crescente surgimento de páginas no Instagram que retratam o estilo, lembram os clássicos e comentam os lançamentos.

Para Guilherme Tintel, produtor da festa EmoParade, a nostalgia dita o tom nesse cenário. Os lançamentos, somados ao saudosismo do som que marcou a adolescência de uma geração, fizeram, então, com que o estilo voltasse à tona.

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Em entrevista ao R7, o vocalista da Fresno, Lucas Silveira, justifica a volta do estilo (assista ao bate-papo na íntegra com o músico no fim da matéria). "A Fresno teve um crescimento de fãs durante a pandemia, e são pessoas que não pegaram o momento em que começamos a aparecer, lá em 2006. Isso acontece quando grandes nomes atuais, como MachineGun Kelly, por exemplo, trazem à tona essa sonoridade, e a galera também vai atrás de outras coisas. Então, dentro de um público de Machine Gun Kelly ou de fases mais recentes de Fall Out Boy, Panic! At the Disco ou Paramore, tem pessoas que não viram a primeira estourada do emo. Muitas vezes, as pessoas ouvem esses caras e nem acham que é [emo] ou que tem a ver, porque já é outra época."

No entanto, essa volta não necessariamente seria do emo como a sociedade o conheceu. Tanto Tintel quanto Silveira concordam que, hoje, o estilo é abraçado não apenas pelo rock, mas por artistas de outros gêneros que levam a sonoridade e a composição como inspirações.

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"Não dá para ouvir uma Billie Eilish e não sentir a melancolia intrínseca do emo ali. O mesmo serve para a estética do Yungblud, ou brasileiros como Day [Limns], NumberTeddie, Bullet Bane, Uelo e Tinn", afirma Tintel.

Alaíde é adepta do estilo desde os 8 anos
Alaíde é adepta do estilo desde os 8 anos Alaíde é adepta do estilo desde os 8 anos

Para a assistente de marketing Alaíde Colafati, 25, adepta do estilo desde os 8 anos, o emo tem espaço para um novo crescimento a partir da reunião de grandes nomes, como o My Chemical Romance, no cenário internacional, e, nacionalmente, o NX Zero, que está em cartaz com a turnê Cedo ou Tarde e lançou nesta quarta-feira (12) a inédita Você Vai Lembrar de Mim.

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Quanto ao espaço do emo nas paradas de sucesso, Silveira é categórico. "Não dá para falar que o negócio não está no mainstream quando o NX Zero lota dois estádios inteiros para fazer shows. Se você procurar uma música deles, ou da Fresno no Top 200, você não vai encontrar, porque essa não é a única métrica do que está no mainstream ou o que está bombando. Tem muitas coisas que acontecem fora dos charts."

"Eu acredito que o emo e o rock, como um todo, estão em um momento muito forte, porque, mesmo não estando nessas paradas de sucesso, é um dos estilos que mais vendem ingresso", continua.

Tintel alega que uma das maiores características da ligação do emo com o público é a sensação de "despertencimento" e incompreensão, que nunca deixará de acompanhar essa fase da adolescência, em que "estamos entendendo o nosso lugar na sociedade e questionando tudo o que sentimos e vemos pela frente".

Foi a partir dessa fase e dessa sensação que a estudante de produção de shows e eventos Gabriela Cavalheiro, 29, se tornou fã do gênero.

Gabriela Cavalheiro em 2008, no auge do emo, e hoje em dia
Gabriela Cavalheiro em 2008, no auge do emo, e hoje em dia Gabriela Cavalheiro em 2008, no auge do emo, e hoje em dia

"Ao longo da vida, a música se tornou uma válvula de escape, e foi aí que entrou o emo. O estilo surgiu na minha adolescência, e minhas amigas da escola não curtiam o mesmo estilo de música que eu. Nessa época, foi também o auge do Orkut, e, ali, conheci pessoas e fiz amizades com gente que gostava das mesmas coisas. Foi aí que passei a me sentir incluída. Muitas coisas que eu antes fazia sozinha em casa, como assistir a clipes e entrevistas, eu passei a fazer com as amizades que também gostavam", relata.

Tanto para Gabriela quanto para Alaíde, o cenário emo ainda se faz presente. A estudante de produção de shows e eventos se sentiu motivada a buscar essa carreira dada a influência do estilo. Já para a assistente de marketing, o gosto musical e a moda abarcada no gênero fazem parte do dia a dia, assim como o da roda de amigos dela.

Para esse novo respiro do emo, Lucas Silveira acredita que não apenas no subgênero, mas no rock como um todo é necessário o surgimento de novas bandas.

"Quando uma cena é movida por bandas 'velhas', não costuma dar certo, porque a coisa fica congelada. Então é muito importante que surjam artistas novos e que esses artistas fiquem gigantescos, de um modo que o cenário todo se beneficie."

Ele comenta ainda que, hoje, o cenário tem maior presença feminina quando comparado ao de antigamente, mas que ainda é necessário que mais mulheres estejam em cena.

"Hoje em dia não tem muito mais regras. Tem muitas bandas surgindo, bandas que têm a ver ou que curtem, mas não necessariamente são bandas emo. Quando vão surgindo esses nomes diferentes, que não são o padrãozinho da banda de rock brasileira, vão aumentando as chances também de uma coisa mais diversa", comenta o vocalista da Fresno.

Tintel diz que, para que haja uma volta definitiva, é importante que o emo não se limite apenas ao rock e dê abertura a outros estilos e se reinvente, visto que os sentimentos retratados sempre terão espaço para abordagem.

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"O que impediu o rock emo de se manter no topo anos atrás foi um preciosismo para definir o que era ou não rock o suficiente, másculo o suficiente, pauleira o suficiente. E esse discurso culturalmente conservador era cheio de vícios, não acompanhou o crescimento e amadurecimento do público que estava consumindo e impediu que outras pessoas se sentissem confortáveis [em consumir]. Para a realidade atual, é muito mais comum ver homens jovens falando sobre seus sentimentos, sobre chorar por amor. Hoje em dia a gente lida com uma sociedade muito mais aberta e maisbem resolvida sobre muitos pontos que, outrora, fizeram com que o movimento emo fosse alvo de discursos de ódio", finaliza o produtor da Emo Parade.

Assista à entrevista com Lucas Silveira, vocalista da Fresno, na íntegra

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