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‘Jogos Mortais X’ abraça fórmula Marvel e traz promissora história de origem do vilão Jigsaw

Filme estreou nos cinemas brasileiros na última quinta-feira (28)

Cine R7|Bruno Araujo, do R7

O vilão Jigsaw, ou John Kramer, retorna em 'Jogos Mortais X'
O vilão Jigsaw, ou John Kramer, retorna em 'Jogos Mortais X' O vilão Jigsaw, ou John Kramer, retorna em 'Jogos Mortais X'

Jigsaw, o personagem principal dos filmes de terror Jogos Mortais, é aquele tipo de vilão que, apesar das ideias sádicas, você olha e pensa (com cuidado para não virar cúmplice): “pô… de coração, sem maldade mesmo, não sei se ele tá de todo errado não”. E essa impressão é maximizada em Jogos Mortais X, que acaba de chegar aos cinemas.

Você piscou e esse é o décimo filme – e a terceira tentativa – de resgatar a marca que, em sua sequência original de sete longas, chegou a arrecadar mais de US$ 410 milhões nas bilheterias, segundo o Box Office Mojo. Mas parece que agora vai – de novo.

Isso porque, apesar de não espumar originalidade, Jogos Mortais X é um dos filmes mais redondos e divertidos da saga sangrenta de armadilhas humanas desenvolvidas por Jigsaw. A franquia incorpora o que ficou conhecido como a fórmula Marvel e, como em um filme de super-heróis, conta uma história de origem do “vilão”, que aqui surge (muito) menos como um serial killer e (muito) mais como alguém que busca justiça. Um vingador que só faltou bradar “Avante”.

Para isso, a trama volta no tempo e mostra um acontecimento inédito ao público, entre o primeiro e o segundo filmes. John Kramer, nome verdadeiro de Jigsaw, tem um câncer terminal no cérebro e é atraído ao México para participar de um procedimento médico experimental que promete curá-lo.

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A operação milagrosa, no entanto, é um grande golpe do zap, o que desperta o senso de justiça radical do engenheiro aposentado e possibilita o cenário perfeito para que os jogos comecem novamente. E desta vez, contra um bando de golpistas que brinca com a esperança dos doentes.

Esse tabuleiro, com Kramer posicionado de maneira clara como vítima dos peões que terão sua vontade de viver testada, é a principal sacada de Jogos Mortais X – e, de certa forma, de Homem de Ferro, Pantera Negra e “Insira aqui o filme do seu personagem favorito da Marvel”.

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Porque se tem uma coisa que a editora de quadrinhos transformada em mastodonte do cinema provou nas últimas décadas é que, investir na condição humana, mesmo em se tratando de super-heróis, é uma bet certeira para estabelecer a tão desejada conexão com o público.

O John Kramer de Jogos Mortais X está morrendo e foi passado para trás por quem havia prometido salvá-lo. A vingança não é justa? Peter Parker foi atrás do assassino do Tio Ben e fez justiça com as próprias mãos…

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Kramer ajuda a consertar a bicicleta quebrada de um garotinho mexicano – que acabará participando de um desfecho toscamente cômico mais para frente – e evita que sua pupila Amanda, que também retorna dos filmes anteriores, titubeie diante da importância do “trabalho” da dupla. É você, Capitão América? É você, Soldado Invernal?

Jogos Mortais X até leva uns bons 40 minutos para começar a matança desenfreada, reflexo da sua intenção de explorar outros horizontes da mente do seu principal personagem. Em dado momento, Jigsaw testemunha um furto e uma armadilha letal imediatamente surge na tela como tribunal do júri do criminoso. Só que não. Kramer sonhava acordado. É assim que a mente do homem opera.

Mas daí em diante, é claro, segue-se a sequência de membros decepados, órgãos expostos e jarras de sangue que os fãs gostam e pedem por mais. Nada genial, mas nada comprometedor, o que, diante da terceira tentativa de conseguir firmar o renascimento da franquia, é uma goleada.

Fato é que Jogos Mortais X abraça uma fórmula que, se por um lado já é batida em muitos gêneros de filmes, por outro ainda é fatalmente bem-sucedida. É a tal da "jornada do herói", que propõe ao protagonista uma aventura, apresenta desafios e provações, e leva a história por diversas situações e emoções até a sua conclusão.

Com isso, o longa preenche lacunas de desenvolvimento de personagem que costumam ficar abertas nesta e em outras franquias mais sanguinolentas, atendendo uma linguagem que se tornou familiar ao público sem comprometer aquilo que "Jogos Mortais" faz melhor: desafios morais que testam nossa índole e têm resultados brutais.

E olha só, a adesão ao modelo Marvel é tão fiel que inclui ainda piadas semi-cringe do nível de Guardiões da Galáxia Vol. 3 e uma surpreendente cena pós-créditos. Que siga assim e, em breve, também vejamos um certeiro “os Jogos Mortais irão voltar”.

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