Melhor Não Ler Lugar de fala e ciência não são mais o novo 'cale a boca'

Lugar de fala e ciência não são mais o novo 'cale a boca'

Tudo mudou: para encerrar discussões não basta mais dizer que o outro não tem “lugar de fala” ou que está contra a ciência

Lugar de fala e ciência não são mais o novo “cale a boca”

Lugar de fala e ciência não são mais o novo “cale a boca”

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Sabe quando tudo vai tão bem que nem parece verdade? Pois é, aconteceu isso com duas formas ótimas de encerrar discussões quando a pessoa não sabia argumentar de forma inteligente ou não tinha noção de como defender ideias de jerico ou conceitos absurdos.

Como as pessoas são fofas, tolerantes e respeitam a pluralidade, não era nada aconselhável usar o bom e velho “cale a boca”. A salvação para os que têm preguiça de pensar era apenas dizer ao outro que ele “não tem lugar de fala” ou que, ao contrário dele, que é um negacionista, você “acredita na ciência”.

Bom, o lugar de fala durou pouco; afinal de contas, quem em sã consciência pode achar que para falar sobre algo é necessário ter “vivido” o assunto ou, ainda, “ser” o próprio assunto? Se assim fosse, não teríamos mais professores de história; afinal de contas, eles não estiveram em épocas passadas; não teríamos mais oncologistas que nunca tiveram câncer nem criadores de medicamentos que nunca os tomaram. Sem mencionar que, para falar sobre uma loira era necessário que as morenas tingissem o cabelo e vice-versa. E quem é que tem tempo e dinheiro para ir tanto assim ao salão de beleza?

Na mesma toada, o “eu acredito na ciência” também já foi para o brejo. Até porque não é possível que uma pessoa fale em ciência quando acredita que todo aquele que se autodeclara negro é, de fato, negro; que há mais de 70 gêneros a serem escolhidos ao bel-prazer de cada um; que uma criança de 4 anos de idade está apta a escolher o próprio gênero; que homens podem menstruar e até mesmo engravidar.

E agora que todo mundo pode falar e que essa ciência picareta não serve mais de base para calar a boca dos outros só resta às pessoas fazerem o que estão evitando há anos: raciocinar.

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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