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"Arrancaram meu cabelo", diz Nuno Bettencourt, do Extreme, sobre show em SP; banda toca aqui na sexta

Grupo norte-americano de hard rock apresenta no festival músicas novas do disco que será lançado em poucos dias

Odair Braz Jr|Do R7

Extreme está de volta ao Brasil para tocar no Best of Blues and Rock
Extreme está de volta ao Brasil para tocar no Best of Blues and Rock Extreme está de volta ao Brasil para tocar no Best of Blues and Rock

Os fãs brasileiros podem se considerar muito sortudos, porque o Extreme, uma das bandas mais queridas do hard rock americano, desembarca por aqui pela primeira vez desde 2015 e traz na bagagem um disco novinho, que será lançado no dia 9 de junho. O grupo, liderado pelo vocalista Gary Cherone e pelo guitarrista Nuno Bettencourt, toca, nesta sexta-feira (2), no festival The Best of Blues and Rock, que reúne artistas como Tom Morello, Goo Goo Dolls, Ira!, Buddy Guy, Steve Vai, Dead Fish e mais.

Em conversa com este colunista, Gary e Nuno deram alguns detalhes de Six, primeiro álbum do grupo em 15 anos, que terá várias de suas músicas — há quatro já lançadas — tocadas em São Paulo, no Parque Ibirapuera. Claro que também estarão lá clássicos do Extreme dos anos 1990, como Hole Hearted, Get the Funk Out, More Than Words etc.

E Gary e Nuno (sim, é aquele guitarrista que fala português) falaram sobre voltar a tocar no Brasil depois de tanto tempo, relembraram a loucura beatlemaníaca que viveram aqui, em 1992, em sua primeira visita, e, claro, citaram a paixão dos fãs. Acompanhe:

Vocês vieram ao brasil pela primeira vez em 1992, voltaram novamente em 2015 e agora retornam após muitos anos para um festival de blues e rock. E voltam quando estão para lançar o primeiro disco em 15 anos. Gostaria que você falasse um pouco sobre este momento.

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Nuno – Bem, infelizmente a gente não foi muitas vezes ao Brasil ou à América do Sul, e é ótimo poder mudar isso. Afinal, o público é um dos melhores do mundo, e sempre nos divertimos muito. É um pouco decepcionante o fato de a gente não ter ido muito para aí. Mas vamos mudar isso com as músicas novas e esperamos voltar mais vezes e ter contato com os fãs, porque isso é o que a gente ama fazer.

E o disco novo?

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Sobre o novo álbum, estamos muito empolgados, claro. Na verdade, são uns 12 ou 13 anos [que demoramos para fazer], porque a gente não conta os dois anos da pandemia. E a gente só lança música quando a amamos muito e quando sabemos que os fãs também vão adorar. E às vezes leva tempo, às vezes é rápido [o processo de criação de música], mas aqui estamos nós. Quem se importa com o que a gente não fez?! Estamos indo aí, estamos empolgados em estar neste festival e mal podemos esperar.

Gary – A gente está empolgado com as novas músicas. Elas vão colocar uma energia nova no show. Vamos tocar algumas músicas pela primeira vez no festival e estamos ansiosos.

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O guitarrista Nuno Bettencourt fala com o R7
O guitarrista Nuno Bettencourt fala com o R7 O guitarrista Nuno Bettencourt fala com o R7

Então vocês vão tocar as músicas novas aqui no Brasil?

Gary – Sim, junto das antigas. Mas é com isso que estamos empolgados, de poder tocar pela primeira vez o material novo. E estamos empolgados porque os vídeos [das novas canções] estão tendo uma ótima resposta. E queremos que o público conheça o material novo junto com as coisas mais antigas.

Falem um pouco do novo disco: como ele é? Tem muitos momentos pesados, momentos acústicos...

Nuno – Bom, é Extreme, né?! Em cada álbum nosso, às vezes a gente muda algumas coisas, tanto em termos de letras como conceituais, mas é basicamente Extreme. Então é um mix de coisas acústicas, piano e sons que as pessoas não esperam. Acho que fizemos um pouco disso em cada um dos nossos álbuns, mas a gente não faz isso de propósito. O que acontece é que as melhores canções vencem e são as que vão parar no disco. E não dá para fazer 12 músicas do Extreme sem ficar surpreso com o que aparece.

Assista ao clipe de Rise, uma das novas músicas do novo disco:

A primeira vez em que o Extreme esteve no Brasil foi em 1992, no festival Hollywood Rock. O que você se lembra dessa época? O que acharam dos fãs brasileiros?

Nuno – Foi muito empolgante, mas também muito chocante, eu acho.

Por quê?

Nuno – Por quê? Porque a gente aterrissou no aeroporto e me lembro que os promotores do show chegaram no nosso gerente de turnê e disseram "Ei, tem uma equipe de TV aí fora e eles querem filmar cada um de vocês saindo separadamente". Queriam mostrar a gente descendo com as malas e tal...

Gary – Isso. É...

Nuno – Lembra disso?

Gary – Sim, lembro!

Nuno – E eu saí primeiro. Ando um pouco sozinho, vejo a câmera... E aí olho para cima e tem uma parede atrás da câmera com centenas ou milhares de fãs, e assim que eles me veem começam a gritar. Aí eles pularam a parede, invadiram o estacionamento... Minha mala saiu voando! Me lembro de outros membros da banda [faz gesto de roupa sendo rasgada]. Arrancaram um pouco do meu cabelo [risos].

Gary Cherone, vocalista do Extreme
Gary Cherone, vocalista do Extreme Gary Cherone, vocalista do Extreme

Sério?

Nuno – Sim! Foi a coisa mais próxima que vivemos da beatlemania que costumávamos ver quando éramos crianças. Me lembro do segurança me puxando pela camisa, minhas malas sumiram, aí ele me agarrou pelas costas e me jogou dentro de um ônibus. E eu, dentro do ônibus falando "Que porra que está acontecendo?". E, quando a gente viu, o ônibus estava balançando. Era uma loucura! Eles [os fãs] estavam chacoalhando o ônibus e subindo no ônibus. Foi inacreditável! Foi insano! Eu me lembro que estávamos a caminho do hotel, todo mundo meio quieto e se perguntando "Que porra que tá acontecendo?".

E me lembro que, quando estávamos no hotel — lembra Gary? —, a gente ia para a varanda e todos os dias, o dia inteiro, um monte de fãs gritando todas as vezes que a gente aparecia.

E quando a gente ia sair do hotel para fazer o sound check, achamos meio louco que o segurança chegou na gente e disse "Ei, vamos sair pela porta dos fundos e um ônibus vai parar lá". E tinha um espacinho mínimo entre a porta do hotel e a do ônibus, e andamos achando que seria tranquilo, e aí apareceram uns fãs loucos de novo, agarrando e puxando a gente [risos]. Foi insano!

Gary – Eu me lembro disso! Mas nós todos crescemos amando o Queen e costumávamos assistir aos vídeos do Queen tocando na América do Sul para públicos gigantescos e, quando fomos aí para o festival, tivemos um gostinho do que foi aquilo. Aquela multidão toda foi ao show e cantou, obviamente, More Than Words. Eles tomaram conta da canção e cantaram ela inteirinha. Eu e o Nuno até tivemos um tempinho, nem precisamos cantá-la. Me lembro do público enorme do show. Acho que, na época, foi a maior plateia para a qual já tocamos.

Nuno – É, os fãs foram muito apaixonados. O show foi incrível. E, sabe, eu também sou fã de futebol e sabíamos que o país era também superapaixonado por isso e... Não sei, os fãs colocam tanta paixão e alma na música, no futebol e em tudo o que é uma celebração. E sempre ficamos empolgados de voltar aí.

E vocês não tinham toda essa loucura dos fãs nos Estados Unidos naquela época?

Nuno – Percebemos bem rapidamente que cada cultura e cada país mostram sua paixão de maneiras diferentes. O Brasil é o que a gente explicou, e na América é mais... Eles ficam empolgados, mas mostram isso indo aos shows. E fazer turnê na Europa, Espanha, Madri... A coisa é um pouco mais física, meio que como no Brasil. E aí você vai para a Holanda, e é mais calmo. E você vai para o Reino Unido, e é mais louco, na Irlanda, é mais louco. Cada país é interessante, o jeito com que as pessoas se expressam. É excitante, é bem diferente.

Gary – Sim, o entusiasmo é o mesmo [em todos os lugares], mas expressam isso de um jeito diferente. No Japão, os fãs são, provavelmente, os mais educados. Eles vão à loucura dentro do contexto da música, mas, quando a banda para de tocar, você não ouve um barulho. E a gente fica meio "Será que eles gostaram da gente?!". A cultura deles é muito educada, e eles querem ouvir tudo o que eu e o Nuno temos a dizer entre as músicas.

E, falando em Queen, vocês vão tocar alguma música deles, como costumavam fazer no passado?

Nuno – Eu queria que a gente pudesse tocar por mais tempo. Vamos tocar por um bom tempo, mas se fôssemos fechar a noite tocaríamos por pelo menos duas horas e poderíamos tocar músicas diferentes, e é por isso que a gente tem de voltar ao Brasil. Mas nunca se sabe. É difícil porque, por mais que a gente ame as músicas do Queen e ame fazer covers de vez em quando, é difícil porque agora a gente tem um disco novo. E quando você tem um disco novo, os fãs vão querer ouvir os novos singles, mas também vão querer ouvir as músicas favoritas e também vão querer ouvir um cover... E não temos tanto tempo assim. Mas a gente tenta agradar um bom número de pessoas.

Entrevistei Tom Morello, que vai tocar no festival também, e ele disse que é um grande fã seu, Nuno. Que costumava ver vocês tocarem num bar em Boston, nos anos 80. Você acha que pode rolar uma jam entre vocês aqui no Brasil?

Não tenho certeza, mas pode ter uma surpresinha por aí. Na verdade, quando o Tom ia ver a gente tocar lá atrás, ele te falou que quando mudou pra Los Angeles, pra começar a banda, ele tentou roubar meu cantor?

Não! [risos]

Nuno – Quando você encontrá-lo novamente, pergunte isso. Nós éramos amigos já há anos e estávamos comendo no Rainbow [famosa casa noturna de Los Angeles, onde várias bandas conhecidas tocaram em início de carreira] uma noite e ele veio pra mim e disse: ‘Tenho uma confissão a fazer. Quando estávamos começando a banda, eu tentei ligar para o seu empresário para entrar em contato com o Gary, porque eu queria roubá-lo de você". E eu "Quê?? Você tentou roubar o meu cantor[risos]?". E o sonho dele pode finalmente virar realidade no Brasil.

Por falar em tocar com outras pessoas, Gary foi vocalista do Van Halen e você, Nuno, tocou com Rihanna. Queria que vocês falassem um pouco como foi tocar com estes e outros grandes artistas ao longo dos anos.

Nuno – Bom, seria legal se eu tivesse tocado com o Van Halen. Seria ótimo [risos]! Mas é engraçado, porque um monte de gente tem o conceito errado sobre como o Extreme acabou. Que Gary deixou a banda. Bom, isso não é verdade. Eu deixei a banda. Como um idiota! Fiz isso em vez de dar um tempo e dizer que tínhamos de dar uma parada. Mas tinha muitas coisas interessantes acontecendo na época na música e também coisas pessoais. E o Gary foi tocar com o Van Halen, o que eu achei superlegal. Não fiquei puto, eu adorei. Eu até fui ao estúdio e os visitei quando estavam trabalhando juntos. Fui vê-los tocar ao vivo. E os caras do Van Halen até me perguntavam "Ei, o que você tá fazendo aqui? Ele tá na nossa banda agora". E eu falava "Não se preocupe, não estou aqui para roubar meu próprio cantor de volta [risos]". Mas foi ótimo. Acho que a gente sempre apoiou um ao outro nos diferentes projetos que fizemos, mesmo Gary com Joe Perry e eu com o Steven Tyler [guitarrista e vocalista do Aerosmith, respectivamente]. Esses caras eram nossos heróis. Mesmo com a Rihanna, Gary foi aos shows dela, me viu tocando com ela.

Gary – É, foi muito surreal, como Nuno disse, ter a oportunidade de trabalhar com o Steven Tyler... E eu pude fazer algumas coisas com o Joe Perry. A gente cresceu ouvindo essas bandas. Poder tocar com o Queen no tributo ao Freddy Mercury... A gente ia ver um ao outro tocando com essas bandas. E é louco tocar com nossos heróis. E a coisa com o Van Halen é engraçada porque, quando eu recebi o telefonema [para tocar com eles], Nuno me deu um grande apoio. Eu achava que ia só fazer um teste e voltaria para casa com uma boa história para contar. Mas me lembro que, antes de entrar no avião, Nuno me disse "Esse é seu lance, cara! Você consegue!".

Nuno – Eu estava muito empolgado pelo Gary, porque acho que a contribuição dele, não só no disco, onde ele foi ótimo, mas sua maior contribuição histórica foi que os fãs do Van Halen, durante anos e anos e anos, tinham muita vontade de ouvir as músicas da banda cantadas pelo David Lee Roth [vocalista original do VH]. E Sammy [que entrou no lugar de Roth] não as cantava. E quando o Gary entrou, trouxe de volta todo aquele catálogo, coisas de todas as eras. E ouvir todo esse material ao vivo de novo foi incrível para os fãs do Van Halen.

A última pergunta é o que vocês acharam do vídeo de More Than Words que o Jack Black e o Jimmy Fallon fizeram da canção.

Não sei [risos], mas acho que o Gary foi o primeiro que viu isso, e eu recebi uma mensagem dizendo que eu tinha de ver o programa do Jimmy Fallon. Mas, quando alguém faz uma coisa dessas, é uma das melhores sensações do mundo. Me lembro de uns fãs da gente perguntando se estávamos bravos com eles fazendo piada com a gente. Fazendo piada? Esse é um dos maiores elogios que a gente pode receber. É muito legal ter dois grandes humoristas cantando sua música, tocando e se vestindo como você. É o maior elogio que você pode ter. Foi incrível para a gente. Colocou um sorriso em nossos rostos.

Gary – E também foi uma ótima versão. São eles cantando mesmo.

Nuno – Sim, foi ótimo.

Relembre o víde de More Than Words com Jack Black e Jimmy Fallon.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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