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Oscar destrói 'Avatar 2', 'Top Gun: Maverick' e 'Elvis', que nunca tiveram chance de ganhar nada

Academia indicou os três filmes com a intenção clara de atrair público; produções decepcionaram na noite de domingo (12)

Odair Braz Jr|Do R7

Tom Cruise em 'Top Gun: Maverick'
Tom Cruise em 'Top Gun: Maverick' Tom Cruise em 'Top Gun: Maverick'

Estava bem exagerada — e um tanto quanto estranha — parte da lista de indicados a Melhor Filme do Oscar em 2023. Avatar: O Caminho da Água, o novo Top Gun e Elvis são o tipo de produção que quase sempre fica de fora da concorrência pela principal estatueta. Só que neste ano elas estavam lá por um motivo: atrair audiência.

Estas três produções foram usadas para atrair público, torcedores. Foram indicadas para os fãs terem por quem ficar roendo as unhas — e dar engajamento — durante a cerimônia de entrega.

Tanto é fato que elas foram apenas uma espécie de isca, que decepcionaram fortemente. Avatar 2 e Top Gun: Maverick levaram apenas um Oscar cada um (nenhum dos principais), e Elvis, nem isso. Nunca foi intenção da organização do evento premiar esses longas superpopulares e com forte apelo comercial. Não é muito do feitio da Academia fazer isso, ainda mais quando essas produções não são de fato as melhores do ano.

Austin Butler em cena de 'Elvis', cinebiografia do rei do rock
Austin Butler em cena de 'Elvis', cinebiografia do rei do rock Austin Butler em cena de 'Elvis', cinebiografia do rei do rock

Veja: é claro que o primeiro Avatar ganhou nove Oscars em 2010, ou seja, a Academia premiou de fato uma produção popular, um blockbuster (coisa que já aconteceu outras vezes). Mas há que se levar em consideração toda a inovação visual e tecnológica que a produção de James Cameron levou para as telas. Ali foi algo revolucionário, coisa que não se repetiu com esta sequência, que é fraca em vários quesitos. Acontece que O Caminho da Água já ultrapassou os US$ 2 bilhões em bilheteria e arrastou milhões de pessoas aos cinemas no mundo todo. Então, tinha que estar na lista, porque todos sabem que geraria barulho, comentários. Mas apenas por isso mesmo. Como um prêmio de consolação, Avatar 2 ganhou na noite deste domingo o Oscar de Efeitos Especiais, o que era esperado. Ficou nisso.

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Mais ou menos a mesma coisa vale para Top Gun: Maverick. A sequência do clássico de 1986 de Tom Cruise foi o filme que mais arrecadou em 2022, com US$ 1,5 bilhão. Ao contrário de Avatar 2, o filme dos aviões é bom, divertido, mas extremamente autorreferente e praticamente uma repetição do que se viu há quase 40 anos. Como longa-metragem, não tinha a menor condição de levar o prêmio de melhor do ano, considerando os concorrentes. E vamos combinar que Cruise e a Academia não são os melhores amigos — o ator nunca ganhou uma estatueta em sua carreira (e nem foi à cerimônia ontem). Para não sair de mão abanando depois de ter gerado toda aquela dinheirama, Maverick ficou com a estatueta técnica de Melhor Som. E só.

E, por fim, a biografia cinematográfica de Elvis Presley. Austin Butler, que interpreta o cantor, já estava cotadíssimo para o Oscar de Melhor Ator assim que o filme estreou. Levou o Globo de Ouro e o Bafta (premiação do cinema inglês), mas não tinha como competir com Brendan Fraser em A Baleia na premiação deste domingo. A Academia adora uma história de redenção, de volta por cima, e Fraser representa tudo isso. Era líquido e certo que ele iria ficar com a estatueta.

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Quanto a concorrer a Melhor Filme, Elvis não tinha muito como ganhar mesmo. Embora bem-feito e direcionado aos fãs e a uma nova geração, o filme dirigido por Baz Luhrmann sofre com certa superficialidade na história e um roteiro apressado. Sem dizer que Tom Hanks foi agraciado com o Framboesa de Ouro deste ano como Pior Ator. Mas, diga-se, foi injusto o longa sobre o rei do rock ter saído sem nenhum prêmio. Pelo menos algum técnico, tipo figurino ou maquiagem (aos quais concorria), seria merecido.

'Avatar: O Caminho da Água' tem direção de James Cameron
'Avatar: O Caminho da Água' tem direção de James Cameron 'Avatar: O Caminho da Água' tem direção de James Cameron

O fato é que, desde que foram indicadas, estas três produções não tinham mesmo como conquistar o prêmio máximo do cinema este ano porque concorriam diretamente com Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo. Este filme tem como pano de fundo diversas culturas, questões étnicas e sociais — além de ter um elenco e equipe com muita diversidade, ou seja, tudo o que a Academia e Hollywood buscam atualmente.

Assim, o prêmio de Melhor Filme já tinha dono havia muito tempo. Avatar: O Caminho da Água, Top Gun: Maverick e Elvis entraram na lista apenas para atrair os fãs. Nunca tiveram chance.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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