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Análise: Dívidas sujam mais do que o CPF do devedor

Segundo estatísticas oficiais, 80% das famílias brasileiras estão endividadas e mais de 66 milhões estão inadimplentes

Patricia Lages|Do R7

Inadimplência atinge 66,6 milhões de pessoas, segundo dados da Serasa Experian
Inadimplência atinge 66,6 milhões de pessoas, segundo dados da Serasa Experian Inadimplência atinge 66,6 milhões de pessoas, segundo dados da Serasa Experian

Por mais que pareça a mesma coisa, há uma grande diferença entre os termos endividado e inadimplente. Endividado é todo aquele que possui uma dívida a pagar, mas está com as prestações em dia. Já o inadimplente é aquele que está com uma ou mais parcelas de sua dívida em atraso.

A depender do tipo de dívida e do tempo que a(s) mensalidade(s) está(ão) atrasada(s), o nome do inadimplente será cadastrado nos serviços de proteção ao crédito e seu CPF será negativado. Ou, como se diz popularmente, seu nome ficará “sujo”.

Ser um endividado não é necessariamente um problema. Isso porque optar por financiar uma compra pode ser a única forma de adquirir algum bem durável de valor mais elevado no momento em que a pessoa necessita. O mesmo se aplica a um empréstimo que pode viabilizar a ampliação de um negócio que trará uma renda maior futuramente.

É claro que se endividar para comprar coisas desnecessárias, sem utilidade real, sentido de urgência ou apenas para ostentar é uma péssima ideia. Mas creio que o conceito do “bom endividamento” ficou claro.

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Ser inadimplente, porém, é péssimo tanto para quem deve – que terá de arcar com juros altos – como para o credor – que além dos gastos com a cobrança terá de esperar o recebimento – e ainda para a economia como um todo.

A inadimplência faz com que os juros no Brasil sejam cada vez mais altos e acaba promovendo uma das práticas mais injustas do mercado: o bom pagador acaba arcando com a conta daquele que não pagou, seja por descontrole, seja por má-fé.

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Mas a questão principal desta análise é que, além do CPF negativado, a reputação de quem deve também fica manchada. Não dá para falar sobre dinheiro sem falar sobre responsabilidade. Se você é pai ou mãe, sabe muito bem que, dependendo da idade do seu filho, não dá para entregar uma nota de 200 reais nas mãos dele.

Se ele já tiver alguma noção sobre compras, mas ainda não tiver mentalidade suficiente para entender a representatividade daquele valor, provavelmente vai gastar tudo em sorvete, bala, chocolate, batata frita etc. Além de fazer mau uso do dinheiro, a criança provavelmente acabará passando mal…

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A questão é que muitos adultos ainda não desenvolveram uma mentalidade madura sobre suas finanças e acabam tomando decisões prejudiciais tanto a eles mesmos quanto aos outros. Por mais que 66,6 milhões de pessoas estejam inadimplentes – segundo dados da Serasa Experian – e que isso represente um comportamento comum, é preciso que o inadimplente passe por três etapas importantes para se tornar financeiramente responsável: mudar sua mentalidade em relação ao dinheiro, controlar suas finanças e organizar-se para quitar seus débitos e reconquistar a confiança do mercado.

Passo a passo para sair das dívidas

Para facilitar, aqui vai um passo a passo básico para quem quer se livrar das dívidas de uma vez por todas:

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1. Mude o comportamento que o levou às dívidas – seja por gastar mais do que ganha; não saber dizer não aos outros; ter emprestado seu nome/cartão/cheque; ter um padrão de vida incompatível com sua renda ou qualquer outro motivo. Avalie o que o deixou nessa situação, acerte a rota e decida não repetir o erro.

2. Programe-se para pagar – se você tem uma dívida, precisa pagá-la. Ponto. É como se diz por aí: por mais triste que seja a história, comoção não quita boleto. Organize o seu orçamento, procure o(s) credor(es) e negocie o que deve de uma maneira que possa pagar.

3. Sacrifique-se – na hora em que o dinheiro do empréstimo cai na conta ou que você põe as mãos no bem que acabou de financiar, é só alegria. Mas na hora de arcar com todos os juros que a inadimplência traz é só amargura. Porém você precisa olhar para a frente e saber que quanto mais se sacrificar para pagar mais cedo sairá dessa situação. Para quem não sabe, eu só me tornei educadora financeira depois de ter passado pela experiência de um superendividamento. Logo, sei bem do que estou falando.

4. Reconquistar a confiança leva o triplo do tempo – conquistar a confiança de alguém não é uma tarefa fácil e exige convivência, esforço e tempo. Mas reconquistar a confiança perdida exige o triplo de tudo isso, e no mercado financeiro a coisa não é diferente. Muitas pessoas pagam as contas ontem e já querem um “score” (pontuação de crédito) alto amanhã, mas as coisas não funcionam assim. É preciso ter paciência e saber que a reconquista virá a seu tempo.

Para mais informações sobre como negociar e quitar dívidas de uma maneira mais justa e com menos juros, clique aqui e assista a um vídeo com dicas.

Link para o vídeo: https://youtu.be/n8mje4b17D8

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