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Do deserto a terras próximas a vulcões: o vinho chileno mostra seus extremos

Muitos de nós começamos a beber vinho com algum rótulo chileno

Adega do Déco|Do R7 e André Rossi

Vinícola no deserto do Atacama
Vinícola no deserto do Atacama Vinícola no deserto do Atacama

O Chile é, ainda com certa folga, o maior exportador de vinhos para o Brasil, há tempos. Muitos de nós começamos a beber vinho com algum rótulo chileno, e eles estão no mercado nas mais diversas formas: brancos, tintos, rosés, espumantes, secos, doces, caros, baratos, leves, encorpados... e por aí vai. Então é fato: o Chile nada de braçadas por aqui.

Isso não quer dizer que eles estão acomodados. Pelo contrário: o Chile hoje é muito mais que apenas os conhecidos vales do Maipo (ali pertinho de Santiago) e Colchagua (120 km ao sul da capital). Hoje, o Chile mostra sua diversidade ao explorar regiões extremas, seja em localização, em altura, seja em condições climáticas. Até nos arredores de vulcões as terras estão sendo exploradas.

Em um evento realizado na semana passada, em São Paulo, além da tradicional feira em que muitos produtores estavam expondo seus vinhos, a associação Wines of Chile montou um painel e uma palestra bem interessantes sobre os extremos do Chile, com alguns vinhos bem interessantes e que fogem dos tradicionais e clássicos cabernets e carmeneres com perfil de compota de fruta, acidez que fica devendo.

A palestra, conduzida em perfeição por um dos grandes profissionais do ramo — e amigo —, Paulo Brammer, mostrou um pouco desses extremos do Chile e seus terroirs únicos. Em Osorno, extremo sul do país, por exemplo, alguns dos desafios são a grande quantidade de chuva e as baixas temperaturas na floração, além da baixa produtividade.

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Já no extremo norte, a salinidade do solo, os fortes ventos e a pouca oferta de água surgem como grandes empecilhos. A costa, que sempre teve muito destaque com as regiões de Leyda, Casablanca e San Antonio, vê uma proximidade cada vez maior dos vinhedos em relação ao mar, que podem chegar a 300 metros da areia!

A altitude, fator muito explorado pelos hermanos argentinos, ainda é um desafio grande para os chilenos, mas hoje podemos encontrar vinhedos na região do deserto do Atacama, a 3.600 metros de altitude!

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Aliás, por falar em deserto, a falta de água é outro desafio que algumas regiões enfrentam, diminuindo a produtividade e a quantidade de vinho produzido.

Dos vinhos provados, alguns me chamaram atenção:

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Casa Silva Riesling Lago Ranco 2019, produzido na Patagônia chilena, a 900 km de Santiago. Um vinho bem típico dessa uva e com bastante intensidade;

O Tara Atacama Chardonnay 2021 já era um vinho de que eu gostava bastante, produzido pela Ventisquero em Huasco, onde chove no máximo 20 mm ao ano! Um vinho intenso, não filtrado e um tanto quanto rústico, mas sem exageros;

Caliza Chardonnay 2021 é um vinho que já comentei aqui, na época que escrevi sobre o evento do Guia Descorchados deste ano. Para mim, um dos grandes brancos chilenos, feito pela Tabali e o competente Felipe Muller;

O Vigno Tierra Sagrada 2020, produzido pelos Rothschilds, surpreendeu, por ser um vinho feito com a intensa e encorpada uva carignan. Mostrou-se elegante, com ótima acidez e bastante persistente.

Mas a grande surpresa para mim veio do Pewën de Apalta 2020, produzido pelo gigante Santa Rita. Um carmenère 100% que não mostra aquele pimentão enjoativo. Pelo contrário, muita fruta, ótima acidez e um vinho extremamente equilibrado. Uma boa surpresa!

Um painel muito interessante, que tinha outros vinhos, muito bem conduzido pelo Paulo e pelos produtores que ali estavam. É nítido esse movimento interessante do Chile, que, mesmo diante de tantos desafios, tem ido atrás de novas formas e regiões de cultivo, para oferecer variedade e diversidade ao consumidor.

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