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Tatu, um dos últimos carregadores de mala de BH

Conheça um pouco da rotina da profissão que está em declínio

Descubra BH|Pablo NascimentoOpens in new window

Tatu carregador de mala rodoviária de BH
Tatu carregador de mala rodoviária de BH Tatu virou carregador de malas após trabalhar como pedreiro e atendente de supermercado (Lucas Eugênio / Record Minas)

Já parou pra pensar na quantidade de histórias que passam todos os dias dentro de uma rodoviária? Tem passageiros chegando felizes, outros tristes. Uns à trabalho, outros de férias. Alguns com dúvidas, outros com certezas. Em um terminal como o de Belo Horizonte, cidade com 2,7 milhões de habitantes, o burburinho não para.

Enquanto os passageiros são, literalmente, passageiros. Há quem fique por lá. Trabalhando. Como é o caso dos carregadores de malas. Eles estão sempre ali, com camisas amarelas e olhares atentos. Prontos para puxar o carrinho.

Passei por lá esta semana e conheci o Antônio Assis, conhecido como Tatu. Ele não é dos mais antigos. Existem carregadores na Rodoviária de BH com mais de 30 anos de casa. Ele só 13, mas o olhar irrequieto já captou muita coisa.

Ele conta história de gente que já caiu do vão que separa o estacionamento da entrada do terminal, de passageiros que esqueceram a mala para trás e até celebridades que passaram por lá correndo e não evitaram contato.

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O “seu” Tatu faz jus à origem do apelido: uma abreviação para “Tá tudo bem”. Mesmo o salário não sendo dos melhores, ele fica feliz em conseguir tirar dali o sustento da família, depois de já ter tentando a vida como pedreiro, atendente de supermercado e auxiliar de serviços gerais. E reconhece: a profissão enfrenta um declínio.

“Quando eu cheguei aqui, havia 50 carregadores. Hoje são 30. Nós trabalhamos em dias alternados. Se fossem todos no mesmo dia, iria ficar bem ruim para todo mundo”, comenta sobre a redução da demanda.

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Se tem uma história que ele não esquece é a da farinha, conta com sorriso no rosto. O dia em que ele pegou as malas de um cliente rapidamente. Dentre as bagagens, estava um saco de farinha. Para a surpresa de Tatu, o pacote não era do passageiro. O resultado? “Coloquei no feijão e mandei pra dentro”, conta sorrindo. Mas garante que foi um dia atípico já que a orientação é sempre encaminhar os pertences para o achados e perdidos quando o dono não for localizado.

Aos 63 anos, o sonho dele agora é se aposentar, mas continuar na profissão.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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