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Luisa Friese interpreta Abital, a sétima esposa de Davi, na oitava temporada da série "Reis"

Atriz fala sobre etarismo, machismo e seu novo projeto para o teatro com casais LGBTQIAP+

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Atriz fala sobre etarismo, machismo e seu novo projeto para o teatro com casais LGBTQIAP+

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Quando foi convidada para interpretar Abital, a sétima esposa de Davi (Petrônio Gontijo) na série "Reis", da Record, Luisa Friese comemorou não somente o papel, mas também o fato de a emissora optar por um elenco com mulheres na faixa dos 50 anos para viverem as personagens 15 anos depois, na oitava temporada, ao invés de usar a caracterização para envelhecer os atores da temporada anterior. 

"Eu fico muito orgulhosa de participar de uma série na qual o protagonista e as esposas são todas cinquentonas. Uma mulher de 50 anos tem tanto estofo, maturidade e experiência que normalmente apresenta o seu melhor no trabalho que faz. Histórias com protagonistas nessa idade podem trazer grandes subjetividades e riquezas num roteiro e eu acho que os roteiristas, produtores e diretores do audiovisual estão percebendo isso e acreditando nessa nova perspectiva", acredita a atriz, que tem 50 anos.

Na pele de Abital, Luisa traz comicidade à trama. Ela sempre desmaia quando se aproxima do marido Davi e vive pelos cantos com Eglá (interpretada por Flavia Magnani) construindo uma cumplicidade através das suas mazelas. "Por estarem na mesma situação de “as largadas do rei”, como ela própria fala, se compreendem e passam a se defender, praticando sororidade e compondo uma dupla na história da série. Abital é muito verdadeira e emotiva e por isso, às vezes, fala coisas sem pensar, principalmente no harém onde ela sente maior liberdade. Eu super me identifico com ela nesse aspecto! Percebo que quanto mais madura, mais autêntica e confiante a mulher fica, deixa de dar muita importância ao julgamento dos outros e prioriza a sua forma de estar no mundo", afirma a atriz.

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E o mundo mudou muito. Numa série a respeito do berço do patriarcado, em que o rei Davi tem um harém de mulheres, Luisa encontra espaço para entender o papel do homem e da mulher naquela época e transpor essa realidade para os tempos atuais, descobrindo de onde vieram várias situações que, infelizmente, vivemos até hoje e, com isso, combatendo a prática opressiva e hegemônica provinda do machismo.

"A História é e sempre será um aprendizado. Estamos no olho do furacão nesse assunto e alguns já até consideram que vivenciamos uma quarta onda feminista, caracterizada principalmente pelo uso compacto das redes sociais para conscientização e mobilização. A possibilidade de diálogo entre todas as situações enfrentadas pelas mulheres hoje, que leva em consideração não só a raça/etnia, classe e sexualidade, mas também a nacionalidade, idade e religião é um grande avanço na sociedade", analisa Luisa.

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Exaltar a mulher e discutir temas femininos sempre esteve entre os projetos de Luisa, desde quando ela criou seu canal no Instagram e Youtube com a personagem Pulp Lu, que se caracterizava de ícones como Audrey Hepburn, Marilyn Monroe e Mulher Maravilha, entre outras, para falar das questões femininas. 

"Elas são figuras conhecidas do público pelas exacerbações do que poderíamos chamar de feminino, sensual, sexy. Mas o que me interessava de fato é que elas foram superempoderadas, feministas, inteligentes, capazes e corajosas. Eu quis, através delas, falar para as mulheres e homens de hoje. Colocá-las em situações cotidianas atuais dando poder para falarem o que não falariam em outras épocas”, diz.

Sempre interessada em explorar novos discursos e trazê-los para a ótica dos dias atuais, Luisa vai levar aos palcos uma nova versão da peça “La Ronde”, de 1903, que já foi sucesso na adaptação inglesa "The Blue Room”, em 1998, com Nicole Kidman no papel principal. A trama fala de encontros sexuais entre casais heteros. "Agora, como idealizadora e diretora, eu criei essa nova versão onde, diferentemente da original, ela é encenada com dois homens nos dias de hoje. Espirituosamente, vamos falar de encontros amorosos/sexuais furtivos entre casais de diferentes classes sociais que vão trocando de par sucessivamente", adianta. "A arte se conecta com o nosso tempo e é ferramenta para pensar a sociedade. O Brasil ainda é o país que mais mata homossexuais no mundo", complementa.

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