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Último autógrafo de Rita Lee foi para neto: 'Mãos estavam fracas, mas ela se lançou ao desafio'

A rainha do rock brasileiro morreu, aos 75 anos, em casa e ao lado da família, na última segunda-feira (8), em São Paulo

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Rita Lee, ao lado do filho caçula, Antonio Lee, e do neto dela, Arthur, de 5 anos
Rita Lee, ao lado do filho caçula, Antonio Lee, e do neto dela, Arthur, de 5 anos

O último autógrafo dado por Rita Lee foi dedicado ao netinho dela, o pequeno Arthur, de 5 anos, filho de Antonio Lee e da escritora Camila Fremder. A tradicional dedicatória —com a frase tremida e um disco voador — aconteceu quando ela ainda estava internada no hospital. 

"Para Arthur, com um beijo da vovó Rita", escreveu ela, no papel, na ocasião.

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Na publicação, feita no Instagram, Antonio disse que havia comentado com o filho que Rita Lee desenhava um disco voador — um dos assuntos preferidos da cantora — nos autógrafos que dava aos fãs, e que o pequeno, a partir daí, se animou e pediu uma dedicatória para ele também. 

"Eu comentei [com o meu filho] que a vovó Rita tinha um autógrafo muito legal, com desenho de disco voador e tudo! Ele ficou animado: 'Eu quero um autógrafo da vovó Rita!' E ela, claro, não negou. Coloquei no colo dela um papel e uma caneta. As mãos estavam fracas, o punho já não tinha a mesma flexibilidade de antes. Mas ela se lançou no desafio", relembrou Antonio.

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"Primeiro, fez a dedicatória e a assinatura. Depois, o disco voador, provavelmente seu assunto preferido. Ela sempre se dedicava mais nessa parte. Enquanto terminava o desenho, reclamou que a mão não obedecia como queria. Não satisfeita com o disco, tentou desenhar outro mais para a direita, só para provar a si mesma que conseguia fazer um melhor. Até que desabafou: 'A mão não tá indo, saco!'", prosseguiu.

A rainha do rock brasileiro morreu aos 75 anos, na última segunda-feira (8), em casa, ao lado da família, e a confirmação de sua morte foi feita no dia seguinte, por um comunicado nas redes sociais.

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O DJ e produtor João Lee, filho de Rita Lee, disse em entrevista a jornalistas que os familiares não estavam esperando a morte da cantora, que lutava contra um câncer de pulmão desde 2021.

Leia o texto de Antonio Lee na íntegra

Esse foi o ultimo autógrafo da minha mãe.

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Quando eu era pequeno, não entendia muito bem esse ritual. Pessoas surgiam do nada com papel e caneta, mãos meio trêmulas. Ficavam hipnotizadas enquanto minha mãe fazia uns rabiscos. Depois, pegavam o papel de volta e saíam chorando, emocionadas. Por que um papel com um nome assinado causava tanta comoção?

Com o tempo, o autógrafo foi cedendo espaço para as selfies no celular e vídeos mandando recado. Mas, hoje, mais do que nunca, eu entendo o barato do autógrafo. O autógrafo é analógico. É uma relíquia, um pedaço daquele momento, uma prova viva com reconhecimento de firma que o encontro realmente aconteceu.

Nunca vi minha mãe negar um autógrafo. O pior que podia acontecer a um fã era chegar sem papel nem caneta e ela soltar o famoso “pô, bichô!?”.

Um dia, enquanto visitava ela no hospital com meu filho Arthur, de 5 anos, o assunto veio à tona. Eu comentei que a vovó Rita tinha um autógrafo muito legal, com desenho de disco voador e tudo! Ele ficou animado: "Eu quero um autógrafo da vovó Rita!" E ela, claro, não negou. Coloquei no colo dela um papel e uma caneta. As mãos estavam fracas, o punho já não tinha a mesma flexibilidade de antes. Mas ela se lançou no desafio.

Primeiro, fez a dedicatória e a assinatura. Depois, o disco voador, provavelmente seu assunto preferido. Ela sempre se dedicava mais nessa parte. Enquanto terminava o desenho, reclamou que a mão não obedecia como queria. Não satisfeita com o disco, tentou desenhar outro mais para a direita, só para provar a si mesma que conseguia fazer um melhor. Até que desabafou: "A mão não tá indo, saco!".

São mais de 50 anos dessa troca entre ídolo e fã. Foram milhares de vezes repetindo esse mesmo gesto. Milhares de folhas de papel espalhadas por aí que marcam um momento em que ela esteve presente. E sem saber que aquela seria a última vez, foi lá e assinou seu nome tão lindo. Dedicado a um grande fã que vai sentir muitas saudades da vovó.

Feliz dia das Mães mais dolorido do mundo, Mãezinha

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