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Patricia Lages
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Aumenta o número de dias trabalhados apenas para pagar impostos no Brasil

Carga tributária sobe em 2024 e brasileiro trabalha 149 dias só para pagar impostos, dois dias a mais que no ano passado

Patricia Lages|Do R7

Brasileiro trabalha muito para pagar os impostos Joédson Alves/Agência Brasil

Você já mandou alguém para “o quinto dos infernos”? Se já fez isso, certamente foi em um momento de explosão e revolta, em que gostaria que a pessoa que o chateou fosse para bem longe e o deixasse em paz. Mas você sabia que essa expressão tem a ver com a cobrança de imposto?

No século XVIII, época do Brasil Colônia, Portugal produzia pouco e comprava praticamente tudo o que consumia da Inglaterra, criando uma dívida cada vez maior com os britânicos. Para cobrir o rombo da gastança, a Coroa Portuguesa passou a cobrar um imposto de 20% – ou a quinta parte – do peso do ouro garimpado nas cidades mineradoras brasileiras.

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Para evitar o “jeitinho brasileiro”, os portugueses se apossavam do quinto diretamente nas casas de fundição. E assim, desde 1750, o imposto passou a ser retido na fonte, sem a menor chance de sonegação.

Por sua vez, todo o ouro arrecadado era levado para Portugal em navios conhecidos como “naus dos quintos”. Essa pilhagem das riquezas do nosso país foi uma das causas da Inconfidência Mineira, quando a população se revoltou contra a tributação, chamando-a de “quinto dos infernos”. Porém, em 1789, Portugal conteve a revolta e, de lá para cá, as coisas só pioraram.

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Se pagar um quinto da renda em tributos fez os brasileiros se revoltarem naquela época, hoje em dia a população está mansinha, muito bem controlada e bastante conformada. Aliás, existe até quem defenda a tributação pesada que o Estado impõe, como se tivéssemos retorno de tudo o que pagamos. Enfim, há gosto (e imposto) para tudo!

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a carga tributária de 2024 está na casa dos 40,71%. Esse percentual mostra que o brasileiro precisa trabalhar, em média, 149 dias apenas para pagar impostos. E tudo isso para sustentar a “nobreza brasileira” que nos tira mais do que o dobro do que nossos colonizadores tomavam de nós séculos atrás.

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Agora, façamos alguns exercícios simples para entender o que isso significa. Se considerarmos esse período em dias corridos, o brasileiro trabalhou de 1º de janeiro a 28 de maio somente para pagar impostos, tanto sobre a renda, quanto sobre tudo o que consome e sobre seu patrimônio. Isto é: pagamos impostos sobre todo dinheiro que recebemos por nosso trabalho para, depois, pagarmos mais impostos sobre tudo o que compramos, vendemos, deixamos de herança ou doamos em vida.

Se tirarmos os 52 sábados e 52 domingos, além dos oito feriados que caem em dias de semana, temos 254 dias úteis em 2024. Sendo assim, mais da metade dos dias trabalhados neste vão para pagar impostos. Essa conclusão, de tão surreal, precisa ser repetida para não passar despercebida: mais da metade dos dias trabalhados vão para pagar impostos.

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A título de comparação, em 2023 foram 147 dias de trabalho para dar conta de toda taxação. Mas considerando a média dos anos anteriores, seguimos na mesma há muito tempo.

A questão é que o Brasil festeja até hoje a independência dos portugueses, mas parece não se importar nem um pouco com o fato de que a nobreza brasileira nos custa muito mais caro.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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