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Farofa Pop
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‘Radical Optimism’ reforça o poder de Dua Lipa como uma das estrelas pop mais completas

Com produções grandiosas, lindos vocais e um conceito bem amarrado, cantora nos presenteia com um álbum maduro e divertido

Farofa Pop|Felipe GladiadorOpens in new window

Dua Lipa lançou seu terceiro álbum de estúdio, o 'Radical Optimism' Reprodução/Instagram/@dualipa

Que Dua Lipa é um verdadeiro fenômeno desde que surgiu, ninguém pode negar. A cantora é, por exemplo, dona do segundo álbum feminino mais ouvido da história do Spotify, com o projeto de estreia que leva seu nome, de 2017. Além disso, seu segundo trabalho, Future Nostalgia, de 2020, é um dos álbuns que definiram o som pop nos últimos anos. Um verdadeiro marco na indústria.

Indicada a diversos prêmios, vencedora de três Grammys e dona de números astronômicos nas plataformas de streaming, Dua tinha um grande desafio pela frente: qual caminho seguir após ter um álbum de estreia tão bombástico e um segundo que mistura aclamação e também muitos sucessos?

No último dia 3 de maio, ela respondeu a esse questionamento ao lançar seu terceiro projeto, chamado Radical Optimism, que significa “otimismo radical” em português.

Não é novidade para qualquer pessoa que acompanha assiduamente o mundo pop, que não há fórmula certa para bombar. Muita gente tenta se aventurar e quebra a cara, outros vão se reinventando a cada lançamento, enquanto alguns artistas fixam raízes em uma vibe e permanecem nela porque perceberam que deu certo (ou, em muitos casos, porque as gravadoras quiseram assim, verdade seja dita).

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Capa lindíssima do 'Radical Optimism', de Dua Lipa Reprodução/Instagram/@dualipa

Com o Radical Optimism, Dua escolheu um meio-termo entre se jogar de cabeça em algo inédito e manter o jogo rolando da maneira que tinha dado ótimos resultados até aqui. Mas atenção: não caia no papo de quem alega que o som deste terceiro álbum é igual ao do Future Nostalgia. Não tem nada a ver. As únicas semelhanças entre os trabalhos são o ritmo costumeiramente animado nas músicas da artista, alguns colaboradores que se repetem e, claro, o fato de que é Dua que está nos vocais. Mas sonoramente... mundos de distância.

End of An Era abre o álbum já nos guiando exatamente para o tema que Dua propõe: superar desafios e momentos ruins com a cabeça erguida, sentir as mudanças da vida com olhos otimistas. Escolha mais do que acertada para abrir o projeto, a faixa tem ares psicodélicos, é ‘veranesca’, tem uma gostosa energia etérea e produção divertidíssima.

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Na sequência, começa Houdini que é, sem dúvidas, uma das canções mais interessantes da discografia de Dua Lipa. A maneira como a melodia é desenhada, com tantas camadas, se mistura lindamente aos vocais da artista, que são angelicais em alguns pontos e fortes em outros. É realmente uma produção de abalar estruturas feita por Kevin Parker e Danny L Harle. O solo de guitarra ao final é simplesmente de alucinar. Se você não gosta de Houdini, sinto muito, mas não podemos ser amigos.

Escolhida como segundo single da era, Training Season é a definição de um pop chique, com refrão que fica na cabeça sem nenhuma dificuldade. Contagiante, a música cresce com uma construção que equilibra o doce e o sombrio. “Não quero ter que te ensinar a me amar da forma correta”, canta a artista a plenos pulmões. Mais uma vez, brilham os instrumentais criados. Ao vivo, essa é ainda mais especial.

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These Walls é talvez a faixa que melhor define o álbum. Dua canta sobre um romance que está perto do fim, fadado ao término que se aproxima, ou ao menos deveria chegar. Mas ela o faz de maneira graciosa, aceitando sua realidade. A brincadeira bem sacada na letra diz que “se as paredes falassem, elas nos diriam para terminar”. Aquela coisa de adulto em que a gente percebe que algo não tem futuro, então só nos resta aceitar, rir, chorar, ou fazer uma música sobre isso para concretizar o sentimento e seguir em frente.

Depois, temos Whatcha Doing, que faz parte das faixas com construção apoteóticas no álbum. A música começa com um baixo envolvente que explode em um refrão glorioso. Sabe aquela pessoa que balança suas estruturas, te faz perder um pouco da razão e enxergar tudo como um apaixonado? É sobre esse tipo de crush que Dua parece querer falar. “O que você está fazendo comigo, bebê?”, pergunta ela já sabendo a resposta, o que fica claro pelo jeito como ela canta já se entregando ao affair. Quem nunca, né?

French Exit me lembra a Dua Lipa do álbum homônimo. A batida, a sensualidade, o vocal rasgadinho, o fundinho mais dark e alternativo. É interessante perceber que a cantora é uma romântica incurável, mas muito consciente do que sente. Ela sabe o que quer e também o que não quer. Tanto em Houdini quanto em French Exit ela fala sobre partir, deixar alguém, mesmo que seja de maneiras diferentes. Tudo mais uma vez de uma maneira direta ao ponto. Ela percebeu que não ia rolar e realmente saiu à francesa. “Não é um coração quebrado se eu não o quebrar”, entoa a diva.

Clipes de Dua Lipa nesta era continuam sendo excelentes Reprodução/Instagram/@dualipa

Apesar de amar Houdini, sei que a música dividiu opiniões quando saiu. Vou continuar a defender essa perfeição sonora, mas precisamos concordar: llusion tinha TUDO para ser o primeiro single deste álbum. A canção é Dua Lipa fazendo o que sabe fazer como ninguém: um hino pop. A mais viciante do projeto, sem dúvida alguma. Quando você menos esperar vai estar andando pela casa, dando pulinhos, igual no clipe, e cantando “iluuuuusiooon”.

De uma verdadeira ‘banger’ direto para outra, te pergunto: como não se arrepiar com o começo de Falling Forever? Dua nos dá um dos melhores vocais de sua carreira, e essa é daquelas faixas que te deixam boquiaberto enquanto ela vai se desenrolando. É para cantar de braços abertos, fazendo caras e bocas no banheiro, sentindo a música, se jogando na balada, dando seu próprio show enquanto limpa a casa. Seja onde for, Falling Forever vai te dominar. Assim como Houdini, essa é uma das faixas mais espetaculares já lançadas por ela.

Curtinha, Anything For Love começa no piano, com os vocais quase crus de Dua (belíssimos, por sinal) e se transforma em algo inesperado. É mais uma das faixas com letras sobre coisas que não são fáceis de encarar, mas com uma roupagem solar.

Por toda a vibe borbulhante do álbum, ele pode passar a impressão de que trata de assuntos mundanos, mas são sentimentos reais, palpáveis, situações que muitos de nós já vivemos ou iremos viver, e talvez por isso seja tão fácil se identificar, mesmo que Dua Lipa pareça encare os problemas com mais tranquilidade e elegância do que nós.

Dua Lipa caprichou no visual do 'Radical Optimism' Reprodução/Instagram

A divertida Maria mostra uma faceta de Dua que talvez ainda não conhecêssemos tanto assim, o que faz dela mais um destaque no álbum. É outra produção insana de tão boa, dessa vez entre Danny L Harle e Andrew Wyatt.

A maior parte do álbum é produzida por Kevin Parker e Danny L Harle, mas também há espaço para Wyatt e Ian Kirkpatrick, todos fazendo trabalhos que elevam o material. Não me canso de dizer: Obrigado por tanto, Kevin Parker.

Dua Lipa está trabalhando o novo álbum de maneira bastante ativa Reprodução/Instagram/@dualipa

Happy For You fecha o álbum com chave de ouro. É Dua poderosa, mais uma vez falando sobre um término, mas com uma perspectiva de alguém que não guarda ressentimentos do ex. “Não estou brava, não estou machucada. Você conseguiu tudo o que merecia. Eu devo ter te amado mais do que pensei. Estou feliz por você”. Forte, né?

Dua Lipa é uma das artistas mais completas desta geração e está nos presenteando com uma era impecável. Performances arrebatadoras, clipes lindíssimos, singles muito sólidos, visuais incríveis e um álbum que tem conceito. Tudo se conecta.

Performances de Dua Lipa na era 'Radical Optimism' têm impressionado o público Reprodução/Instagram/@dualipa

Radical Optimism é, a meu ver, uma evolução fabulosa em uma jornada praticamente impecável até aqui. É um trabalho bem definido, amarrado, sem pontas soltas, mas também sem deixar de ser vibrante e arrebatadoramente pop. Dua Lipa não se cansa de acertar e é fato que ninguém está fazendo como ela atualmente.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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