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Após trabalhar 48 anos como empregada doméstica, idosa sonha em publicar livro

Entre uma faxina e outra, Neuza Nascimento, 62 anos, começou escrevendo cartas para familiares que moravam em outros estados

Virtz|Alex Gonçalves, do R7*


Neuza, 62 anos, criou uma campanha para ajudar na realização do sonho de ser escritora
Neuza, 62 anos, criou uma campanha para ajudar na realização do sonho de ser escritora

Neuza Nascimento, 62, é natural de Santos Dumont (MG), e tem um sonho antigo — publicar um livro. Apaixonada pela leitura e escrita, ela começou escrevendo cartas para os familiares que moravam em outros estados brasileiros, entre uma faxina e outra.

A ex-empregada doméstica trabalhou na profissão por 48 anos e após uma vida de muita luta, se reinventou e foi agraciada com uma bolsa de estudos para escritores. Passou mais de uma década escrevendo contos. Hoje, com os textos já revisados, ela criou uma campanha na internet para arrecadar fundos e tornar seu sonho em realidade.

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Moradora de Duque de Caxias (RJ), a ex-empregada doméstica escolheu renunciar algumas faxinas para se dedicar às aulas, um período desafiador, e chegou a escutar do filho: 'mãe, nós passaremos fome se você não trabalhar'. "Foi uma fase em que fiz uma escolha, decidi largar um dos serviços que realizava em casa de família para poder me dedicar à bolsa de oficina de contos", lembra. "Quando cheguei em casa, falei para o meu filho que dei início ao curso e ele reagiu preocupado, por conta da nossa situação financeira.”

Foi no ano de 2003 que 16 contos começaram a ser escritos. “Eu estava no trem, à noite, enquanto voltava das faxinas pelos bairros da zona sul do Rio, escrevia em um caderninho.”

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Por meio dos contos, Neuza foi convidada a participar de um projeto social chamado Mulheres em Ação, que narra a história de mulheres da periferia. O intuito era somente contar histórias para crianças, mas o projeto acabou se tornando uma oficina de contos escritos.

Neuza é a mais nova da família entre os 10 irmãos e, segundo ela, as pessoas demoraram para entender o seu sonho. “Sou de uma geração de empregadas domésticas, de uma certa maneira, acabamos sabotando os nossos sonhos em algum momento da vida, mas eu persisti e hoje sou respeitada, vista como uma pessoa capaz e inteligente.”

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“Tenho um conto publicado na Revista Qorpus, da Universidade Santa Catarina e um artigo sobre parte da minha vida como empregada doméstica publicado no Rio OnWatch”, diz.

Ainda, de acordo com a ex-empregada doméstica, ninguém a incentivou a ler quando ela era mais nova. “Comecei a trabalhar em casa de família ainda pequena, pegava alguns gibis e corria para ler no banheiro”, comenta. A leitura, consciente, começou com gibis aos 14 anos, depois evoluiu para jornais que encontrava nas lixeiras dos prédios onde trabalhava, e a escrita começou com as cartas, depois vieram as redações.

A meta de R$ 5 mil da campanha realizada está quase batida e os valores arrecadados serão utilizados para pagar os custos da publicação e com os lançamentos possíveis no Rio de Janeiro e em outros estados como, Minas Gerais e São Paulo. “Com meu sonho prestes a se tornar realidade, também posso escrever mais livros. Eu já até tenho alguns novos contos guardados para as próximas edições.”

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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