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Carnaval 2023
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Polêmica 'bloco X bloquinho' alimenta rivalidade no Carnaval de rua de São Paulo e Rio

Até a prefeitura carioca entrou na discussão sobre o tema nas redes sociais

Carnaval2023|Do R7


Performance no Acadêmicos do Baixo Augusta, principal bloquinho de São Paulo
Performance no Acadêmicos do Baixo Augusta, principal bloquinho de São Paulo

Seria o novo biscoito X bolacha? Uma discussão sobre o uso do termo "bloquinho" para se referir aos desfiles de Carnaval de rua no Rio reacendeu a rivalidade entre cariocas e paulistanos. Até o prefeito Eduardo Paes (PSD) entrou na brincadeira (ou seria polêmica?).

Para além da multiplicidade de comentários e memes nas redes sociais, o Estadão procurou especialistas e agremiações para discutir o que aproxima e diferencia a festividade nas duas capitais.

No Rio, o perfil da prefeitura em redes sociais chegou a publicar um "erramos" em 5 de fevereiro, depois que uma postagem com o termo "bloquinho" teve grande repercussão. "A Prefeitura vem a público lamentar o uso do diminutivo de 'bloco' no tweet acima, em claro desacordo com as tradições cariocas. O funcionário responsável ficará de plantão no Carnaval pra aprender", brincou.

Em resposta a piadas e reclamações de que "bloquinho" é de papel e que em breve as agremiações serão chamadas de "bló" (em referência à tendência paulistana de encurtar palavras), o perfil da prefeitura respondeu a alguns críticos com desculpas pelo "transtorno" e admitiu o "vacilo" ao não aplicar o "carioquês". O post com a errata foi compartilhado por Paes, que escreveu: "Eu hein! Bloquinho é o...", deixando o restante da frase à imaginação do leitor.

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Uma das teorias mais fortes entre especialistas, foliões e blocos é que o termo "bloquinho" teria origem no porte diminuto do Carnaval de rua paulistano até dez anos atrás, com algumas centenas de foliões e só. Outra hipótese é que o diminutivo seria uma forma afetuosa de se referir aos cortejos. Ainda mais no contexto de uma cidade que foi de "túmulo do samba" a quase 500 desfiles em uma década.

De celebração proibida até 2013, a festividade paulistana hoje atrai milhões de foliões e a presença até mesmo de agremiações de outros estados, inclusive dos "rivais" cariocas.

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Há até quem se atreva a dizer que o Carnaval de São Paulo se tornou o maior do país, causando indignação não só entre vizinhos do Rio, mas também em Salvador e no eixo Recife-Olinda. Alguns lembram ainda que tamanho não é tudo, pois, no Carnaval, a tradição fala mais alto.

Se a rivalidade Rio-São Paulo é vista do futebol a discussões sobre purê de batata no cachorro-quente, o Carnaval não fugiria à regra. E os estereótipos que permeiam o imaginário das duas capitais se repetem quando parte do público se refere aos Carnavais de ambas. Seria o paulistano mais certinho, mais organizado, mais engessado? Seria o carioca mais popular, mais fantasiado, mais "raiz", como se diz no dialeto da internet?

De todo modo, os clichês não estão errados. Blocos que desfilam em ambas as cidades acham mais fácil a inscrição e a organização de São Paulo, mais com cara de folia "profissionalizada". Por outro lado, estranham as limitações de horário nos desfiles paulistanos, concentrados entre 9 e 19 horas, sem a espontaneidade e a maratona dos cortejos cariocas.

"A diferença é fato", atesta Gigante César, um dos fundadores do Bunytos de Corpo. Voltado para a sátira ao culto exagerado da aparência, o bloco faz brincadeiras referentes a atividades físicas. "No Rio, o pessoal se joga mais, compra mais a ideia, vai fantasiado", afirma.

Os cariocas vão ao desfile com roupas néon, macacões e outros itens que remetem ao universo das academias, mas a situação não se repete na mesma proporção em São Paulo — onde o bloco também desfila desde 2020.

"O pessoal de São Paulo não tem a cultura de Carnaval há tanto tempo", diz César. Mas, para ele, a situação tem mudado. "Acho que esse ano vai ser mais interativo."

Ele cita o exemplo de outro bloco de que participava, que tinha referências ao Egito e gerou reclamações do público quando não desfilou. Os foliões não apenas ficaram indignados como também improvisaram a fundação de uma agremiação com proposta semelhante. Tudo isso para não perder a oportunidade de se reunir com outros faraós e fantasiados ao estilo egípcio.

Já sobre o polêmico uso do diminutivo paulista em terras cariocas, César avalia que o "inho" paulistano não é uma forma de desprezar o Carnaval. "Carnaval é tudo, é bloquinho, é blocão..."

Outro ponto que diferencia as duas experiências é o folião. No Rio, parte mais significativa do público planeja fantasias, às vezes alinhadas com a proposta dos blocos ou com os assuntos em alta no momento. No pré-Carnaval carioca, por exemplo, diversas pessoas se vestiram de geleia da Shakira, em referência ao episódio que teria sido chave para que a cantora descobrisse que era traída pelo marido, o jogador Piqué.

Já os paulistanos não são tão afeitos a produzir fantasias personalizadas. Nos blocos, o mais comum é encontrar foliões com acessórios e maquiagem brilhante e algum adereço na cabeça, às vezes uma plaquinha com um trocadilho ou similar. Para além disso, fantasias mais criativas não são tão comuns de encontrar entre o público de São Paulo, embora também ocorram.

Outro que desfila nas duas cidades é o Quizomba, igualmente nascido no Rio e que começou a realizar oficinas e cortejos entre os paulistanos há mais de dez anos. Hoje, o maestro e diretor do bloco, André Schmidt, avalia que a experiência é semelhante em ambas as capitais, mas ainda com algumas diferenças.

"O Rio tem mais cultura de Carnaval, há mais tempo", diz, ao citar a retomada dos desfiles de rua cariocas no começo dos anos 2000. "É mais popular que em São Paulo. Até dez anos atrás, era feito em São Paulo apenas por grupos antigos, mais tradicionais."

Por outro lado, o músico diz que a animação é semelhante. "O público que curte. São Paulo está agora bem abastecida de Carnaval", diz. "Acho que cada vez mais o Carnaval de São Paulo se aproxima em entusiasmo e alegria do Rio. As baterias estão tão boas quanto."

Entre os pontos que aproximaram as duas cidades, Schmidt cita a colaboração de blocos cariocas com os paulistanos (o Quizomba tocou, por exemplo, em edições do Acadêmicos do Baixo Augusta) e a realização de oficinas de percussão em São Paulo.

"Como a gente forma todo ano de 100 a 120 batuqueiros, eles se encontram e criam blocos. As oficinas acabam incentivando essa galera", aponta. Para ele, a forma de se referir às agremiações no diminutivo é cultural. "Não é pejorativo. Acho charmoso", diz.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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