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De bullying sobre a aparência a fortão na Marvel: Will Poulter tenta se acostumar à fase de super-herói

Ator, que interpreta Adam Warlock em 'Guardiões da Galáxia Vol. 3', se afastou das redes sociais após críticas

Cinema|Kyle Buchanan, do The New York Times

Will Poulter, astro de 'Guardiões da Galáxia Vol. 3', na cidade de Londres
Will Poulter, astro de 'Guardiões da Galáxia Vol. 3', na cidade de Londres Will Poulter, astro de 'Guardiões da Galáxia Vol. 3', na cidade de Londres

Mesmo as pessoas que não sabem o nome de Will Poulter reconhecem seu rosto. Ajuda o fato de que o britânico de 30 anos atua há mais de 15 e acumulou uma lista eclética de créditos no cinema, embora também seja abençoado com um par de sobrancelhas distintas, curvilíneas e expressivas como uma flor-de-lis, que atrai as pessoas, mesmo que nem sempre saibam onde o viram.

"Para ser sincero, a maior parte das minhas interações é: 'Eu te conheço de algum lugar? Você é o cara daquele filme? Onde foi que te vi?'", contou o ator.

Frequentemente, isso o força a citar uma lista de seus filmes até que um deles seja a resposta. Muitos se lembram de Poulter como o cara tímido que recebeu lições de beijo de Jennifer Aniston em Família do Bagulho ou o amigo impetuoso que tem um fim dramático em Midsommar: O Mal Não Espera a Noite. Ou talvez tenham crescido assistindo a alguma série que ele coestrelou, como Maze Runner: Correr ou Morrer e As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada.

Poulter é um sujeito paciente, mas, ao atender um estranho, pode se meter em alguns momentos constrangedores: "Ninguém gosta de relatar seu currículo", comentou.

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Agora, as conversas "de onde você me conhece" terão um trunfo: ele se juntou ao Universo Cinematográfico Marvel, interpretando o super-herói Adam Warlock em Guardiões da Galáxia Vol. 3.

Descrito nos quadrinhos como um ser perfeito geneticamente modificado, o Warlock de Poulter tem pele dourada brilhante e poderes perigosos: se você imaginar uma estatueta do Oscar que pode disparar feixes cósmicos das mãos, vai chegar bem perto.

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Will Poulter como Adam Warlock em 'Guardiões da Galáxia Vol. 3'
Will Poulter como Adam Warlock em 'Guardiões da Galáxia Vol. 3' Will Poulter como Adam Warlock em 'Guardiões da Galáxia Vol. 3'

Apresentado voando pelo espaço sideral ao som do rock de Crazy on You, da banda Heart, Warlock é uma figura significativa na história da Marvel, embora ainda esteja se formando quando o conhecemos no novo filme dos Guardiões: expulso de seu casulo de nascimento um pouco cedo demais, Warlock tem um senso dúbio de certo e errado, o que dá a Poulter várias tiradas surpreendentes em suas discussões com os Guardiões enquanto considera se juntar ao grupo.

"Ele trouxe vida e realidade para alguém que é essencialmente uma criança no corpo de um adulto. E está musculoso", disse o roteirista e diretor do filme, James Gunn, que escolheu Poulter entre muitos candidatos.

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Embora tenha sido frequentemente escalado para interpretar geeks magricelas no início da carreira, Poulter recentemente se transformou com o auxílio dos exercícios: com 1,88 m de altura e músculos estilo Marvel, seguiu o caminho dos colegas atores britânicos Nicholas Hoult e Dev Patel, que interpretaram adolescentes realisticamente desajeitados na tela antes que se transformassem em galãs de Hollywood.

Apenas alguns anos atrás, Poulter sofria bullying nas redes sociais por causa da aparência, mas, depois de sua transformação física, foi tema de tuítes elogiosos e artigos que o incluíam entre os queridinhos da internet. É o suficiente para animar qualquer um, e Poulter afirmou que ainda está analisando a mudança.

"É muito estranho, porque meio que formei minha personalidade em torno de certa imagem. Psicologicamente, ainda tenho 1,64 m, minha altura na escola. Mesmo minha altura é uma coisa com a qual ainda estou me acostumando."

Embora possa ter seus senões, a interpretação sempre foi um espaço seguro para Poulter. Na pré-adolescência, no bairro de Hammersmith, em Londres, ele passava toda a semana escolar ansioso pela aula de teatro na sexta-feira de manhã, na qual podia tirar os sapatos e explorar a criatividade.

Aos 12 anos, seus professores de teatro o incentivaram a fazer um teste para a comédia indie O Filho de Rambow; conseguiu o papel de destaque no filme na primeira tentativa, e filmou durante oito semanas em suas férias de verão.

"Como minha introdução à indústria cinematográfica, eu não poderia ter pedido uma experiência mais gentil, agradável e saudável. Realmente, fiquei animado para fazer isso de novo."

Poulter tem trabalhado constantemente desde então – você também pode tê-lo visto em papéis coadjuvantes em dramas de prestígio como O Regresso e Detroit em Rebelião –, ao mesmo tempo que vem enfrentando o desafio único de crescer aos olhos do público.

Will Poulter em 'Black Mirror: Bandersnatch'
Will Poulter em 'Black Mirror: Bandersnatch' Will Poulter em 'Black Mirror: Bandersnatch'

Aos 19 anos, seu papel como Kenny em Família do Bagulho o destacou, mas levou a um aumento no bullying de estranhos; mais tarde, depois de interpretar um designer de jogos de computador no episódio Bandersnatch, de Black Mirror, em 2018, alguns usuários das redes sociais fizeram comentários tão desagradáveis sobre sua aparência que Poulter anunciou que se afastaria do Twitter para preservar sua saúde mental.

É por isso que, agora que surgiram tuítes apreciativos em vez de piadas cruéis, Poulter está cético quanto a dar crédito ao que as mídias sociais têm a dizer sobre ele.

"Isso não deve influir na maneira como me cuido, porque não conheço essas pessoas. Um dos perigos das redes sociais é que podemos confundir coisas que existem on-line com o mundo real sem sequer questioná-las. Simplesmente vemos isso e não nos perguntamos se de fato adiciona alguma coisa no fim das contas." Ele sorriu. "Essa é uma analogia matemática ruim vinda de alguém que é extremamente disléxico."

Se as pessoas acham que sua transformação física se deu da noite para o dia, Poulter não quer que achem que ele recorreu a substâncias para alcançá-la. "Obviamente, existe muita pressão sobre os jovens, tanto homens como mulheres, em relação à imagem corporal. Estou sendo meio cuidadoso com as palavras, mas, se você for promover o processo pelo qual atingiu esse objetivo corporal, precisa ser totalmente transparente sobre como chegou lá."

Outros atores são menos transparentes sobre entrar em forma? "Talvez. Não cabe a mim dizer", rebateu Poulter. Mas, mesmo com todo o esforço para obter sua musculatura padrão Marvel, ele sabe que isso não impediu as pessoas de especular. "A fábrica de boatos estava enlouquecida. Minha mãe me mandou uma mensagem de alguém perguntando: 'Will fez cirurgia plástica?'"

Embora Poulter tente ignorar tudo isso, um clipe que viralizou ainda o incomoda: no YouTube, um preparador físico analisou uma foto de Poulter sem camisa do filme Dopesick e criticou a equipe do jovem ator ao supor que ela lhe impôs determinada dieta.

"Tem milhões de visualizações. Será que me incomoda que alguém acredite nisso ou pense que fiz isso de uma maneira que vai contra o que defendo? Certamente. Mas acho que a questão é aprender a abrir mão de seu controle sobre esse tipo de coisa e só esperar que haja pessoas suficientes que saibam o que está acontecendo."

Discutimos sua iminente turnê mundial de imprensa para Guardiões, embora Poulter tenha dito que genuinamente não sabia se a Marvel tinha planos maiores para ele além desse filme: "Isso meio que depende de como as pessoas respondem ao personagem."

Mas, mesmo que seja apenas uma vez, interpretar Warlock foi uma experiência valiosa, segundo o ator. Quando ele começou a trabalhar na produção, Gunn lhe disse que não deveria ter medo de errar. Para alguém que luta com a forma como pode ser percebido, esse conselho foi assustador, mas libertador também.

Esse é o tipo de percepção que mantém Poulter apaixonado por interpretar, mesmo quando tantas outras coisas na carreira podem ser complicadas. "Pode ser estressante, doloroso e, falando claramente, difícil e desgastante para a saúde mental, mas também acho que é necessário refletir sobre a própria psique e pensar no seu impacto no mundo ao redor. É uma jornada psicanalítica bonita, da qual estou gostando muito."

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c. 2023 The New York Times Company

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