Casos de assédio no mercado pop são mais comuns do que se imagina
Famosos têm expostos casos em que foram abusados sexualmente
Famosos e TV|Helder Maldonado, do R7

Casos de assédio na indústria do cinema e da música são comuns. Até mais do que se imagina. Porém, nem sempre eles são divulgados pelas vítimas. O medo de represálias e dos efeitos que a exposição possa causar faz com que muitas pessoas se calem e jamais comentem sobre esses crimes.
Mas desde 2015 as coisas tem mudado. À época, o ator Bill Cosby foi acusado de estuprar mais de 30 mulheres durante a carreira. As denúncias fizeram com que ele, então com 78 anos, fosse preso e julgado sobre as denúncias de ter drogado e violentado as vítimas.
No mesmo período, a revista New York Magazine estampou uma capa com 35 mulheres que acusavam o comediante. Durante o julgamento, 14 delas foram ouvidas.
Ele não é o único a ter um histórico como esse. No início de outubro, o produtor Harvey Weinstein foi denunciado por ter abusado de inúmeras atrizes de Hollywood. O caso veio à tona em uma matéria feita pelo jornal The New York Times.
Mira Sorvino, Rosana Arquette, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Léa Seydoux estão entre as famosas que relataram ser vítimas de Harvey.
Ele chegou a publicar um pedido de desculpas. No entanto, acabou perdendo o emprego na The Weinstein Company. A Academia de Hollywood, organizadora do Oscar, anunciou que vai discutir as alegações e avaliar medidas punitivas ao produtor. A esposa de Weinstein, Georgina Chapman, afirmou à revista People que vai deixar o marido, com quem tem dois filhos.
Ponta do Iceberg
Segundo a imprensa intarnacional e o ator Rob Schneider, as acusações sobre Weinstein é só o começo de uma era onde diversos poderosos do show business poderão ser desmascarados.
E esse movimento já começou. Ao ter contato com o caso, Terry Crews, mais conhecido no Brasil pelo papel de Julius, na série Todo Mundo Odeia o Chris, resolveu se posicionar sobre o caso.

O ator diz ter sofrido estresse pós-traumático ao saber desses casos e contou que, apesar de nunca ter sido uma pessoa fisicamente vulnerável, também foi assediado por um produtor.
— Eu passei por algo assim! Minha esposa e eu estávamos em uma festa em Hollywood no ano passado quando um executivo veio e simplesmente agarrou meus órgãos sexuais. Eu ia acabar com a raça dele ali mesmo, mas pensei duas vezes e sabia o que iam pensar. "Homem negro enorme bate em executivo importante de Hollywood" seriam as manchetes no dia seguinte. Só que eu provavelmente não poderia lê-las, pois estaria na cadeia (...) Hollywood não é o único lugar em que isso acontece, e Harvey Weinstein não é o único predador no mundo.
Denúncia da Islândia
Na esteira desse caso, Björk resolveu se pronunciar. A cantora teve uma única experiência relevante como atriz, no filme Dançando no Escuro, de 2000. Nas redes sociais, ela contou que naquele período foi abusada pelo diretor do longa, Lars Von Trier. No entanto, ela omite o nome dele, mas este foi o único dinamarquês com que ela trabalhou nas telonas.
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— Inspirada pelas mulheres ao redor do mundo que estão testemunhando online [sobre abusos sexuais sofridos], contarei minha experiência com um diretor dinamarquês. Como venho de um país que é um dos lugares do mundo onde existe maior igualdade entre os sexos e por causa da forte independência que conquistei duramente no mundo da música, logo ficou claro para mim, quando fiz minha estreia como atriz, que minha humilhação e papel como ser sexualmente assediado era a norma para aquele diretor e a maior parte de sua equipe, que permitia essa situação e a encorajava. Percebi que é algo universal o fato de que um diretor pode tocar e assediar suas atrizes à vontade e que a instituição do cinema permite isso.

A isalandesa escreveu que, ao recusar as investidas dele, o clima ficou ruim no set de filmagens
— Ele ficou irritado e me puniu e criou uma ilusão para a equipe onde eu fui enquadrada como a "difícil". Por causa da minha força, minha equipe e porque não tinha nada a perder e não tinha ambições no mundo da interpretação, fui embora e me recuperei dentro de um ano. Tenho medo que outras atrizes que trabalharam com esse diretor não tenham conseguido se recuperar. O diretor estava ciente deste jogo e tenho certeza que seu filme seguinte foi baseado em sua experiência comigo. Porque eu fui a primeira a me posicionar e a não deixar ele conseguir o que queria. Na minha opinião, a relação dele com as atrizes melhorou após ser confrontado por mim, então há esperança. Torço para que esta declaração apoie atrizes e atores ao redor do mundo. Vamos acabar com isso. Há uma onda de mudança no mundo.
Essa não é a primeira vez que Von Trier é acusado de ser misógino e problemático. Durante as gravações de Dogville, ele teria se desentendido com Nicole Kidman, que recusou qualquer convite posterior do diretor. O que levou os dois a essa situação ainda é uma incógnita.
Na música também acontece

Kaya Jones, ex-integrante do Pussycat Dolls, revelou no Twitter na manhã desta segunda (16) que o grupo pop funcionava como uma "rede de prostituiação".
— Em 2004, falei aos executivos de Hollywood. 2005/2006, falei para a imprensa. Em 2011, falei de novo. Espero que vocês possam me ouvir agora em 2017. Robin (Antin, fundadora do grupo) e a gravadora fizeram todo o dinheiro. Nós, como Pussycat Dolls, recebíamos US$ 500 por semana. Enquanto estávamos sendo abusadas e usadas. Abuso é abuso. Não importa se é mental, físico ou emocional. A indústria da música precisa de uma limpeza.
Procurada pelo jornal Daily Mail, Autin afirmou que Jones “está em busca de 15 minutos de fama” e afirmou que as acusações são “nojentas e uma mentira ridícula”.