Marcos Hummel comemora 45 anos de TV: 'Parece que foi ontem'

'O jornalismo é uma segunda escola para as pessoas, talvez a primeira. É onde elas vão se informar para se posicionar em relação a vida', disse o jornalista

'Já fui as lágrimas durante a apresentação do jornal'

'Já fui as lágrimas durante a apresentação do jornal'

Edu Moraes/Record TV

"Parece que foi ontem, eu ainda me lembro do nervosismo que senti no primeiro dia. É muito rápido". São com essas palavras que Marcos Hummel, apresentador do Câmera Record, da Record TV, resume 45 anos de carreira na televisão. 

Antes de se tornar um rosto conhecido, o apresentador trabalhou em bancos, cartórios, multinacionais. Tudo o que queria era um trabalho que pagasse as contas. Televisão? Era apenas um sonho. Coisa distante. 

Aos 27, beirando os 28 anos, se viu desempregado. Nessa época, decidiu procurar trabalho em uma agência de publicidade, onde ouviu do proprietário da empresa que tinha talento para o vídeo. Ali também havia um senhor. Ele se chama Miranda e trabalhava no departamento comercial da TV Globo.

Marcos Hummel, então, topou fazer um teste. Havia 30 outros candidatos para uma vaga de apresentador. "Meu teste foi uma porcaria, foi isso que me falaram, mas disseram também que sentiam que eu tinha um potencial a ser desenvolvido", contou. Contratado em junho de 1975 para o primeiro emprego como locutor e apresentador, há quase cinco décadas, Hummel nunca mais parou, tendo assumido, assim, as mais importantes bancadas de telejornais das principais emissoras do país.

Quarentena

Afastado temporariamente do trabalho por pertencer ao grupo de risco do novo coronavírus, Marcos Hummel contou como está lidando com a quarentena. "Tenho tirado de letra, até porque sou muito caseiro, gosto muito de ficar em casa, ler, ouvir música e conversar com a minha família e com a minha filha. Não tem sido assim difícil, tão angustiante."

Marcos Hummel à frente do 'Câmera Record'

Marcos Hummel à frente do 'Câmera Record'

Divulgação/Record TV

Ficar de fora do jornalismo em um momento considerado "histórico" não é uma questão para o apresentador. Ele explicou: "Gostaria muito de estar trabalhando, claro, mas na minha cabeça, não tem nada disso 'de ser histórico'. Todo momento para mim, e eu acho que para todo jornalista, deveria ser igual, não é? E, para mim, não existe notícia mais ou menos importante. Cada uma tem um peso que vai refletir na formação da cabeça do telespectador. Acho que o jornalismo é uma segunda escola para as pessoas, talvez a primeira. É onde elas vão se informar para se posicionar em relação a vida".

"Fui as lágrimas durante a apresentação do jornal"
Marcos Hummel

Sangue frio x lágrimas ao vivo

Exceto àquele que tem permissão da emissora para opinar sobre as notícias apresentadas no telejornal, a principal função do apresentador é transmistir a informação para o telespectador. E para isso, segundo Hummel, é preciso "sangue frio". "Fazer de conta que está trabalhando com material inerte que não vai provocar nenhuma reação", disse. "Certa vez, me senti muito mexido ao dar uma notícia sobre um deslizamento de terra no Rio de Janeiro. A cada chuva de verão, são resgastes de corpos, famílias enlutadas... Isso me marcou muito, fui as lágrimas durante a apresentação do jornal", relembrou.

"Se hoje, pudesse dizer que acabou a pandemia seria ótimo, melhor ainda seria a cura do câncer"
Marcos Hummel

A notícia que gostaria de dar

Questionado sobre o subtítulo acima, o apresentador não teve dúvida em associar o coronavírus, que ainda insiste em matar milhares de pessoas ao redor do mundo. "O tempo todo estamos nessa expectativa. Assim como cientistas que estão pesquisando a cura, a gente está também ávido de transmitir essa notícia." Mas, mais que a cura da covid-19, Hummel disse que desajaria levar uma outra importante informação ao telespectador. "Se hoje, pudesse me sentar e dizer que acabou a pandemia seria ótimo, melhor ainda seria a cura do câncer. E de algumas doenças que afligem a a humanidade", revelou.

Jornalista gostaria de noticiar a cura do câncer

Jornalista gostaria de noticiar a cura do câncer

Edu Moraes/Record TV

Trocando as bolas

Marcos Hummel é um dos poucos apresentadores de televisão que escapou de ter uma extensa lista de vídeos no canal do YouTube "pagando mico" ao vivo. Mas o fato não o deixa fora de um momento inusitado. "Não sei se eu fui confundido, mas já me chamaram por outro nome, muitas e muitas vezes. E teve um momento interessante. Eu estava em uma festa e eu vi uns jornalistas com câmeras, fazendo entrevistas. De repente, a pessoa me chamou e eu estava com minha mulher e minha filha do lado. Minha filha ficou comigo durante o tempo que eu dei aquela entrevista, e o rapaz perguntava sobre a minha vida, minha carreira, enfim. No final, ele se virou para minha filha e disse assim: 'Como é ser filha do Hermano Henning?'. Algum tempo depois, eu me encontro com o Hermano no salão de cabeleireiro e ele me conta que uma pessoa pediu autógrafo a ele achando que era eu. Interessante, né? (risos)."