Kleiton & Kledir fazem 40 anos com estilo próprio: 'Difícil nos rotular'

Apesar da pausa nos shows devido à pandemia, irmãos já compuseram música durante a quarentena. 'Uma canção de esperança', diz Kleiton

Os irmãos Kleiton & Kledir comemoram 40 anos da dupla

Os irmãos Kleiton & Kledir comemoram 40 anos da dupla

Bolivia e Cátia Rock/Divulgação

Kleiton & Kledir estão celebrando 40 anos de carreira da dupla gaúcha. No momento, os irmãos esperam a pandemia passar para seguir com todos projetos comemorativos. E, sem parar de trabalhar, eles já estão compondo novas músicas durante a quarentena.

Entre os planos da dupla que tiveram mudança momentânea, estão o espetáculo Kleiton & Kledir + OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre), show em Nova York, biografia, exposição retrospectiva, um filme e especial para TV. "Com a pandemia tivemos que repensar tudo. Além do que estava previsto ter sido transferido para novas datas, também partimos para realizar lives e adaptar os projetos possíveis para internet", informa Kleiton.

Por enquanto, além dos shows online, os artistas lançaram no YouTube a versão digital do CD/DVD Kleiton & Kledir Ao Vivo (2005), junto com clipe e making of de turnê. O disco registra o espetáculo gravado em Porto Alegre, trazendo sucessos como Tô que Tô, Deu pra Ti, Vira VirouMaria Fumaça e Corpo e Alma (veja abaixo).

Kleiton relembra o projeto ao vivo. "Depois do mega sucesso nos anos 80, a dupla merecia um registro em DVD, além de oferecer para o público essa memória importante e apresentar nossos hits para as novas gerações. É o depositário de uma época importante para a cultura do sul do Brasil."

Outra boa notícia para os fãs é que Kleiton & Kledir já estão compondo à distância. "Canção Paz e Amor foi gravada e filmada com o MPB4 e será lançado em breve um clipe desse tema, registrado na quarentena. É uma música de esperança", revela Kleiton.

O R7 conversou com exclusividade com os irmãos sobre carreira, aniversário de 40 anos e novidades. Veja os destaques do bate-papo.

R7 — Com a pandemia, como vocês ajustaram as comemorações de 40 anos?
Kleiton —
Começamos bem com muitos projetos previstos para 2020, em comemoração aos 40 anos. Conseguimos realizar em janeiro um belo show com a Orquestra Teatro São Pedro, assistido por mais de 20 mil pessoas, na praia do Laranjal, em Pelotas (RS). Porém, com a pandemia, as coisas mudaram e tivemos que repensar tudo. E temos encarado o isolamento a sério e sugerido que os fãs façam o mesmo.

R7 — E são diversos projetos...
Kledir — 
A celebração toda começaria com o espetáculo Kleiton & Kledir + OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) e incluiria discos, shows, livros, exposição retrospectiva, um filme e um especial de TV. A maioria dos planos tiveram que ser adiados para 2021 ou adaptados para a internet. Já os projetos que estão sendo mantidos, acabaram recebendo uma atenção especial, como é o caso do lançamento digital do nosso CD/DVD ao vivo (Biscoito Fino). 

R7 — O que vocês mais lembram da produção do primeiro disco? Depois de 40 anos, ele ainda continua atual?
Kledir —
Lembro da alegria de poder contar com ótimas condições de trabalho: grandes músicos e arranjadores, os melhores estúdios e a orientação preciosa do Mazzola, diretor artístico da gravadora. Em relação a continuar atual, isso é tudo que um artista deseja, que sua obra vá permanecendo no tempo. É muito bom saber que, depois de 40 anos, músicas como Vira Virou, Fonte da Saudade e Maria Fumaça continuam sendo ouvidas e cultuadas.

K&K colecionam hits

K&K colecionam hits

Rodrigo Lopes/Divulgação

R7 — O Kledir já disse: 'Não somos de nenhuma turma. Gostamos de Beatles, milonga e Noel Rosa'. Vocês fazem um som sem rótulos?
Kleiton —
Kledir foi feliz com essa frase, indicando nossa formação plural. Em detalhes, estudamos música erudita (Composição e Regência) e sempre escutamos muita MPB, além de sons latino-americanos, música internacional, folclore do sul do País, entre muitas outras fontes generosas. Isso foi importante para criarmos o que hoje posso chamar de "estilo Kleiton & Kledir". É difícil rotular a dupla...

R7 — Como vocês estão passando a quarentena?
Kledir —
Moramos no Rio de Janeiro há muitos anos. Pessoalmente, estou bem. Ficar em casa, para mim, é muito tranquilo, não sou de sair mesmo. O problema é a situação de angústia e preocupação que esse vírus espalhou. A maioria das pessoas está perturbada. O pior para nós, artistas, é que nossa atividade está parada, basicamente a gente depende da rua, do teatro. E existe um enorme contingente de profissionais que trabalha nos bastidores e está sem trabalho e sem dinheiro.

R7 — E já surgiu alguma composição nesse período...
Kleiton —
Sim, o período de isolamento não diminuiu nosso ritmo de trabalho. Pelo contrário, acho que temos trabalhado mais do que antes. É preciso preparar-se para o "novo normal" que vem por aí. Destaco, entre as novidades criadas pela dupla, Canção Paz e Amor, que foi gravada e filmada com o MPB4. Será lançado em breve um clipe desse tema, registrado na quarentena. Foi muito bom fazer um novo trabalho como esses queridos amigos, tão importantes em nossa carreira, mesmo que tenha sido apenas através de encontros virtuais. É uma canção de esperança.

R7 — Quais são os planos para depois da quarentena?
Kledir —
Assim que passar esse período, o plano imediato será colocar em ação toda a programação que tínhamos planejado para 2020, a começar pelo show com a OSPA, seguindo com todos os espetáculos que foram adiados: a temporada de 40 anos e os projetos paralelos com Nenhum de Nós, Expresso Rural e Casa Ramil.