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Musical ‘Cantando na Chuva’ faz chover no palco pela última vez neste fim de semana em SP

Temporada com Rodrigo Garcia e Gigi Debei se destaca com efeitos especiais vindos da Inglaterra

Música|Sandra Lacerda*


Gigi Debei e Rodrigo Garcia em 'Cantando na Chuva' João Caldas Filho/Divulgação

“Quem está na chuva é para se molhar.” O musical Cantando na Chuva leva esse ditado a sério: tem encantado o público paulistano por, literalmente, fazer chover no palco do Teatro Sérgio Cardoso. E este é o último final de semana para ver o espetáculo.

A produção, que adapta o clássico do cinema de 1952, tem diálogos divertidos, romance, coreografias impressionantes e muito sapateado.

Os artistas e até quem está na primeira fila acabam se molhando, ao som de Singing in the Rain, graças a um moderno sistema de água importado da Inglaterra que é adotado por todas as montagens de Cantando na Chuva ao redor do mundo.

São cerca de 2.000 litros que “caem do céu” a cada cena de chuva. Embaixo do palco, dutos que conduzem a água para um tanque de tratamento na coxia. Lá, o líquido é filtrado, aquecido e fica pronto para ser reutilizado nas apresentações seguintes.

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“Poucas pessoas no mundo puderam viver isso. Estar tomando chuva dentro de um teatro e representar essa cena tão marcante é uma honra para mim”, afirma o ator Rodrigo Garcia, que dá vida ao protagonista Don Lockwood, em entrevista ao R7.

Ele, que já interpretou Dimitry no musical Anastásia, conta que Lockwood é um personagem ainda mais desafiador — especialmente pelo fato de o papel ter ficado marcado pela interpretação de Gene Kelly.

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O filme é um registro histórico dos anos dourados do cinema e retrata a transição das produções mudas para as faladas. A história se apoia no romance de Lockwood, um popular astro de cinema mudo que precisa se adaptar à chegada do som às telonas, com Kathy Selden, atriz e cantora em ascensão que rouba a cena no cinema falado.

Caindo na chuva

Rodrigo Garcia em 'Cantando na Chuva' João Caldas Filho/Divulgação

Conhecedor ou não dos clássicos do cinema, é muito provável que você já tenha visto a cena icônica de Lockwood cantando Singing in the Rain enquanto dança com seu guarda-chuva, sapateia e rodopia em postes de luz pela rua. Esse momento, talvez o mais esperado, é anunciado pelo som de trovões, que já deixam a plateia ansiosa.

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Quando a chuva cai no palco, Garcia faz parecer que cantar, dançar e sapatear debaixo d’água é uma tarefa fácil e divertida.

“Uma vez li uma crítica nas redes sociais que dizia: ‘Ah, mas não parece que ele está cantando, parece que ele está brincando’. Eu não poderia ficar mais feliz”, afirma o ator. “A ideia é que pareça que Don está brincando e comemorando sua paixão por Kathy. É exatamente isso o que eu quis passar.”

Embora seja um dos números mais felizes do musical, é também um dos que impõe mais desafios ao protagonista, que precisa ter muito equilíbrio para não desabar no piso molhado.

“Eu caí uma única vez”, conta Garcia. “Por incrível que pareça, foi em um momento perfeito, no final da música. Escorreguei, caí de bunda e fiquei rindo ali no chão. E teve gente que achou que fazia parte da cena mesmo.”

A atriz Gigi Debei, que dá vida a Kathy Selden, conta que está vivendo “a realização de um sonho”.

“A chuva foi um grande desafio. A gente escorrega, cai. Mas nunca vou me esquecer da primeira vez em que a água caiu sobre nós. Eu amei.”

Luz, câmera, ação!

Gigi Debei e Rodrigo Garcia em 'Cantando na Chuva' João Caldas Filho/D

De cortinas abertas, durante os 15 minutos de intervalo, a equipe técnica entra em cena com panos e rodos para secar o piso e retirar a água do palco.

Para Gigi Debei, essa liberdade faz com que a plateia se sinta em um set de gravações. “No teatro, essas pequenas interações são permitidas porque estamos falando de cinema. Durante a peça, os contrarregras também vão modificando o cenário, o que dá movimentação à cena.”

Figurino à prova d’água

Para que o barulho da chuva não atrapalhe o som de sua voz, Rodrigo Garcia usa seis microfones diferentes. “São dois normais, dois à prova d’água localizados na orelha, um no pé para captar o sapateado e um no chapéu.”

Os figurinos foram confeccionados com um material impermeável e, na parte de trás do palco, foram adaptadas secadoras que deixam as roupas prontas para as apresentações — que, aos fins de semana, ocorrem à tarde e à noite.

Comédia

Os personagens Cosmo Brown, interpretado brilhantemente por Mateus Ribeiro, e Lina Lamont, vivida por Fefe Muniz, são responsáveis pelos trechos mais divertidos. Enquanto ele é o melhor amigo do mocinho, ela é uma antagonista caricata que, por ter uma voz muito peculiar, vê sua carreira ameaçada em Hollywood com a chegada do cinema falado.

Brown acompanha o protagonista nas crises existenciais e nos números de sapateado.

“Assim que conheci o Mateus, falei que precisávamos agir como irmãos em cima do palco. E tenho certeza de que conseguimos passar isso para o público”, conta Garcia.

Ribeiro rouba a cena durante a música “Faça Rir”, cantada para animar o amigo, que está desconfiando de seu potencial como ator. Simplesmente espetacular.

Na reta final de apresentações, Gigi reforça o convite ao público. “Cantando na Chuva é alegria. É uma peça que te deixa leve. Nesta semana, as emoções estão à flor da pele. Para o elenco, é tudo três vezes mais lindo. Quero que as pessoas saiam felizes a ponto de querer sair cantando na chuva de São Paulo.”

Serviço:

Local: Teatro Sérgio Cardoso (rua Rui Barbosa, 153, São Paulo)

Sessões: Sexta às 20h; sábado, às 15h e às 19h30; e domingo, às 15h e às 19h30

Ingressos: de R$ 19,80 a R$ 320

Venda: sympla.com

*Sob supervisão de Vivian Masutti

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