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"Papo de Malandro", no Galpão 178, na Barra Funda vai resgatar a história do Samba com boa comida e música

Projeto em restaurante-antiquário vai promover o encontro com grande nomes do samba

Música|Juca Guimarães, do R7

Rubinho (e), Nereu (c) e Eugênio Pimenta (boné) no Galpão 178
Rubinho (e), Nereu (c) e Eugênio Pimenta (boné) no Galpão 178 Rubinho (e), Nereu (c) e Eugênio Pimenta (boné) no Galpão 178

A frase mais injusta nos cem anos do Samba, comemorados agora em novembro, diz que São Paulo é o túmulo do ritmo. Essa não é a verdade. A capital paulista é responsável por capítulos importantes na história do Samba e, atualmente, é um laboratório experimental para o resgate e a evolução no nosso ritmo, genuinamente brasileiro.

Em São Paulo, o samba surgiu na Barra Funda, na zona Oeste, por conta do agito da vida noturna do bairro e das estações de trens que traziam pessoas de diversos lugares do Estado e do País. O preço baixo da moradia e alegria natural da Barra Funda foram fundamentais para o crescimento do samba paulista.

Atualmente é lá também que começa a ser traçada a ponte entre a história tradicional do samba e suas novas vertentes de estrelas. Criado a mais ou menos um ano, o Galpão 178, na rua do Bosque, no número 178, é uma mistura muito bem ajeitada e aconchegante de antiquário, bar, restaurante e centro cultural.

O proprietário é o músico e construtor Eugênio Pimenta, apaixonado por samba, decoração, design e gastronomia. Junto com a mulher Luciana Torquato, que também administra a casa, Pimenta elabora um cardápio variado de comida caseira com toque autoral para um seleto público, são servidas entre 20 e 30 clientes, de sexta a domingo. O antigo galpão também é a moradia do casal e todos são em clima familiar e de amizade. "Fazemos a nossa comida e servimos para os clientes. O cardápio é divulgado de dois a três dias antes. Por enquanto não precisa fazer reserva, mas como a quantidade é limitada acho que vai chegar a hora de ter que agendar sim", disse Pimenta.

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O Galpão 178 também é o berço de um projeto inovador do Eugênio que reúne música boa, bate-papo e resgate cultural do samba. "O projeto chama 'Papo de Malandro' e consiste num evento cultural com a participação de grandes nomes do samba que virão aqui participar de uma roda de conversa, falar dos discos, das gravações antigas e cantar alguns refrões", disse.

O encontro cultural "Papo de Malandro" está na fase final de elaboração e as primeiras edições serão anunciadas na página do Galpão 178, no Facebook. "Vai ter um personagem, o malandro, que vai conduzir o papo e ajudar a relembrar as grandes histórias da MPB e do samba", disse Eugênio.

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Amigos para participar do Papo de Malandro é que não falta. Com bastante experiência na noite, Eugênio já recebe com frequência no Galpão 178 lendas do samba. Na tarde em que o R7 esteve no Galpão 178, estavam lá o Nereu, fundador do Trio Mocotó, que já tocou com Jorge Benjor, Dizzy Gillespie e foi compadre da Elis Regina; Rubinho que começou a carreira aos 15 anos no lendário grupo Originais do Samba e que também gravou quatro discos com o Trio Mocotó e o Joãozinho Carnavalesco, também ex-Trio Mocotó e Originais do Samba.

"Tenho muita história para contar. Estão gravando um documentário sobre a minha história e já tem quatro anos de pesquisa e olha que eles ainda nem começaram a gravar no Rio de Janeiro", orgulha-se Nereu.

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Nos anos 60, no auge dos programas musicais nas emissoras de TV, Nereu, com os parceiros do Trio Mocotó, comandou o programa "As Transas do Trio Mocotó, na TV Record. "Foi um sucesso estrondoso. As gravações eram em um estúdio na avenida Miruna, pertinho do aeroporto de Congonhas, todos os artistas que vinham do Rio já iam direto para lá gravar com a gente. Era uma anarquia muito gostosa e com música da melhor qualidade", disse Nereu.

Para Rubinho, que vai ser o mestre de cerimônias do "Papo de Malandro", a música trouxe muitas alegrias, amigos e a chance de conhecer o mundo todo. "Viajei muito com o Trio Mocotó e com os Originais do Samba. No começo, como era muito novo tinha que ter a autorização por escritos dos meus pais para ir", disse o percurssionista.

A ideia do "Papo de Malandro" não é só ficar nas histórias antigas. Na visão de Rubinho, o samba está em constante evolução e é a base das novidades que surgem na música. "O samba é muito criativo. São várias vertentes que abrem possibilidades infinitas. Você tem o samba-rock, o partido alto, o samba de breque, o pagode, o samba-de-enredo, o samba da Bahia, tudo isso vem do samba original e que também se juntou com outros ritmos. Essa renovação musical constante também estará no projeto", disse o músico.

Confira nesta galeria de fotos como é o Galpão 178

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