Vinny retoma carreira e encara altos e baixos com naturalidade

Cantor, que esteve no auge entre o fim dos anos 90 e 2000, se retirou de cena após busca por shows diminuir e voltou a estudar

Vinny: estudar foi maneira de manter a sanidade

Vinny: estudar foi maneira de manter a sanidade

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Muitos músicos que são superados por uma nova geração de ídolos acabam se ressentindo com o impacto que isso causa na fama, na venda de shows e sucesso das músicas.

Essa costuma ser a regra. Mas passa longe de ser o caso de Vinny. O músico, que acaba de retomar a carreira solo e uma turnê em parceria com o LS Jack (banda da qual ele foi padrinho e compositor da música que dá nome ao grupo), despreza qualquer sentimento de nostalgia.

O cantor carioca de 53 anos percebeu a queda de popularidade ainda em meados da década de 2000 e resolveu se retirar de cena para voltar a estudar. Uma escolha muito difícil, principalmente após experimentar a condição de ser um dos maiores ídolos pop do Brasil com os êxitos das músicas Heloísa, Mexe a Cadeira, Shake Boom, Uh Tiazinha e Te Encontrar de Novo, que tocaram sem parar nas rádios e pistas de dança do Brasil entre o fim dos anos 90 e início dos 2000.

'Muitas vezes, ao insistir, os artistas se amarguram'
Vinny

Para ele, a queda da procura por shows foi um sinal de alerta claro. E, em vez de insistir em uma disputa desigual com os novos interesses do público, preferiu retomar a faculdade de Filosofia para, nas palavras dele, manter a sanidade mental. Nesse meio tempo, ele também morou fora, dividindo o tempo entre Brasil, Argentina e Portugal. "Ter me afastado da música nesse período em que eu já não tinha mais muito shows marcados e sofria com um esvaziamento da agenda, me fez muito bem. Primeiro para a sanidade mental. Porque, muitas vezes, ao insistir, os artistas se amarguram. E eu tentei fazer disso uma oportunidade para abrir novas portas e horizontes, como terminar a faculdade de Filosofia, fazer mestrado em Ciências Sociais e estudar Psicanálise. Foram as coisas que me motivaram, seja para a mente ou para compor. Foi uma interferência muito benéfica. Estudar é sempre bom e vai ser para sempre na minha vida", determina.

Música retoma carreira e emenda projeto com banda LS Jack

Música retoma carreira e emenda projeto com banda LS Jack

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Vinny também comenta que soube lidar melhor com os altos e baixos por já ser um artista experiente quando fez sucesso em nível nacional. Além de músico da noite, Vinny integrou a banda de hard rock Haikaiss (da qual fazia parte o hoje produtor Marcelo Sussekind) e trilhava um errante caminho de cantor de pop rock. "Eu já tinha 30 anos e muito tempo de barzinho e de baile para perceber que a música tem um lado de luta diária que suplanta o glamour que as pessoas acreditam que é oferecido a todo tempo. Sempre me considerei um músico, antes de ser artista, no sentido de batalhar pelo pão tocando em churrascaria. Então eu estava preparado para toda a ascensão e toda decadência também. São coisas que fazem parte da mesma moeda. Artistas e músicos têm muito medo do fracasso. E nós aprendemos muito mais com as coisas que não dão certo", reflete.

Acaso

O próprio sucesso de Vinny é fruto mais de um lance de sorte do que de um plano bem traçado. A música Heloisa, Mexe a Cadeira era uma espécie de brincadeira que o músico fez para o repertório do disco Todomundo (1997) e, inesperadamente, virou sucesso nas pistas. "A música caiu nas graças das pistas de dança e maravilha, perfeito. Porque, de fato, foi assim que atingi o sucesso mesmo. Tenho profundo orgulho disso — e gratidão. Depois veio Shake Boom, Na Gandaia, Uh, Tiazinha e então mudei tudo e fui fazer disco acústico, para inserir novas roupagens e mostrar um outro lado. O fato de ser inusitado e poder tocar o que der na telha com qualquer artista é fundamental pra mim", explica o cantor.

'A música (Heloísa, Mexe a Cadeira) caiu nas graças das pistas de dança e maravilha, perfeito'
Vinny
Experiência na noite preparou pro sucesso e fracasso

Experiência na noite preparou pro sucesso e fracasso

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E se Vinny não é um saudosista da própria fama, também não é quando o assunto é a música e a maneira como ela é consumida e divulgada hoje. Entusiasta da modernidade, ele enxerga no cenário atual uma ótima forma de propagar qualquer ideia. "Hoje a internet democratiza toda e qualquer música produzida do Brasil e do mundo. Se quiser ouvir vocalizações da Mongólia, é só acessar o YouTube e ouvir. Nesse sentido, somos muito mais ricos que nossos antepassados. Me sinto felizardo por viver nesse momento de liberdade de escolha proporcionado pelas redes sociais", analisa.

Nos próximos meses, Vinny pretende utilizar também dessa força para tentar divulgar as próprias músicas inéditas, o projeto Baile do Vinny (com músicas próprias e sucessos do pop rock nacional) e o material que vai produzir com o LS Jack. Pé no chão, ele não faz plano algum. Mas deixa a agenda disponível para conciliar os estudos e uma turnê em breve. "Durante o acidente do Marcos Menna, tocamos juntos. Bicudo (bateria) tocou na minha banda. Eu sou amigo do Vitor Queiróz (baixo) desde a infância. Recebi o convite e não foi nem questão de topar ou não. Era óbvio que eu tava dentro. Estamos juntos há décadas. Se tiver procura, a gente dá um jeito na agenda e cai na estrada. Eu tenho orgulho de tocar com eles. Uma tremenda banda, com músicos sensacionais", conclui.