Entretenimento Musical 'Wicked' volta ao Brasil com as mesmas protagonistas e cenário de 38 toneladas

Musical 'Wicked' volta ao Brasil com as mesmas protagonistas e cenário de 38 toneladas

Myra Ruiz e Fabi Bang retornam aos papéis de Elphaba e Glinda para encenar a história não contada do Mágico de Oz

  • Entretenimento | Pedro Garcia, do R7

Resumindo a Notícia
  • Musical 'Wicked' estreia em São Paulo nesta quinta-feira (9).

  • Myra Ruiz e Fabi Bang interpretam as protagonistas do espetáculo.

  • Produção da Broadway volta ao Brasil após sete anos.

Fabi Bang e Myra Ruiz respectivamente caracterizadas como Glinda e Elphaba, no musical 'Wicked'

Fabi Bang e Myra Ruiz respectivamente caracterizadas como Glinda e Elphaba, no musical 'Wicked'

Andy Santana/Brazil News

Após sete anos da última passagem pelo Brasil, o musical Wicked volta aos palcos nesta quinta-feira (9). Myra Ruiz e Fabi Bang, as mesmas protagonistas que conquistaram o público na montagem anterior, retornam respectivamente aos papéis de Elphaba e Glinda para mostrar um novo lado da história do Mágico de Oz. A nova versão do espetáculo, em cartaz em São Paulo, chega com novidades e maior investimento nos cenários e efeitos visuais.

Vinícius Munhoz, produtor do musical, conta que a montagem não é uma réplica do espetáculo original, em cartaz há mais de 20 anos na Broadway, nos Estados Unidos. Ele explica que a produção de 2023 é uma versão brasileira que recebeu o aval de Stephen Schwartz, o compositor de Wicked.

"Ele disse que a gente fez com que o espetáculo desse uma virada e se tornasse uma coisa diferente das outras produções que aconteceram como não réplica, onde muita coisa foi criticada e alterada ao longo do processo. Não vou dizer que não teve notas, passamos uma manhã inteira ouvindo 94 notas cena a cena do espetáculo, que ele foi escrevendo ao longo do ensaio a que ele assistiu", conta Munhoz.

O enredo de Wicked é "a história não contada das bruxas de Oz", um musical inspirado no livro de Gregory Maguire. Elphaba, a Bruxa Má do Oeste, e Glinda, a Bruxa Boa do Sul, são personagens famosas de O Mágico de Oz, mas no espetáculo surgem como duas jovens estudantes muito diferentes uma da outra e que são obrigadas a conviverem uma com a outra. Com o tempo, uma amizade nasce entre elas e as protagonistas acabam vítimas de uma situação muito maior que elas e que as leva à fama de "boa" e "má", não necessariamente verídicas.

Myra Ruiz em uma cena de 'Wicked'

Myra Ruiz em uma cena de 'Wicked'

Andy Santana/Brazil News

Para contar essa história, a montagem brasileira conta com 275 funcionários que trabalham diariamente para manter o show de pé. Além disso, o teatro precisou passar por mudanças para comportar o espetáculo, que quis trazer inovações na parte do cenário e dos efeitos especiais.

"A gente tem 38 toneladas aqui nesse palco. E para que as 38 toneladas fossem sustentadas aqui, tivemos que fazer reforço no piso e algumas estruturações no teto do teatro para que tudo fosse seguro", revela Munhoz. O produtor também revela que a cenografia conta um telão de LED de 160 metros quadrados e 8 toneladas, um artifício que foi criticado inicialmente por fazer parte de uma peça de teatro.

"A tecnologia não está aqui para substituir os cenários físicos. Ela soma ao cenário, faz com que o cenário se torne real, que ele tenha coisas vivas, que o vento apareça, que a mudança de dia para noite apareça. Poderíamos ter feito sem, mas queríamos trazer uma nova camada de realismo para o espetáculo. A gente sentia que a mágica em ‘Wicked’ ficava muito no nosso imaginário. As coisas aconteciam, mas a gente não sabia como aconteciam. Aqui, a gente quis deixar ela visível", defende o produtor.

Munhoz conta que foi com esse investimento que a produção brasileira conseguiu realizar feitos que ficaram apenas nos sonhos dos responsáveis pela versão original, que entrou em cartaz em 2003. "Conseguimos atingir nessa produção coisas que, disse o Stephen Schwartz para nós aqui no Brasil, há 20 anos eles tentavam realizar, como alguns dos efeitos especiais e das transições de cena", diz.

Com tantas novidades, um elemento importante segue o mesmo da montagem de 2016 para a de 2023: a escalação das protagonistas. Myra Ruiz e Fabi Bang conquistaram o público com os papéis de Glinda e Elphaba, o que pode ser comprovado com os 40 mil ingressos vendidos antes mesmo da estreia do espetáculo. Foi como as duas bruxas que Myra concorreu e Fabi venceu o Prêmio Bibi Ferreira de 2016, ambas na categoria de Melhor Atriz.

As estrelas contam que, quando foram convidadas para fazer parte da nova montagem, a única condição foi que ambas voltassem a ser Elphaba e Glinda. Uma não faria o musical sem a outra. "Me sinto muito segura de ter a Myra como companheira de cena. A gente tinha uma parceria profissional e essa relação virou uma amizade", diz Fabi.

Sobre a história de Wicked, as atrizes ressaltam a força das personagens femininas e de o espetáculo ser protagonizado por duas mulheres de personalidade bem distinta. "A gente mostra, principalmente para as meninas, o quanto elas têm o poder de se emancipar, de aprender a voar, de aprender a ter empatia. Espero que meninas novinhas se inspirem nesse exemplo bonito de como ser humano também, porque não são personagens perfeitas, elas erram e reconhecem isso", comenta Myra.

"É um espetáculo completamente feminino. A força do espetáculo está no contraste de virtudes entre Glinda e Elphaba. São personagens muito fortes, com características muito marcantes", completa Fabi.

A interprete de Glinda também diz que o maior desafio de dar vida a um mesmo personagem duas vezes é não repetir o que fez originalmente. "A gente já conhecia o espetáculo, a gente viveu ele intensamente, mas a gente tinha como desafio, que nós mesmas nos impusemos, trazer um frescor, trazer novas tensões para o texto. Isso é um extramente desafiador", fala.

O elenco de 'Wicked' conta com 35 atores

O elenco de 'Wicked' conta com 35 atores

Andy Santana/Brazil News

O desafio de trazer o ar de novidade também fez parte do trabalho do diretor, o canadense John Stefaniuk. Ele explica que a chave para tocar a produção foi pensar em como o mundo mudou ao longo dos 20 anos que separam a estreia de Wicked da atualidade.

"Queria colocar em perspectiva como o mundo mudou em 20 anos e como a relação entre essas duas mulheres mudou. Começamos pensando no que está diferente. Não tinha redes sociais há vinte anos e vejo a Glinda como a primeira grande influenciadora do mundo. E, infelizmente, a Elphaba é a primeira vítima da cultura do cancelamento", explica.

Porém, Stefaniuk garante que, mesmo com as transformações, o entrosamento em cena entre Myra e Fabi não mudou e considera esse um dos grandes feitos da montagem brasileira e que fará com que o público continue se apaixonando pela história das bruxas de Oz.

Serviço

Wicked
estreia: 9/3/2023
local: Teatro Santander - Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Itaim Bibi, São Paulo
sessões: quinta-feira às 19h30; sexta-feira às 19h30; sábado às 15h00 e 19h30; domingo às 15h00 e 19h30
preço: de R$ 25 a R$ 400

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