Pop Jout Jout sobre machismo no Brasil: "A gente precisa falar de coisas que parecem pequenas"

Jout Jout sobre machismo no Brasil: "A gente precisa falar de coisas que parecem pequenas"

Youtuber usa sua influência nas redes sociais para informar a população sobre o feminismo

  • Pop | Juliana Moraes, do R7

Jout Jout aposta em sua influência para falar sobre o feminismo

Jout Jout aposta em sua influência para falar sobre o feminismo

Reprodução/Instagram

Em maio de 2014, Julia Tolezano criou o canal de YouTube Jout Jout Prazer e ficou conhecida por mostrar o universo feminino por meio de bom humor. Com um jeito leve e descontraído, ela aborda temas considerados tabus na sociedade e leva sua mensagem aos jovens. Defendendo a bandeira do feminismo, a youtuber questionou o cenário das mulheres no passado para mostrar que a luta por igualdade ainda é importante.

— Mulher deveria ganhar menos por fazer o mesmo trabalho que um homem? Mulheres deveriam ser proibidas de votar ou de participar das olimpíadas? Deveria sofrer violência se não quer fazer sexo, mesmo com seu próprio marido? Claro que não. Têm coisas que, de fato, parecem óbvias, mas descobri que não são nada óbvias. Há mais de 80 anos, mulheres não podiam votar e, quando brigaram por isso, foram chamadas de loucas e de histéricas. Elas também brigaram para poder participar das Olimpíadas e, quando conseguiram participar, o cara se demitiu porque achou absurdo.

A youtuber de 25 anos ressaltou que as mulheres não lutam para ter mais direitos do que os homes, e sim para ter uma igualdade entre os gêneros. Para isso, ela apresentou dados de mulheres mortas ao redor do país em decorrência do machismo

— Hoje em dia não é diferente: 13 mulheres são mortas, no Brasil, todo dia e uma em cinco, sofre violência. Entre as mulheres negras, essa violência é mais desproporcional. Os assassinatos também.

Jout Jout ainda relembrou o caso do MasterChef Junior, em 2015, no qual a participante Valentina, de 13 anos à época, foi vítima de assédio por meio das redes sociais. Segundo Jout Jout, o primeiro assédio das mulheres ocorre ainda na infância.

— Quando começaram os assédios daquela menina do MasterChef Junior, as meninas do Think Olga fizeram uma pesquisa, que teve mais de sete mil votos por hora, e a média de idade do primeiro assédio foi de nove anos. Independente da idade, a culpa é sempre da vítima. Dizem: “o vestido é curto demais”, “quem mandou provocar?”, “você não sabe que homem não se controla?”, “quem mandou estar na rua numa hora dessas?”. Por que isso ainda acontece? Por que as pessoas ainda dizem esses absurdos? Porque isso ainda faz parte da nossa cultura. Porque pensar desse jeito, ainda é normal. Eu senti que, por ter audiência, poderia contribuir de alguma forma para tentar mudar isso. A gente tem que tentar, sim, defender e se impor da forma que der. De vez em quando, alguma menina me para na rua para agradecer pelo empoderamento. Acho maravilhoso. Elas precisam saber que não é só com elas que isso acontece e elas não precisam passar por isso caladas.

Ela ainda falou sobre a importância de ser a voz de mulheres que não têm como serem ouvidas pela sociedade.

— A gente precisa falar. E falar por quem não tem o simples privilégio de se defender. A gente precisa falar de coisas que parecem pequenas, como aquele cara do trabalho que casualmente coloca a mão na sua cintura, mas você se sente mal porque não sabe se fala alguma coisa. Afinal, foi só uma mãozinha na cintura. Isso tem um impacto na vida das pessoas e nas novas gerações. Converso com meninas que me param nas ruas e vejo que isso está mudando. Espero que, daqui uns anos, tudo isso que a gente batalha hoje, seja tão simples e evidente quanto o que hoje em dia dizer que é óbvio que as mulheres têm direito ao voto.

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