Pop Série popular da Netflix reanima debate sobre alistamento militar na Coreia do Sul

Série popular da Netflix reanima debate sobre alistamento militar na Coreia do Sul

TV-NETFLIX-COREIA-MILITAR:Série popular da Netflix reanima debate sobre alistamento militar na Coreia do Sul

Reuters - Entretenimento

Por Sangmi Cha

SEUL (Reuters) - Uma série popular da Netflix está ressuscitando um debate na Coreia do Sul a respeito de seu enorme contingente militar, sua história de escândalos de abuso e o alistamento obrigatório que preenche suas fileiras de homens jovens.

"D.P", abreviação de "Deserter Pursuit", está entre as principais atrações da Netflix no país desde que estreou no final de agosto.

A série acompanha a polícia militar encarregada de capturar desertores e lança luz sobre a vida diária de muitos recrutas, o que inclui abusos mentais e físicos de outros soldados.

O diretor Han Jun-hee disse que tentou contar uma história humanizadora sobre como o sistema transforma desertores em vítimas e criminosos ao mesmo tempo, além do fardo imposto aos que são forçados a persegui-los.

"'D.P' fala sobre perseguir um desertor, mas ao mesmo tempo é uma história paradoxal sobre procurar o filho, irmão, ou amor infeliz de alguém", disse Han à Reuters por email.

Indagado sobre a popularidade da atração, um porta-voz do Ministério da Defesa disse que o meio militar mudou e que o ministério tenta acabar com os abusos e o tratamento brutal.

Na semana passada, os militares anunciaram que, mesmo antes de a série estrear, planejavam acabar com o sistema de fazer com que soldados rasos perseguissem colegas desertores e que a mudança entrará em vigor em julho de 2022.

A Coreia do Sul mantém um contingente militar ativo de 550 mil e mais 2,7 milhões de reservistas devido às décadas de tensões com a Coreia do Norte. Todos os homens precisam servir por até 21 meses, dependendo da divisão militar.

A série estreou enquanto o país debate o futuro do alistamento e seu potencial para abusos, especialmente porque jovens que enfrentam perspectivas econômicas incertas se queixam de passar no serviço militar um tempo que poderiam dedicar aos estudos ou ao trabalho.

(Reportagem adicional de Yeni Seo, Daewoung Kim e Dogyun Kim)

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