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Cafeicultores e ursos-de-óculos passam a conviver em paz após anos de 'inimizade' na Colômbia

Imagens do animal, que sofre risco de extinção, foram capturadas por câmeras espalhadas na floresta

RPet|Do R7

Cafeicultores e ursos-de-óculos passam a conviver em paz após anos de 'inimizade' na Colômbia
Cafeicultores e ursos-de-óculos passam a conviver em paz após anos de 'inimizade' na Colômbia Cafeicultores e ursos-de-óculos passam a conviver em paz após anos de 'inimizade' na Colômbia

No município de El Águila, localizado no sudoeste da Colômbia, os cafeicultores e o urso-de-óculos (Tremarctos ornatus) conseguiram "se reconciliar" nas montanhas íngremes do vale do Cauca. Após anos de conflito, os agricultores cederam parte de suas terras para proteger esse emblemático animal andino, considerado "vulnerável" à extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Anteriormente, os camponeses consideravam o café como seu rei, em um país que cultiva um dos melhores grãos do mundo e é o terceiro maior produtor mundial. No entanto, há oito anos, eles interromperam o desmatamento que abria espaço para os cultivos e pararam de caçar o urso, que consideravam seu inimigo. A espécie é o único urso da América do Sul que habita os Andes, desde a Argentina até a Venezuela, e se caracteriza por ter uma máscara branca ao redor dos olhos.

Uma estratégia chamada Conservamos la vida, implementada pelo setor público e privado, incentivou os agricultores, como Julián Pinilla e outros nove cultivadores, a ceder parte de suas terras para que o urso pudesse viver em paz. Em troca, eles receberam benefícios como a construção de sistemas de tratamento de água, fossas sépticas e tecnologia para o processamento do café.

Câmera de monitoramento na floresta captura urso-de-óculos com filhote
Câmera de monitoramento na floresta captura urso-de-óculos com filhote Câmera de monitoramento na floresta captura urso-de-óculos com filhote

Pinilla confessa que o urso os salvou. Desde então, nas florestas que cercam suas plantações de café, as "câmeras armadilhas" que foram implantadas identificaram uma biodiversidade florescente: raposas, cutias, tatus, doninhas, jaguatiricas, veados, pumas e até mesmo um filhote de urso que brinca com sua mãe.

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Em algumas ocasiões, os disparos eram usados para espantá-los ou até mesmo matá-los, lembra Pinilla, cuja família vive do café há várias gerações. Com a nova estratégia de conservação, tudo mudou. "Já não temos tanto conflito com a caça e o desmatamento, porque mudaram, digamos, com essa consciência", explica Pinilla.

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O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) estimou, em 2017, que havia cerca de 8.000 ursos-de-óculos na Colômbia, e a União Internacional para a Conservação da Natureza classificou a espécie como "vulnerável" à extinção. A principal ameaça à sua sobrevivência é a destruição de seu hábitat natural pela atividades humanas.

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Graças aos benefícios recebidos pela comunidade em troca de cuidar do urso, Pinilla e outros cafeicultores produzem o Café Oso Andino. Nas embalagens de seus produtos, sempre está presente o chamado "jardineiro das florestas", graças ao seu papel como dispersor de sementes durante suas longas jornadas.

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