Entretenimento T4F fecha o UnimedHall, maior casa de shows de São Paulo

T4F fecha o UnimedHall, maior casa de shows de São Paulo

Em carta, Fernando Alterio, presidente do grupo de entretenimento, lamentou situação do setor em meio à pandemia

UnimedHall, antigo Credicard Hall

UnimedHall, antigo Credicard Hall

Divulgação

Fernando Alterio, presidente do grupo de entretenimento T4F (Time for Fun), anunciou o fechamento, por tempo indeterminado, do UnimedHall, a maior casa de shows de São Paulo.

Em carta aberta para falar sobre a situação do setor durante este primeiro ano da pandemia de covid-19, o empresário relembrou quando teve a ideia de montar o espaço para apresentações. "Um lugar criado para oferecer uma experiência de entretenimento em dimensões inéditas no país. Assim fizemos. Ao longo de 23 anos, passaram por lá mais de 12 milhões de pessoas, que assistiram a mais de 3.500 apresentações de grandes nomes nacionais e internacionais. Marcamos época e passamos a fazer parte de muitas histórias – não só da música, mas da cidade, do país e da vida de cada pessoa que esteve ali", escreveu.

Fernando ainda disse que jamais imaginou passar por algo parecido ao longo dos 40 anos que está na indústria do entretenimento.

"Dia desses me vi sozinho, de pé, dentro de um enorme anfiteatro vazio. Um corte seco na cena de um filme em tempo real. Após um ano atravessando uma pandemia tão devastadora, olho para cima, já não há refletores. Olho para a plateia, já não há cadeiras nem mesas. Há apenas o silêncio. Ausência de música, de gente, de som. Fecham-se as cortinas de mais um palco no Brasil. Atravessamos um luto coletivo. No setor cultural, o impacto é sem precedentes. Fomos os primeiros a fechar as portas e seremos os últimos a reabri-las."

O empresário também agradeceu os artistas, o público, os funcionários e parceiros: "Cada um de nós carrega em sua lembrança uma parte do que vivemos juntos ao som de muitos acordes. Cada memória tem suas trilhas sonoras inesquecíveis. Temos orgulho em ser parte disso".

Por fim, Fernando afirmou que essa pausa é necessária, porém, o "silêncio não é o fim do movimento". "Estamos, juntos, em transformação. Rumo ao futuro. À construção de novos sonhos", finalizou.

Leia a carta na íntegra 

A todos os que amam a cultura, algumas palavras

Enquanto escrevo esta carta, o filme da minha vida me atravessa. Digo, sem titubear, que minha história não existiria sem a música.

Em uma cena, da qual jamais me esquecerei, me vejo sozinho, de pé, num terreno vazio. Com a cabeça muito além das nuvens e os pés no chão estou ali sonhando em erguer uma asa de espetáculos como nunca tínhamos visto no Brasil. Bem no meio do terreno, imensa. Um monumento à música. Onde artistas e público se encontrariam para escrever juntos um capítulo único da cultura do nosso país. Sim, eu sonhava tido de forma grandiosa, impactante. Talvez guiado pelo tamanho da minha paixão pela música – especialmente pela música brasileira – que vinha desde antes dos meus vinte e poucos anos.

Construí o sonho. Cuidei de cada detalhe. E vi brotar no terreno antes vazio a maior casa de shows da América Latina – o UnimedHall. Um lugar criado para oferecer uma experiência de entretenimento em dimensões inéditas no país. Assim fizemos.

Ao longo de 23 anos, passaram por lá mais de 12 milhões de pessoas, que assistiram a mais de 3.500 apresentações de grandes nomes nacionais e internacionais. Marcamos época e passamos a fazer parte de muitas histórias – não só da música, mas da cidade, do país e da vida de cada pessoa que esteve ali.

Dia desses me vi sozinho, de pé, dentro de um enorme anfiteatro vazio. Um corte seco na cena de um filme em tempo real. Após um ano atravessando uma pandemia tão devastadora, olho para cima, já não há refletores. Olho para a plateia, já não há cadeiras nem mesas. Há apenas o silêncio. Ausência de música, de gente, de som. Fecham-se as cortinas de mais um palco no Brasil.

Atravessamos um luto coletivo. No setor cultural, o impacto é sem precedentes. Fomos os primeiros a fechar as portas e seremos os últimos a reabri-las. Posso garantir que jamais imaginei algo assim em meus 40 anos na indústria do entretenimento.

Diante disso, olho a grandeza de tudo que vivemos no UnimedHall. E venho aqui agradecer aos artistas – razão maior desse projeto – e a todos que também passaram por nossa casa: técnicos, funcionários e parceiros. Ao público, que vibrou conosco, um agradecimento especial. Cada um de nós carrega em sua lembrança uma parte do que vivemos juntos ao som de muitos acordes. Cada memória tem suas trilhas sonoras inesquecíveis. Temos orgulho em ser parte disso.

A música, parceira antiga, sempre me ensina muitas coisas. Hoje, ela me diz que é tempo de pausa. E que esse silêncio não é o fim do movimento. Mas sim, um outro andamento. E que estamos, juntos, em transformação. Rumo ao futuro. À construção de novos sonhos.

Meus mais sinceros agradecimentos a todos eu fizeram parte dessa história.

Fernando Alterio

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