Profecia ou pop? Como Katy Perry desenhou o cenário atual há 9 anos
Canção retrata a alienação da era digital.
Vanity Brasil|Do R7

Quando Katy Perry lançou “Chained to the Rhythm” em 2017, o mundo talvez estivesse ocupado demais dançando para ouvir o que ela realmente estava dizendo. Quase uma década depois, a faixa ressurge não apenas como um hit nostálgico, mas como um manifesto assustadoramente preciso sobre a anestesia coletiva em que vivemos. O que parecia ser apenas um clipe colorido ambientado no parque fictício de “Oblivia” revelou-se, em 2026, uma metáfora literal da nossa rotina.
A viralização recente da música nas redes sociais levanta um debate conceitual importante: a profecia do “piloto automático”. No videoclipe, vemos pessoas presas em loops infinitos, correndo em rodas de hamster e caminhando em uníssono, cegas por óculos de realidade virtual que mascaram o mundo real. Essa imagem nunca foi tão palpável. A letra, que questiona se estamos “confortáveis demais para enxergar”, dialoga diretamente com a era dos algoritmos, onde a bolha digital nos isola de verdades inconvenientes enquanto consumimos entretenimento descartável.
A “previsão” de Katy Perry está na sutileza do contraste: uma melodia disco e vibrante que esconde uma letra sobre alienação política e social. É a representação perfeita da sociedade contemporânea, que consome o caos com um sorriso no rosto, deslizando telas para cima enquanto o mundo exige atenção. O parque “Oblivia” não é mais ficção; ele é o feed das nossas redes sociais.














