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Patricia Lages
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Análise: Brasileiros batem R$ 1 trilhão em impostos pagos em 2022

Enquanto Estado cobra muito e entrega pouco, brasileiros se preocupam mais em como bilionários usam o próprio dinheiro

Patricia Lages|Do R7

Pessoas com recursos financeiros podem mudar seu domicílio fiscal na hora que quiserem
Pessoas com recursos financeiros podem mudar seu domicílio fiscal na hora que quiserem Pessoas com recursos financeiros podem mudar seu domicílio fiscal na hora que quiserem

Depois da onda do “taxem os ricos”, como se o problema do governo fosse falta de dinheiro, eis que o brasileiro passou a palpitar sobre como os bilionários devem gastar o próprio dinheiro.

O sul-africano Elon Musk, depois de adquirir o Twitter por US$ 44 bilhões (mais de R$ 218 bilhões), está sendo criticado por não usar esse dinheiro para erradicar a fome no mundo. Pena que esses críticos sejam afiados em teclar ideias mirabolantes nas redes sociais, mas ignorem que uma operação matemática simples poderia livrá-los de passar vergonha em público.

Segundo a ONU, 811 milhões de pessoas passam fome no mundo; logo, dividir R$ 218 bilhões pela quantidade de famintos significa que cada um receberia menos de R$ 270, uma única vez. E mesmo quem não tem nenhum talento para a matemática é capaz de saber que essa quantia não é suficiente nem para comprar meia cesta básica.

No que diz respeito a taxar os ricos, vale lembrar o motivo que faz dessa política uma péssima ideia. Ricos podem ser tudo, menos burros. Ninguém chega a ser bilionário sem saber muito bem como proteger seu patrimônio. Pessoas com recursos financeiros à disposição podem mudar seu domicílio fiscal na hora que quiserem e para onde bem entenderem.

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É isso que vimos acontecer na França e na Argentina, para citar apenas dois dos países que implementaram essa política e fracassaram. Os franceses mudaram-se para outros países europeus cujos tributos eram menores e os argentinos se mudaram para o Uruguai. Resultado: em vez de esses governos continuarem recebendo parte do que seus bilionários faturavam, agora não recebem nada. E, como sempre, para cobrir as perdas na arrecadação — uma vez que gastar menos não é uma opção para esses governos — quem vai continuar pagando a conta são os mais pobres, pois eles não podem deixar o país, ainda mais sem os empregos que aqueles bilionários ofereciam.

Dito isso, voltemos ao Brasil e aos seus cofres abarrotados com um trilhão de reais. Quais são os benefícios que você recebe em troca dos mais de 150 dias de trabalho por ano que vão para os cofres públicos? Quais são as vantagens de bancar um Estado cada vez maior, mais pesado e menos eficiente? O que você faria se pagasse menos impostos e pudesse desfrutar um pouco mais do seu próprio dinheiro?

É com isso — e com aquele partido que diz ajudar o trabalhador, mas está lutando na Justiça para anular a redução inédita de 31% no IPI — que os brasileiros deveriam estar preocupados. Os bilionários têm quem os defenda, mas o brasileiro comum só tem seu voto.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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