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Patricia Lages
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Análise: Narrativa ambiental europeia é mais hipócrita do que parecia ser

Diante do corte de 80% no fornecimento de gás da Rússia, Europa abandona narrativa ecológica e quer revogar metas ambientais

Patricia Lages|Do R7


Rússia cortou em cerca de 80% o fornecimento de gás à Europa
Rússia cortou em cerca de 80% o fornecimento de gás à Europa

Segundo as ONGs World Wide Fund for Nature (WWF) e Global Footprint Network, os 28 países da União Europeia (UE) consomem recursos naturais muito mais rápido do que o limite que a natureza consegue se recompor. Os europeus utilizam até 20% da biocapacidade da Terra, mesmo representando apenas 7% da população global.

Em 2019, foi divulgado um relatório desenvolvido por essas ONGs em que se afirma que “todos os países da UE vivem além da capacidade do nosso planeta” e que seus cidadãos — que criticam tanto o resto do mundo, principalmente o Brasil — “utilizam duas vezes mais recursos do que os ecossistemas conseguem repor”.

O relatório também afirma que, “se a humanidade consumisse tanto quanto os europeus em termos de pesca, agricultura, silvicultura, construção ou rastro de carbono, seriam necessários 2,8 planetas para garantir o abastecimento. Isso está bem acima da média mundial atual, que é de 1,7 planeta".

O documento traz mais afirmações que deixam claro quanto a narrativa ambiental europeia é hipócrita: "Se todas as pessoas no mundo tivessem as mesmas 'pegadas ecológicas' que a média dos cidadãos europeus — emitindo a mesma quantidade de carbono, consumindo o mesmo tanto de comida, madeira e fibras e ocupando a mesma quantidade de espaço construído —, o dia 10 de maio [de 2019, no caso] seria a data em que a humanidade teria usado tanto da natureza quanto o planeta conseguiria renovar durante um ano inteiro. Pelo resto do ano, a humanidade teria que viver do esgotamento do capital natural da Terra".

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Ou seja, é muito fácil para as “Gretas Thunberg” e os “Leos DiCaprio” da vida criticar as políticas adotadas por outros países — principalmente o nosso — quando boa parte do mundo precisa dos recursos naturais desses países — principalmente do nosso — depois de ter acabado com os seus. As críticas severas não são feitas à toa nem por amor ao planeta, mas, sim, por interesses em se apoderarem daquilo que não têm mais, mas não podem viver sem.

E, para “atualizar” a hipocrisia, depois das sanções da Rússia cortando em 80% o fornecimento de gás para a Europa, não pense que os governos dos países estão aconselhando seus cidadãos a se agasalharem bem para não destruírem a Terra. Ao contrário, uma das primeiras medidas foi revogar as metas ambientais que haviam firmado anos atrás. Na prática, o conforto dos europeus está muito acima dos discursos bem ensaiados de “vamos salvar o planeta”.

Não, você não vai ver a Greta Thunberg passando frio para salvar a natureza nem o Leo DiCaprio condenando a Europa por revogar as metas. As críticas desses personagens têm método e alvo certo, só não vê quem não quer...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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