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Patricia Lages

Análise: Por que a vida virtual tem fascinado tanta gente?

Há quem passe longas horas todos os dias nas redes sociais mesmo com o tempo escasso da vida moderna. Por que essa fascinação por algo irreal?

Patricia Lages|Do R7

Todos os dias, invariavelmente, recebo mensagens com pedidos de ajuda sobre questões financeiras, quer seja no meu blog ou em alguma das minhas redes sociais. Há casos em que as pessoas se colocam em situações tão absurdas que chego a entrar em seus perfis para tentar entender o que as levou a cometerem tantos erros.

O que vejo, na maioria das vezes, são páginas que exibem uma vida “perfeita”. Muitos sorrisos, uma quantidade fora do comum de selfies, uma infinidade de “looks do dia”, além, é claro, de uma galeria de momentos felizes em viagens, restaurantes, shoppings, baladas e afins.

Pessoas com problemas mostram uma vida perfeita nas redes sociais
Pessoas com problemas mostram uma vida perfeita nas redes sociais

Quem segue perfis como esses, jamais vai imaginar que aquelas pessoas têm dívidas altíssimas, que estão escondendo o carro da apreensão da justiça, que devem mensalidades da faculdade e, em alguns casos, que estão há dias sem nada na geladeira para dar aos filhos.

Essas pessoas jamais irão expor a verdade nas redes sociais, pois o mundo virtual funciona para elas como um “refúgio” que alivia – nem que seja por algumas horas – o peso da vida real. A questão é que, além de não resolverem seus próprios problemas, as pessoas que praticam essa exposição da vida perfeita, acabam causando problemas para quem acredita em tudo que vê.


Quantas são as pessoas que se sentem deprimidas ao verem que “todo mundo” está viajando, curtindo, comprando e “sendo feliz”, enquanto ela está em casa, levando uma vida normal, lavando, passando e cozinhando para economizar dinheiro e não entrar em dívidas. Mal sabem elas que aquelas pessoas aparentemente tão felizes dariam tudo para não terem dívidas e sentirem a paz de abrir a geladeira e terem algo para cozinhar.

A verdade é que as pessoas estão mais endividadas do que nunca, mais deprimidas do que nunca e, por consequência, mais infelizes do que nunca. Os consultórios nunca estiveram tão cheios de pessoas como descreve a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva em seu livro Mentes consumistas: “Nunca tivemos tantas pessoas insatisfeitas, ansiosas e compulsivas por comida, drogas, compras, jogos, sexo etc.”


O que se vê nas redes sociais não bate com as estatísticas, porém, números não mentem, pessoas sim. Não se guie pelo que vê nas redes, não acredite que uma foto de alguém sorrindo em um lugar paradisíaco expressa real felicidade e não baseie a sua vida em stories que duram menos de 24 horas. Se esse tipo de coisa lhe atinge, desconecte-se do virtual e foque no real. Viva a sua vida, pois esta é a sua única chance.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e Record TV e é facilitadora da RME para o programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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