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Brasileiros pagam caro para ter crédito sem perceber que poderiam usar o próprio dinheiro, sem juros

Banalização do crédito tornou brasileiros tão dependentes de empréstimos e financiamentos que muitos pagam caro apenas para ter mais crédito

Patricia Lages|Patricia Lages e Patricia Lages

Brasileiro tem ficado cada vez mais endividado
Brasileiro tem ficado cada vez mais endividado Brasileiro tem ficado cada vez mais endividado

Como educadora financeira, tenho visto a formação de um círculo vicioso que tem colocado a maioria dos brasileiros em uma espécie de roda dos ratos, em que correm cada vez mais rápido, sem perceber que não estão saindo do lugar.

As pessoas têm ficado cada vez mais endividadas por recorrem a empréstimos e financiamentos a juros altíssimos, mas, em vez de se livrarem dessas operações, têm preferido pagar caro para continuar nelas.

Esse ciclo de dependência é tão forte que, mesmo quando as próprias instituições credoras oferecem uma forma de sair dessa bola de neve, as pessoas preferem continuar rolando penhasco abaixo. A título de exemplo, acompanhe o relato deste devedor:

“Minha dívida original/base é de 11 mil; pelo acordo [proposto pelo banco credor], estão me ofertando 3 mil para eu poder limpar meu nome. Porém, com os juros, esta mesma dívida de 11 mil já chegou a bater os 23 mil. Resumo da ópera, pelo que eu já conheço, fazer acordo é furada para financiar um imóvel; a dúvida é: levando em consideração as informações apresentadas [em um vídeo do meu canal do YouTube], para eu conseguir crédito do banco e ter o financiamento aprovado, devo efetuar o pagamento inicial/original de 11 mil (onde tudo começou) ou devo pagar aquele que contém os juros, totalizando 23 mil?”

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Essa pessoa havia acabado de assistir a um vídeo de 17 minutos em que eu e outro especialista em endividamento explicamos que se devem aceitar acordos com redução de juros para sair da inadimplência. Mesmo assim, ele afirma que “fazer acordo é furada”, pois pode influenciar em um futuro financiamento de imóvel. Em outras palavras: ele prefere doar R$ 20 mil ao banco (que já o liberou de pagar essa quantia) só para ter acesso a mais crédito e continuar a viver endividado.

O brasileiro já comprou a ideia de que só consegue ter acesso a bens por meio de crédito, sem perceber que troca a independência de comprar aquilo de que precisa com o próprio dinheiro (poupando e dando tempo ao tempo), pela dependência que ele tem de instituições que dizem que é possível ter tudo agora, mas que lhe cobrarão o dobro.

A falta de educação financeira, a crença em mitos criados pelas próprias instituições e a conformidade em viver com a corda no pescoço fazem com que a maioria dos brasileiros prefira dar o dinheiro que tem a quem irá tomar até o dinheiro que não tem.

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